domingo, 4 de dezembro de 2016

"A Rainha de Provence", Jean Plaidy

Boa noite, queridos leitores!

Eu sei que tenho estado longe do blog há muito tempo, muitas vezes pensei em comentários e reflexões literárias para postar por aqui, mas infelizmente não tenho tido tempo. No final de agosto me mudei para Leiden, uma cidade na Holanda, pois recebi uma bolsa de estudos para fazer um curso de Research Master em Estudos Literários na Universidade de Leiden. Tenho lido e aprendido tanta coisa! Espero ainda poder compartilhar com vocês este aprendizado por aqui! Porém, como a carga de leitura, escrita e trabalho na universidade é muito grande, realmente não tem me sobrado tempo para escrever por aqui.

A cidade murada de York com a catedral ao fundo
No entanto, neste final de semana fui para York na Inglaterra para participar de uma conferência sobre Charles Dickens (mais comentários virão!), e simplesmente me encantei com esta cidade tão recheada de história! Por coincidência, ontem terminei de ler o sexto volume da saga Plantageneta escrita por Jean Plaidy e, imaginem só, York estava no enredo de Plaidy! Como é maravilhoso poder ver com os próprios olhos os locais descritos em livros, não é? Por isso, inspirada pela cidade de York e com o final da leitura de "A Rainha de Provence", decidi escrever sobre mais este volume da saga aqui no blog!

Quem quiser acompanhar as resenhas dos cinco primeiros volumes da saga pode acessá-las clicando aqui.

Como vimos, o último volume, "A Batalha das Rainhas", acabou com as duas poderosas rainhas-mães Isabela de Angoulême e Blanche de Castela abrindo espaço para que seus filhos, agora maduros, pudessem reinar: Henrique III da Inglaterra e Luís IX da França, respectivamente. Em "A Rainha de Provence" conhecemos o período de reinado de Henrique III (1216-1272). Após a morte do Rei João, o povo tinha esperanças que seu filho Henrique seria um rei diferente. Porém, essas esperanças não foram concretizadas. Henrique acabou sendo um rei fraco.

Henrique já está com idade para casar e assim começam os preparativos para lhe encontrar uma rainha. Na região de Provença, a segunda filha do Conde de Provença, Eleanor, volta seus olhos ambiciosos para a Inglaterra. Sua irmã mais velha Marguerite havia se casado com Luís IX e se tornado rainha da França. Cobiçando um título de rainha para si também, Eleanor usa de seus dotes como trovadora e escreve uma canção que vai parar nas mãos de Henrique III. Sem nem ao menos conhecê-la, Henrique se apaixona por esta mente criativa e, quando a vê pela primeira vez, se apaixona por ela ainda mais.

Os dois se casam e têm uma vida feliz a dois. Porém, logo se percebe a influência de Eleanor sobre o seu marido. Henrique faz de tudo para agradá-la: sobe os impostos para poder arcar com festas e presentes extravagantes, a corte inglesa se enche de estrangeiros da Provença, principalmente familiares de Eleanor que passam a ocupar os cargos mais importantes do governo inglês, tomando - aos olhos da população - o lugar dos ingleses. Aos poucos, o rei e a rainha perdem popularidade com o povo.


Henrique III
Eleanor de Provença

Simon de Montfort, um nobre inglês, se torna o líder dos rebeldes. Um grupo de nobres se reúne para exigir mudanças ao rei: eles querem a instauração de um Parlamento. O rei Eduardo III, a rainha Eleanor e seu filho mais velho Eduardo se opõem veementemente à proposta de Montfort e os outros nobres. A situação fica cada vez pior até que Simon e seus seguidores levantam a Segunda Guerra dos Barões em 1264, como ficou conhecida - a Primeira Guerra dos Barões tinha acontecido com o pai de Henrique, Rei João, e tinha culminado com a assinatura da Magna Carta. Durante esta nova rebelião, o rei foi capturado, seu irmão, Ricardo, e seu filho, o príncipe Eduardo, também foram feitos prisioneiros. Eduardo consegue escapar e, com a ajuda de sua mãe Eleanor e seu primo Henrique (filho do seu tio Ricardo), lidera um exército contra os rebeldes. Diferente de seu avô João, Eduardo sai vitorioso. O rei e seu irmão são liberados, e Simon de Montfort é morto e esquartejado.


Guerra dos Barões


Com a paz restaurada, Eduardo decide partir para a Oitava Cruzada em 1270. Seu pai, porém, adoece e fica cada vez mais fraco. Por fim, em 1272, Henrique III morre, deixando a coroa para seu filho, que viria a se tornar Eduardo I. Eduardo ainda estava participando da Cruzada quando soube da morte do seu pai, e só conseguiu voltar para a Inglaterra em 1274.




" - Você tem diante de si o rei da Inglaterra."


É o que Eduardo diz a sua esposa, também chamada Eleanor, na penúltima frase do sexto volume da saga. No próximo volume, "Eduardo I", conheceremos melhor este bravo príncipe e saberemos se a bravura da sua juventude se estenderá aos seus anos de reinado. Será que o povo inglês vai ter enfim o rei que esperava?

Esta foi mais uma aventura da família real inglesa escrita pela fantástica Jean Plaidy, pseudônimo de Eleanor Hibbert (1906-1993). Quanto mais eu leio os seus livros, mais abismada eu fico com o tamanho repertório histórico e cultural da autora. Em vida, ela escreveu mais de 200 livros, a maioria romances históricos reconstruindo diferentes períodos da história inglesa. É, sem dúvida, um trabalho de fôlego! E nós, leitores, só temos a agradecer a aproveitar!


