Mostrando postagens com marcador História das Terras e Lugares Lendários. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História das Terras e Lugares Lendários. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de maio de 2015

"História das Terras e Lugares Lendários", Umberto Eco - Parte 2

Boa tarde, queridos leitores!


Que tal continuar nossa jornada pelas terras e lugares lendários através do livro do Umberto Eco? A propósito, este livro é simplesmente maravilhoso! Percebe-se a qualidade da edição: capa dura, papel laminado e incríveis ilustrações que, por vezes, ocupam o tamanho de duas páginas inteiras! A Editora Record realmente caprichou, são 478 páginas de puro trabalho artístico.

Desta vez, o mestre Eco nos fala sobre as terras da Bíblia. Eu, infelizmente, ainda não tive a oportunidade (e paciência, vamos ser sinceros) para ler a Bíblia, mas é a partir dela que muitas outras narrativas se originaram. No universo da literatura, o número de referências textuais à Bíblia é enorme, e eu, muitas vezes, acabo por não compreendê-las, por falta da leitura e conhecimento do texto sagrado. Portanto, uma das minhas metas até o final da minha vida é ler a Bíblia por inteiro. Espero conseguir, é um trabalho e tanto!

Soldados assírios
Por enquanto, me contento com os relatos de outros estudiosos, como Umberto Eco. Ele escreve sobre a divisão das tribos de Israel e a sua posterior deportação para outras regiões depois da conquista dos assírios em 721 a.C, daí a lenda das Dez Tribos Perdidas de Israel.

Mesmo muito tempo depois, os israelenses não conseguiram retornar à sua terra de origem, pois o seu caminho estava impedido pelo lendário rio Sambation, de cujas profundezas saltavam pedras que atingiriam qualquer um que tentasse lhe atravessar.

Outro lugar lendário trazido por Umberto Eco é o Templo do Rei Salomão. Tal templo, construído no século X a.C., aparece em diversas passagens bíblicas, mas até hoje ele permanece um lugar lendário, sua real localização e aparência nunca foram descobertos.

Na Idade Média, arquitetos tentaram reproduzir o edifício a partir das informações contidas nos textos sagrados, mas sem sucesso. "Os Pais da Igreja diziam, por exemplo, que, se interpretássemos as medidas do edifício em termos físicos, as portas teriam de ser mais largas do que as paredes" (ECO, Umberto, p. 48). Era uma construção impossível! Mas na Arte, onde tudo é possível, o Templo de Salomão foi imaginado e desenhado inúmeras vezes.

Veja algumas representações do lendário Templo de Salomão:









O Templo do Rei Salomão ostentava riquezas por dentro e por fora. Veja a descrição do trono do Rei, retirada do Antigo Testamento:



"O rei fez também um grande trono de marfim e revestiu-o o de ouro puro. Esse trono tinha seis degraus, um espaldar arredondado na parte superior, braços de cada lado do assento e dois leões em pé perto do braço e doze leões colocados de um lado e do outro dos seis degraus. Nada de semelhante se fez em reino nenhum."





E, por fim, Umberto Eco discute sobre lugares lendários relacionados aos Três Reis Magos: de onde vieram, para onde iam e onde foram sepultados? Tais lugares permanecem um mistério até os dias de hoje.

A afirmação mais aceita é de que os Magos foram sacerdotes do zoroastrismo persa. Porém, há relatos escritos de que eles tenham vindo da Caldeia, da Núbia ou de algum ponto do Extremo Oriente. Não se sabe nem ao certo se eles eram três. Alguns acreditam que eles eram dois, outros que eram doze!

 E onde ficaram seus restos mortais?  É possível que eles tenham estado em Constantinopla, depois tenham sido levados para Milão, mais tarde transferidos para a catedral de Colônia. Assim, seus túmulos se "multiplicaram", e fragmentos ósseos dos supostos Reis podem ser encontrados tanto na Itália quanto na Alemanha.

Espero que tenham gostado dessa nossa excursão por alguns lugares lendários da Bíblia! Em breve, trarei mais publicações sobre as terras míticas descritas por Umberto Eco.

Um beijo,

Fernanda

sexta-feira, 10 de abril de 2015

"História das Terras e Lugares Lendários", Umberto Eco - Parte 1

Bom dia, pessoal!


Hoje escrevo para vocês sobre um livro que me encantou desde a primeira vez em que o vi nas prateleiras das livrarias, tanto pela sua capa (que mostra um lugar encantador que eu adoraria visitar - nem que fosse em sonhos!), como pelo seu título e pelo seu autor, Umberto Eco.