Jean Plaidy
Ótima semana a todos, e prometo que não tardarei para voltar por aqui! Há muito o que compartilhar!

Beijos e ótimas leituras!

Fernanda



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

"O Beijo de Chocolate", Laura Florand

Boa noite, queridos leitores!

Hoje trago para vocês as minhas impressões sobre O Beijo de Chocolate, livro escolhido por mim para o desafio literário de junho, que consistia em ler um romance.

Quem acompanha meu blog sabe que eu não sou muito fã de romances, principalmente os muito melosos. É por isso que participar de um desafio literário é interessante, pois ele te faz buscar leituras que normalmente você não buscaria. Eu havia comprado esse livro por causa de resenhas positivas que havia lido em alguns blogs e, principalmente, porque a história envolvia chocolate, magia e Paris.

Como escrevi no post sobre o desafio de junho (quem quiser relê-lo, pode acessá-lo aqui), a sinopse na contra-capa do livro me cativou. Um pequeno salão de chá na Île Saint-Louis em Paris chamada de La Maison de Sorcières, ou A Casa das Bruxas em português, administrado por Magalie, uma jovem metade francesa e metade norte-americana, e suas tias Aja e Geneviève. Achei o clima inicial um tanto quanto Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira, o que me encantou, pois eu era fã de Sabrina!

Em sua pequena loja no coração de Paris, Magalie encanta seus clientes com seu chocolate quente, que ela acredita ser mágico. Ao preparar cada chocolate quente, ela o faz especial dependendo do que ela acredita que cada cliente precisa: amor próprio, confiança, humildade, etc.


A harmonia da pequena La Maison de Sorcières é abalada com a chegada de Philippe Lyonnais, celebrado pâtissier francês que faz os melhores macarons de Paris, que abre uma de suas sofisticadas lojas a poucos metros do pequeno café das bruxas. Uma rivalidade surge entre os dois estabelecimentos, principalmente entre Magalie e Lyonnais, atraente e jovem. A rivalidade, no entanto, logo se transforma em paixão e os dois se envolvem loucamente.

Eu gostei bastante da primeira parte do livro, porém, quando Magalie e Lyonnais começam a se relacionar, a autora incluiu certas cenas picantes que, a meu ver, são desnecessárias. É quase como se o livro mudasse completamente de gênero de uma página para a outra: de romance romântico a erótico.

Além disso, Magalie parecia ser uma personagem forte no início do livro, determinada e independente. Porém, ao se apaixonar por Philippe, ela se submete a ele de maneira um tanto vergonhosa. Além de tudo, Philippe é extremamente arrogante e seguro de si mesmo. Sem contar que o final céu de brigadeiro é um taaaanto longe da realidade.

Achei a proposta inicial da autora tão promissora, mas acredito que Laura Florend não tenha trabalhado o enredo de forma satisfatória. Paris não passa de um plano de fundo para a história e somente alguns poucos lugares turísticos na cidade são mencionados como a Catedral Notre-Dame e a Pont des Arts. Por ser um cenário tão encantador, a autora poderia ter explorado mais a relação dos personagens com o ambiente em que estavam.

Outro fator que me causou certo descontentamento foi que a autora não explorou muito bem os personagens secundários. O foco é completamente em Magalie e Lyonnais, mas há outros personagens promissores que Florand negligencia, como as tias Aja e Geneviève, e os pais de Magalie (que são completamente esquecidos por boa parte do romance!).

De maneira geral, a leitura foi proveitosa. Como estudante de literatura, a gente passa a analisar nossas leituras mais profundamente, até mesmo as leituras de prazer, e certos deslizes acabam por nos incomodar mais do que a um leitor menos comprometido. Identifiquei muitas promessas em O Beijo de Chocolate, mas nem todas foram cumpridas, infelizmente. O enredo tinha muito potencial (magia, chocolate, paixão e Paris!), mas a concretização da autora deixou um pouco a desejar.


Laura Florand é norte-americana. Ela nasceu na Geórgia, mas atualmente mora em Paris com seu marido francês. Florand trabalha na Universidade de Duke, onde é palestrante. Ela ainda realiza pesquisas sobre o chocolate francês, que se reflete em suas obras. Além de O Beijo de Chocolate, Laura Florand publicou outros livros que incluem Paris e muito chocolate, como Melhor que Chocolate, que também já foi publicado em português pela editora Gente. Os outros romances parisienses de Florand ainda não chegaram ao Brasil.

Laura Florand e seus livros

O Beijo de Chocolate não foi tudo o que eu esperava, mas quem sabe Melhor que Chocolate não me cativa? Vou dar mais uma chance a Laura Florand e logo conto para vocês!


Uma ótima quinta-feira e ótimas leituras!

Fernanda

terça-feira, 19 de julho de 2016

Calendário Literário - Julho

Olá, queridos leitores!

Um novo mês iniciou (há quase três semanas, eu sei!) e já é hora do nosso próximo desafio literário!
Tenho lido bastante ultimamente, pois agora que terminei de escrever minha dissertação de mestrado, tenho tido mais tempo livro, finalmente! Porém, tenho lido textos além do nosso desafio anual. No entanto, ainda há tempo para o nosso desafio de julho!