Umberto Eco é um grande nome da literatura contemporânea e sinal de qualidade de texto e muito refinamento. Eu tenho muito respeito por Eco, porque ele simplesmente sabe tudo sobre tudo! Realmente um gênio de nossos tempos.

Nascido em Alexandria, na Itália, em 5 de janeiro de 1932, Eco tem hoje 83 anos e espera viver até os 100 (eu, pessoalmente, espero que ele viva muito mais para nos agraciar com suas palavras pelo máximo possível de tempo!). Ele é filósofo, semiólogo, linguistia, crítico literário, bibliófilo e romancista. Em outras palavras, um verdadeiro Leonardo da Vinci de nossos tempos (só falta pintar!).

Umberto Eco
 Ele já deu aulas em diversas universidades renomadas mundialmente, como a Universidade de Yale, Columbia, Harvard, Universidade de Toronto e Universidade de Bolonha. Ele escreve sobre os mais diversos assuntos, desde símbolos e suas interpretações a romances consagrados, como O nome da rosa (1980) e O pêndulo de Foucault (1988), dos quais só li o último e me apaixonei pela erudição de Eco.

Este livro que trago para vocês, História das Terras e Lugares Lendários, publicado em 2013, nos faz viajar pelos lugares míticos que povoam nossas literaturas e, mais ainda, o imaginário de todos nós. Lugares como Camelot, Atlântida, Eldorado e a ilha de Salomão, que podem ou não terem existido na realidade, mas que com certeza existem em nossa imaginação.

A cada capítulo Eco nos traz informações e ilustrações riquíssimas sobre algum desses lugares e o primeiro capítulo, A terra plana e os antípodas, é dedicado às maneiras como as civilizações do passado viam a nossa Terra. E, surpreendentemente e diferente do que muita gente imagina, a Terra já era considerada redonda há muito tempo, mesmo antes das viagens de Cristóvão Colombo! O mundo era visto em formato de T, com a Ásia ao topo, cortado pelo Mar Negro à esquerda e o Nilo à direita, mais abaixo a Europa do lado esquerdo e a África do lado direito, separados pelo Mar Mediterrâneo, isto no século XI. Tudo bem que eles não tinham conhecimento das Américas ou da Oceania, mas já tinham a noção de que a Terra era redonda e que, portanto, não havia um precipício que assinalava o seu fim. É claro que nem todos concordavam com esta hipótese. Esse foi, realmente, um tema polêmico por muitos séculos a seguir.

Mapa do mundo em formato de T
 Por mais que desconhecessem os territórios do Novo Mundo, desde alguns séculos antes de Cristo já se pensava na hipótese de que havia outros povos habitando outras regiões da Terra, ainda desconhecidas por eles. O problema é que essas pessoas habitavam o outro lado do planeta, portanto eles não deveriam ser descendentes de Adão e deveriam andar de cabeça para baixo e pés para cima, os antípodas!
 Esse grande mistério quanto ao que havia e o que habitaria as terras do Sul foi um dos grandes motivadores das explorações marinhas.


Além das informações e ilustrações, Eco traz trechos de livros da época que discutem os temas abordados no capítulo. Por exemplo, o trecho sobre os antípodas retirado de Astronomica, de Marco Manílio, escrito entre I a.C. e I d.C.:


"Embaixo delas [as constelações austrais] jaz uma outra parte de mundo, inatingível para nós. E estirpes desconhecidas de homens e reinos nunca atravessados que recebem a luz do nosso mesmo Sol e sombras opostas às nossas, com astros que se põem à esquerda e nascem à direita, num céu às avessas do nosso".

Os antípodas

É incrível refletir sobre como as pessoas pensavam sobre assuntos tão triviais para nós nos dias de hoje, mas que em seu tempo deviam deixar muita gente com dor de cabeça, como o formato da Terra, a estrutura do mapa múndi e as características dos povos que habitam os quatro cantos do mundo. hoje, podemos pegar um avião e em algumas horas estar, nós mesmos, em carne e osso, do outro lado do mundo! Imagina o que Marco Manílio teria pensado disso!

Estou muito curiosa para ler sobre os demais lugares lendários que Eco escolheu para compor este livro maravilhoso. Em breve, trago mais informações para vocês sobre os próximos capítulos.

Uma ótima sexta-feira a todos!

Fernanda