Como em julho é o mês de férias escolares, normalmente temos mais tempo de sobra para fazer o que gostamos: ler! Por isso, o desafio literário deste mês é:


Ler um livro com mais de 500 páginas!

E aí, topam o desafio?

Para quem não lembra, o Calendário Literário foi criado pelo blogueiro e youtuber Vitor Martins. Quem quiser relembrar os posts referentes aos desafios dos últimos meses, podem acessá-los clicando aqui.

Eu, pessoalmente, não tenho medo de livros com muitas páginas. Pelo contrário, estes são os livros que mais me atraem! Para os que ainda não se acostumaram com longas leituras (que não necessariamente duram mais tempo, porque há livros enormes que são tão envolventes que a leitura acaba por fluir rapidinho!), eu sugiro começar com um livro que te chame a atenção por já ter sido lido e recomendado por muitos, como a saga Harry Potter, ou por ser alguma história que você já goste ou esteja familiarizado, como livros que viraram filmes ou séries de televisão, como a saga Guerra dos Tronos. Assim, você vai ter certeza que a leitura será do seu agrado e que você não desistirá no meio do caminho! Depois que você perder o "medo" do número de páginas, você pode se aventurar em romances longos desconhecidos, que serão uma jornada inédita para você!


Eu pensei muito sobre qual livro iria ler para este desafio. Há tantos livros que estão na minha estante esperando para serem lidos há tanto tempo... Por fim, escolhi um livro que devo ter comprado há uns dois anos e que me intrigou bastante. Trata-se de A Sociedade dos Meninos Gênios, escrito pelo norte-americano Lev A.C. Rosen.


Este romance tem como plano de fundo uma Londres Vitoriana pós-apocalipse com uma atmosfera steampunk. A personagem principal é Violet Adams, uma garota que se passa por seu irmão gêmeo para conseguir um lugar na escola mais prestigiada de Londres, que é reservada só para meninos. Além de ironizar a aristocracia inglesa do século XIX e de tratar de uma maneira divertida a questão de gênero, A Sociedade dos Meninos Gênios ainda traz referências a Noite de Reis, de Shakespeare, e A Importância de Ser Prudente, de Oscar Wilde. É claro que estou dentro!

Lev A.C. Rosen
Este é o romance de estreia de Rosen, publicado nos Estados Unidos em 2011 e no Brasil em 2014.

Eu estou animadíssima com esta nova leitura! O livro tem 544 páginas, mas tenho uma sensação de que essas páginas vão voar! Assim que terminar a leitura, trago minhas impressões para vocês!

E você? Qual livro com mais de 500 páginas vai ler neste mês?

Um ótimo mês, excelentes férias e maravilhosas leituras!

Fernanda

sexta-feira, 15 de julho de 2016

"A Detenção de Arsène Lupin", Maurice Leblanc

Boa noite, leitores!


Quem acompanha o blog sabe que eu sou apaixonada pela Agatha Christie. Foi ela quem me introduziu à literatura policial e até hoje a considero a musa maior das histórias de crimes e detetives. Por falar em detetives, Hercule Poirot continua sendo um dos meus investigadores preferidos. Porém, eis que em uma de minhas jornadas por livrarias, me deparei com um pequeno livro de bolso que chamou minha atenção. Trata-se de Arsène Lupin Ladrão de Casaca. O livro chamou a minha atenção por três motivos principais. Primeiro, a capa. Nela, é possível ver a silhueta de um homem de casaca, cartola e bengalas, o que me remeteu ao século XIX e à Inglaterra Vitoriana, um de meus períodos preferidos na história inglesa. Porém, ao ler o título e o nome do autor, percebi que se tratava de um autor e de um personagem franceses. Este foi o segundo motivo de minha atração pelo livro. Sou fascinada pela cultura francesa! E, por fim, ao ler a contracapa, verifiquei que o livro era um romance policial. Pronto, o livro me fisgou e o levei direto para o caixa!

Arsène Lupin Ladrão de Casaca é, na verdade, um livro de contos. Ele traz nove contos, todos aventuras do fugitivo Arsène Lupin. Confesso que não o conhecia antes, mas ele é um dos personagens mais famosos da literatura policial mundial, ao lado de nomes como Sherlock Holmes, Philip Marlowe e Poirot!




O primeiro conto do livro, A Detenção de Arsène Lupin, é o conto no qual o personagem aparece pela primeira vez. Ele foi publicado originalmente na revista Je sais tout no dia 15 de julho de 1905. Há exatos 111 anos! Logo, Lupin tornou-se célebre e veio a aparecer em mais 35 contos e 19 romances escritos por Maurice Leblanc, além de diversas aparições no cinema, teatro, televisão e histórias em quadrinhos. É, certamente, um ladrão multimodal!

A contracapa da edição da L&PM Pocket traz a seguinte informação:

"A alta sociedade francesa diverte-se a bordo do transatlântico Provence, quando chega a notícia: Arsène Lupin, o ladrão impossível de se capturar, viaja disfarçado entre os passageiros."


E aí, aguçou a curiosidade?

É aí que os passageiros do navio, que não podem deixar o local onde estão até aportarem no local de destino, se desesperam e passam a cogitar quem seria o famoso ladrão. Não vou contar quem é o passageiro disfarçado, é claro! Mas recomendo a leitura do conto. Leiam e descobrirão quem é Arsène Lupin!

Maurice Leblanc
Maurice Leblanc, o criador deste memorável personagem, nasceu em 11 de novembro de 1864 em Rouen, na França, e morreu em 6 de novembro de 1951, aos 76 anos. Leblanc nasceu em uma família burguesa francesa e desde criança teve sua imaginação fomentada pelas obras de Maupassant e Flaubert. Aos 21 anos, mudou-se para Paris para seguir o seu sonho de ser escritor. Seu primeiro romance, Une Femme, foi publicado em 1905, mas não alcançou muita popularidade. Foi com seu personagem Arsène Lupin - criado por encomenda da revista francesa Je sais tout para rivalizar o personagem inglês Sherlock Holmes - que Leblanc alcançou a fama literária.



Arsène Lupin foi adaptado para o cinema diversas vezes. Entre as adaptações mais conhecidas está o filme de 2004, dirigido por Jean-Paul Salomé. O filme conta com Romain Duris no papel de Lupin, Eva Green como Clarisse, e Kristin Scott Thomas como a condessa Josephine. Ainda não tive a oportunidade de assistir ao filme, mas ele já entrou em minha lista! Porém, quero ler mais contos com Lupin antes de me aventurar para a adaptação cinematográfica.


Filme de 2004

Quem está procurando uma história curta e instigante para esta sexta-feira à noite, deixe-se levar pelas aventuras de Arsène Lupin.

Uma ótima noite a todos e boas leituras!

Fernanda

domingo, 10 de julho de 2016

"A Batalha das Rainhas", Jean Plaidy

Boa tarde, queridos leitores!

Eu continuo a jornada de leituras da fantástica saga Plantageneta em 14 volumes da escritora inglesa Jean Plaidy. Em uma das primeiras resenhas que fiz sobre esta série de livros, havia identificado como ponto negativo o fato de a autora apresentar uma narrativa muito rápida: muitos eventos acontecem em poucas páginas, por isso o leitor poderia se sentir sobrecarregado com a quantidade de informações. Porém, agora que já me acostumei com o ritmo da autora, vejo isto como um dos pontos positivos da saga de Plaidy, pois ela cobre muitos anos em apenas um volume de modo a proporcionar uma visão panorâmica da vida dos primeiros monarcas da Inglaterra.


A saga de Jean Plaidy
O quinto volume, por exemplo, inicia em 1216 e termina em 1246. Certos detalhes são inevitavelmente deixados de lado, mas o resultado final é uma belíssima reconstrução do período da dinastia Plantageneta, que iniciou em 1154 com Henrique II, e terminou em 1399 com o final do reinado de Ricardo II. Os livros de Plaidy, porém, não são livros de história, mas romances históricos, que buscam nestas personalidades reais inspirações para sua reconstrução como personagens de ficção, com seus desejos, ambições, romances, vinganças, enfim... tudo o que uma boa história precisa! E o mais interessante é saber que estes personagens de fato existiram! É a mistura de entretimento e instrução. Eu acho simplesmente maravilhoso!




Os 14 volumes da saga, em ordem cronológica, são:

- "Prelúdio de Sangue" - resenha aqui;
- "O Crepúsculo da Águia" - resenha aqui;
- "O Coração de Leão" - resenha aqui;
- "O Príncipe das Trevas" - resenha aqui;
- "A Batalha das Rainhas";
- "A Rainha de Provence";
- "Eduardo I";
- "As Loucuras do Rei";
- "O Juramento do Rei";
- "Passagem para Pontefract";
- "A Estrela de Lancaster";
- "Epitáfio para Três Mulheres";
- "A Rosa Vermelha de Anjou";
- "Sol em Esplendor".


O volume 5, "A Batalha das Rainhas", inicia a partir da morte do Rei João, o "príncipe das trevas". O Rei João não foi um rei popular. Pelo contrário, sua perda dos territórios continentais ingleses para a coroa francesa, a contratação de um exército de mercenários, a nomeação de estrangeiros para cargos políticos importantes, sua briga com o Papa que resultou na sua excomunhão e no Interdito para a Inglaterra, e sua tirania levaram os barões ingleses a se rebelarem contra o seu próprio rei e a se juntarem ao príncipe francês, que logo se tornou Luís VIII, no seu ataque à Inglaterra.

O destino, porém, interveio a favor da Inglaterra: o Rei João acabou morrendo devido a complicações de uma séria disenteria. Às pressas, o filho mais velho de João com Isabela de Angoulême, Henrique, que tinha apenas 9 anos na época, foi coroado Henrique III em 1216 (neste ano, comemoramos 800 anos da coroação de Henrique III!). Os nobres ingleses, que estavam insatisfeitos com João, nada tinham contra o jovem Henrique. Portanto, voltaram para a Inglaterra e as expedições do príncipe francês para conquistar a Inglaterra fracassaram.

Henrique III da Inglaterra

Como Henrique ainda era muito jovem para reinar sozinho, ele teve a ajuda de sua mãe, a rainha Isabela de Angoulême, considerada a mulher mais bela da época, e dos cavaleiros Guilherme Marechal e Hubert de Burgh (o mesmo que se negou a cegar o príncipe Arthur com ferros quentes durante o reinado do Rei João!).

Do outro lado do Canal da Mancha, Luís VIII e sua esposa Blanche de Castela tiveram sete filhos que sobreviveram, incluindo o primogênito (depois da morte de Filipe) Luís. O destino também levou Luís VIII cedo, deixando o pequeno Luís, com apenas 12 anos, para ser coroado Luís IX em 1226 (Luís IX foi mais tarde canonizado São Luís IX da França). Como Luís também era novo demais, sua mãe, a rainha Blanche, auxiliou-o ativamente durante os primeiros anos do seu reinado.

Luís IX da França

Isabela e Blanche, as rainhas-mães da Inglaterra e França respectivamente, foram mulheres à frente do seu tempo, sem  medo de enfrentar reis e políticos, e capazes de tudo para manter - e aumentar - o seu poder. É esta a "batalha das rainhas", a principal trama que dá título ao livro.


Blanche de Castela
Isabela de Angoulême


O próximo volume também vai ser dominado por outra figura feminina: Eleanor, esposa de Henrique III, a "rainha de Provence"! A saga dos monarcas ingleses continua!



Jean Plaidy quando jovem
Jean Plaidy (1906-1993) - um dos pseudônimos de Eleanor Hibbert - foi mesmo uma autora prolífica e de um invejável repertório histórico-cultural. Durante sua vida, ela escreveu mais de 200 livros e vendeu mais de 100 milhões de cópias, traduzidos para mais de vinte línguas! Plaidy escreveu várias sagas de romances históricos, incluindo a série de 14 romances sobre a dinastia Plantageneta, 11 volumes da saga Tudor, 7 volumes da saga Stuart, e 11 volumes da série Rainhas da Inglaterra. Plaidy era uma escritora de fôlego! Escrevia cinco horas por dia, durante os sete dias da semana. Ela era muito disciplinada e não parava de escrever até mesmo durante as suas férias anuais em cruzeiros marítimos. Sua dedicação com certeza se reflete na sua escrita requintada. Entre seus principais ídolos e influências literárias estão Charlotte Brontë, Victor Hugo, George Eliot, Charles Dickens e Leo Tolstói.

Quem ainda não conhece o trabalho de Jean Plaidy, fica aqui a minha recomendação!

Um ótimo domingo a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

domingo, 26 de junho de 2016

"O Jardim Secreto", Frances Hodgson Burnett

Olá, pessoal!

Hoje venho compartilhar com vocês uma leitura muito especial. Esta é uma das histórias que encantou minha infância, tornando-a, com certeza, mais mágica. Alguém se lembra de Mary Lennox? Quando crianças, eu e minha irmã brincávamos que éramos irmãs Lennox e perambulávamos pela casa, imaginando-a uma mansão de muitos quartos, a procura de um cômodo secreto. Infelizmente, não encontramos nenhum jardim secreto, mas o encantamento por trás desta história nos acompanhou até os dias de hoje.

Meu primeiro contato com a história de Frances Hodgson Burnett foi através do filme de 1993, dirigido por Agnieszka Holland e com Kate Maberly no papel de Mary. Aliás, este filme - juntamente com O Encanto das Fadas, era item certeiro dos nossos finais de semana em casa. Quando soube que o filme havia sido baseado em um romance, tive muita vontade de lê-lo! Li a versão em português alguns anos atrás, e recentemente li a versão em inglês, devido ao desafio literário do mês de maio, que consistia em ler um livro infanto-juvenil.

Reler O Jardim Secreto foi uma experiência maravilhosa! Sabem aqueles medos que temos quando queremos reler um livro que nos foi muito especial na infância? Aquele receio de que o livro não será tão especial como foi um dia? Pois isto não aconteceu com O Jardim Secreto! Mesmo sabendo a trama de cor, me encantei com as descobertas de Mary e com a magia tomando conta das crianças e, mais tarde, dos adultos, transformando a vida de todos!



Para quem ainda não conhece a história, O Jardim Secreto narra as aventuras de Mary Lennox, uma menina de dez anos magra e rabugenta, que nasceu na Índia. Depois de um surto de cólera, seus pais morrem e, órfã, Mary é levada para a Inglaterra para morar com seu tio em uma mansão em Yorkshire. Seu tio, cuja bela esposa morreu muito jovem, é sério e melancólico, e não deseja ser perturbado por Mary. Mary tem o cuidado da jovem Martha, que a encoraja a sair de casa e explorar os jardins da mansão. É aí que Mary descobre um jardim secreto, trancado há dez anos. Juntamente com Dickon, irmão de Martha, e Colin, seu primo doente, Mary faz de tudo para trazer o jardim abandonado de volta à vida. O que ela não esperava é que outras pessoas seriam trazidas de volta à vida juntamente com o jardim.

Para as crianças, o jardim secreto é envolto em magia. A magia, a meu ver, em O Jardim Secreto, vai muito além de feitiços ou encantamentos, tanto que cada personagem dá a esta crença o nome que quiser. As crianças a chamam de magia, Dickon chama de Deus, e a Sra. Sowerby de fé. De qualquer forma, a magia é a crença em algo superior e bondoso, que toma conta de seu corpo e pensamentos, da natureza e outros seres, banindo o mal e trazendo felicidade e contentamento. Não é lindo?



O Jardim Secreto é uma história de superação, renascimento e homenagem à vida. Ele nos ensina a buscar essa "magia" no nosso dia-a-dia. Precisamos cuidar de nossas vidas como cuidamos de um jardim: com carinho, dedicação e removendo as ervas daninhas. Percebemos quão prejudiciais pensamentos negativos podem ser, e, ao mesmo tempo, aprendemos o poder de pensamentos positivos.


Escolhi um trecho do livro que me pareceu muito especial para ilustrar esta fantástica história:


"One of the strange things about living in the world is that it is only now and then one is quite sure one is going to live forever and ever and ever. One knows it sometimes when one gets up at the tender solemn dawn-time and goes out and stands alone and throws one's head far back and looks up and up and watches the pale sky slowly changing and flushing and marvelos unknown things happening until the East almost makes one cry out and one's heart stands still at the strange unchanging majesty of the rising of the sun - which has been happening every morning for thousands and thousands and thousands of years. One knows it then for a moment or so." (p. 256)


Frances Hodgson Burnett


O Jardim Secreto foi publicado pela primeira vez nos Estados Unidos em formato serial em 1910 e publicado como livro em 1911 em Nova York e Londres. Frances Hodgson Burnett nasceu em 24 de novembro de 1849 na Inglaterra. Em 1865, depois da morte de seu pai, sua família imigrou para os Estados Unidos, onde Frances morou por muitos anos. Frances casou-se com Swan Burnett em 1872 e com o marido morou em Paris por dois anos, onde tiveram dois filhos, antes de retornar aos EUA, onde se fixaram em Washington D.C. Em 1898, os dois se divorciaram. Frances casou-se novamente em 1900, mas se divorciou outra vez dois anos mais tarde. Frances morreu em 1924 aos 74 anos de idade.


No final dos anos 1890, Frances morou por quase dez anos em Great Maytham Hall, uma mansão em Kent, Inglaterra, antes de voltar aos Estados Unidos em 1902. Este local inspirou a criação de O Jardim Secreto, principalmente o jardim fechado que fazia parte da propriedade em Kent. Great Maytham Hall é simplesmente fabuloso! Eu iria amar passar uma temporada nesta linda casa e explorar os magníficos jardins. Não é a toa que Frances criou uma história tão encantadora após ter passado tanto tempo morando neste lugar incrível! Atualmente, é possível visitar o local. Mais informações podem ser encontradas neste site.

Great Maytham Hall

A primeira adaptação cinematográfica de O Jardim Secreto foi feita em 1919, porém este filme, infelizmente, se perdeu. Em 1975 a BBC fez uma série em sete partes. Duas versões muito conhecidas são as de 1993, que comentei anteriormente, e a versão em desenho animado de 1994. Também me lembro de ter assistido a este desenho diversas vezes quando criança! Mais recentemente, uma notícia quentíssima me deixou muito animada: o produtor e diretor de alguns filmes da saga Harry Potter, David Yates, vai dirigir uma nova versão de O Jardim Secreto. Por enquanto, ainda não há muitos detalhes disponíveis sobre a produção. Nos resta esperar ansiosamente!

Filme de 1993


Espero que tenham gostado desta publicação sobre um dos meus livros preferidos, considerado por muitos um dos melhores livros infanto-juvenis do século XX. Quem ainda não conhece Mary Lennox, Dickon, Colin e o jardim secreto, tenho certeza que vai se encantar também com esta história mágica!

Um ótimo domingo a todos e, claro, ótimas leituras!

Fernanda

sexta-feira, 17 de junho de 2016

"O Cortiço", Aluísio Azevedo

Olá, pessoal!

Eu venho aqui (com um terrível atraso!) compartilhar a minha experiência lendo O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Esta leitura fez parte do desafio literário de abril, que era ler um livro nacional. Este livro já estava na minha lista de leituras há muuuito tempo! Desde o período de faculdade, quando um grupo apresentou um trabalho sobre este livro e me instigou! Pois fim, eis que o desafio literário de abril me fez cumprir a minha promessa pessoal de ler este livro.

O Cortiço foi escrito por Aluísio Azevedo e publicado pela primeira vez em 1890. Influenciado pelos franceses Émile Zola e Gustave Flaubert, Azevedo trouxe para o Brasil uma vertente do realismo chamada de naturalismo. Inspirados pelos novos conhecimentos científicos de fins do século XIX, os romances naturalistas partiam do pressuposto de que o homem é definido pelo meio em que vive. Ademais, os romances naturalistas esbanjavam linguagem coloquial falada - bastante inovador para a época -, e tratavam de temas como sexo, sordidez humana, violência, loucura, etc.

O Cortiço é um retrato da área menos favorecida no Rio de Janeiro de fins de século XIX. Os personagens que habitam o cortiço do João Romão, português que vivia com uma mulata brasileira, personificam diversos desses temas, como a mulata sensual Rita Baiana, o agressivo Firmo, a prostituta Léonie, a recatada Pombinha que mais tarde se entrega à prostituição, as lavadeiras, o português trabalhador Jerônimo que se deixa seduzir por Rita e acaba em perdição, sua mulher Piedade que se entrega ao alcoolismo após ser abandonada... enfim, uma grande miríade de personagens!

Personagens de O Cortiço

Ao mesmo tempo que estes personagens moram no cortiço, há um contraponto destes com os moradores do sobrado de Miranda, erguido junto à parede do cortiço. Miranda é um português que veio fazer fortuna no Brasil com sua esposa infiel Dona Estela e sua filha Zulmira. Ele recebe o título de barão e faz inveja ao seu vizinho, João Romão, que, apesar de rico, não participa da alta sociedade e nem recebe títulos nobres como Miranda. Cresce, então, uma disputa entre os dois portugueses.

Conforme os personagens vão se inter-relacionando, a trama vai ficando mais interessante e sórdida. Jerônimo se apaixona por Rita, deixando Firmo enciumado e abandonando sua mulher Piedade. Firmo, como vingança, agride Jerônimo. Pombinha se casa com o seu pretendente, mas percebe que prefere a vida de prostituta rica da sua protetora Léonie. João Romão pretende se casar com a filha do Miranda, Zulmira, para se apossar da fortuna de Miranda, mas, para isso, deve se livrar de Bertoleza, a mulata ex-escrava com quem viveu muitos anos.




Aos poucos, percebemos que os personagens perdem sua individualidade e se tornam um todo. Juntos, eles formam o cortiço, que poderíamos dizer ser o personagem principal desta trama, que dá título ao livro.


Confesso que ao iniciar a leitura, me senti um pouco desapontada, pois esperava mais de O Cortiço. No entanto, o leitor precisa de um tempo para se acostumar aos tantos nomes dos moradores e suas características, seus desejos e medos, para que, enfim, se possa tirar maior proveito da leitura. Assim que me vi envolvida com as tramas e sub-tramas deste intricado universo, me prendi de tal modo aos personagens que gostaria de saber como continuaram as vidas de cada um após a última página.

Um ponto muito positivo da escrita de Azevedo, mas que pode gerar certo estranhamento e desconforto proposital ao leitor, é a maneira como ele descreve lugares e pessoas sem rebuscamento ou idealizações, mas de forma nua e crua. As comparações e metáforas utilizadas por Azevedo são simplesmente sensacionais. Escolhi aqui um trecho como forma de ilustração. Neste momento do romance, Piedade - sem dinheiro e sem a ajuda do marido que a desertou - se mudou com a filha para o cortiço vizinho, chamado "Cabeça-de-Gato":

"E a mísera, sem chorar, foi refugiar-se, junto com a filha, no 'Cabeça-de-Gato' que, à proporção que o São Romão se engrandecia, mais e mais ia-se rebaixando acanalhado, fazendo-se cada vez mais torpe, mais abjeto, mais cortiço, vivendo satisfeito do lixo e da salsugem que o outro rejeitava, como se todo o seu ideal fosse conservar inalterável, para sempre, o verdadeiro tipo da estalagem fluminense, a legítima, a legendária; aquela em que há um samba e um rolo por noite; aquela em que se matam homens sem a polícia descobrir os assassinos; viveiro de larvas sensuais em que irmãos dormem misturados com as irmãs na mesma lama; paraíso de vermes; brejo de lodo quente e fumegante, de onde brota a vida brutalmente, como de uma podridão" (p. 217)




É preciso dizer mais?

Aluísio Azevedo
Aluísio Azevedo nasceu em São Luís, Maranhão, em 14 de abril de 1857, e morreu na Argentina em 21 de janeiro de 1913, aos 55 anos. Além de escritor, Azevedo trabalhou como jornalista, desenhista, pintor, caricaturista e diplomata. Em 1876, ele mudou-se para o Rio, onde estudou na Academia Imperial de Belas-Artes. Seu primeiro livro publicado foi Uma Lágrima de Mulher, em 1879. Em 1881 publicou O Mulato, livro que escandalizou a sociedade com o seu retrato nu e cru da escravidão no Brasil, deixando transparecer o seu ideal abolicionista; mas sua principal obra foi O Cortiço, que também causou furor na sociedade de fins do século XIX.

O Cortiço já foi adaptado para o teatro diversas vezes e em 1978 para o cinema com Betty Faria, Armando Bógus, Mário Gomes e Beatriz Segall. Ainda não tive a oportunidade de assistir a este filme, mas tenho muito curiosidade em ver como o diretor adaptou esta intricada trama de Azevedo, se bem que o romance é repleto de sub-tramas, o que daria uma boa telenovela!


Filme de 1978


Um ótimo final de semana a todos e ótimas leituras!

Fernanda


Calendário Literário - Junho

Bom dia, queridos leitores!


Peço desculpas por este hiato de um mês nas publicações do blog, minha vida tem estado uma loucura! Minha defesa de mestrado está marcada para o mês de agosto e, por isso, tenho estado mergulhada neste projeto. Porém, como toda leitora de carteirinha que se preze, eu não abandonei as minhas leituras prazerosas, apenas não tenho tido tempo para compartilhá-las com vocês por aqui. Aos poucos, vou deixando tudo em ordem! :)


Já estamos em meados de junho, mas o desafio literário deste mês já começou! Lembrando que estou seguindo o Calendário Literário 2016 criado por Vitor Martins. Quem tiver interesse, pode acessá-lo clicando aqui.


O desafio do mês de junho, como não poderia deixar de ser, é ler um romance! Confesso que este não é o meu gênero literário favorito. Até mesmo passando por minhas estantes de livros, é difícil encontrar algum! Como os leitores que acompanham o meu blog devem ter percebido, eu sou fã de fantasia, histórias sobrenaturais, romances históricos e aventuras medievais!

Porém, o objetivo do Calendário Literário é justamente este: nos apresentar a leituras que normalmente não faríamos, deixando a nossa zona de conforto e, muitas vezes, descobrindo agradáveis surpresas no percurso.

Por isso, fiz a minha escolha! A minha leitura para o desafio literário do mês de junho será O Beijo de Chocolate, da escritora norte-americana Laura Florand. As primeiras linhas da sinopse na contracapa do livro já me fisgaram:

"Na pequena Île Saint-Louis, no coração da romântica Paris, esconde-se uma casa de chá especial e mágica: La Maison de Sorcières. As tias Aja e Geneviève confiaram em sua jovem sobrinha Magalie para ajudá-las na empreitada de encantar os clientes com doces e bebidas que são literalmente feitiços - em especial, o inexplicável chocolate quente de Magalie"

Paris? Casa de chá? Magia? Chocolate quente? Estou dentro!

Estou bastante animada com esta leitura, que normalmente não seria a minha escolhida, já que tenho tantos outros livros na fila de leitura há muito mais tempo. Mas são essas aventuras inesperadas que tornam a leitura ainda mais prazerosa!



Logo que tiver um tempinho, venho aqui para compartilhar com vocês minhas experiências lendo este e outros livros, como O Cortiço, de Aluísio Azevedo, que fez parte do desafio de abril, e O Jardim Secreto, que fez parte do desafio de maio.

Uma ótima sexta-feira a todos e ótimas leituras!

Fernanda

segunda-feira, 16 de maio de 2016

"Pollyanna", Eleanor H. Porter

Bom dia, queridos leitores!


Estou devendo muitas resenhas para o blog, mas espero conseguir colocar tudo em dia aos poucos!


O post que trago hoje para vocês é resultado do desafio literário de maio, que consistiu em ler um livro escrito por uma mulher. Como expliquei no post dedicado ao desafio (quem quiser relê-lo pode acessá-lo aqui), achei esta uma ótima oportunidade para reler um livro que me encantou em minha infância. Na verdade, se não me engano, este foi o primeiro livro mais "longo" que li quando criança. Minha transição de livros infantis para livros infanto-juvenis.

O livro a que me refiro é o inigualável Pollyanna, clássico da literatura infanto-juvenil, de Eleanor H. Porter. Devo dizer que minha releitura do romance não afetou a marca que a primeira leitura havia deixado em mim mais de dez anos atrás. Pelo contrário, ainda intensificou esta impressão! Antes de mim, minha mãe já havia lido o romance quando era criança e havia se encantado. Foi ela quem me sugeriu a leitura deste clássico naquela época. E hoje, ela, também, releu o livro, e ambas estamos novamente apaixonadas pela doce Pollyanna.



Viajar pelos escritos de Eleanor H. Porter foi como viajar no tempo e me reencontrar com a minha infância. Pollyanna nos conta a história da meiga garota que dá nome ao livro, que, após a morte dos pais, vai morar com a sua tia Polly em uma enorme casa no campo. Tia Polly é uma mulher solteira e austera, que nunca se imaginou cuidando de uma criança. Porém, Pollyanna tem amigos na casa, como o jardineiro e a empregada Nancy, e logo faz amizade por todo o bairro.




Pollyanna é uma otimista incurável, e mesmo nos momentos mais difíceis, ela consegue reverter a situação, jogando o "jogo do contente", que havia aprendido com seu pai. O jogo consiste em sempre procurar o lado positivo de uma situação, mesmo que ela pareça não ter nenhum lado bom! Pollyanna vai disseminando sua alegria e seu jogo do contente por toda a vila, até Tia Polly se deixa contaminar. Porém, algo muito triste acontece a Pollyanna, e é hora de todos aqueles que a garota havia ajudado antes se mobilizarem para encorajar a pobre menina a jogar, ela mesma, o jogo do contente.


Eleanor H. Porter
Pollyanna foi publicado pela primeira vez em 1913, um ano antes de eclodir a Primeira Guerra Mundial, período em que crianças e adultos poderiam se apoiar em Pollyanna e seu jogo do contente para enfrentar as atrocidades da guerra. Eleanor H. Porter nasceu em 19 de dezembro de 1896 nos Estados Unidos, e morreu em 21 de maio de 1920, aos 51 anos. Eleanor foi cantora antes de se tornar escritora. Eleanor publicou diversos livros e contos, em especial romances infanto-juvenis. Sua principal e mais conhecida obra é Pollyanna (1913), mas também publicou outros livros de relativo sucesso, como Miss Billy (1911), A Decisão de Miss Billy (1912), Miss Billy Casada (1914) e a continuação de Pollyanna, Pollyanna Moça (1915). Eu comprei Pollyanna Moça em uma promoção recentemente e logo, logo pretendo ler o livro!

Pollyanna já foi adaptado para o cinema diversas vezes, entre as principais adaptações estão o filme mudo de 1920 com Mary Pickford como protagonista, a versão da Disney de 1960 com Hayley Mills como Pollyanna, e uma versão mais recente, de 2003, um filme para televisão com a atriz Georgina Terry no papel principal. Ainda não assisti nenhum desses filme, mas pretendo fazer uma maratona cinematográfica Pollyanna muito em breve!

Filme de 1920

Filme de 1960

Filme de 2003

Quem ainda não teve a oportunidade de ler este clássico da literatura infanto-juvenil, não perca mais tempo e deixe-se emocionar com a doce Pollyanna e seu jogo do contente. É uma leitura que te marcará para o resto da vida!

Uma ótima segunda-feira a todos, ótimas leituras e não esqueçam de praticar o jogo do contente!

Fernanda