domingo, 15 de março de 2015

Discussão - O Cânone Literário

Boa noite, pessoal!

Infelizmente ontem terminou nosso Especial Semana da Mulher, que trouxe muitos comentários positivos para o blog, portanto fiquei muito feliz com o resultado. Espero que vocês tenham gostado!

Hoje, no entanto, resolvi escrever sobre algo diferente. Ao invés de sugerir mais uma obra da Literatura Mundial (o que voltarei a fazer amanhã), pensei em discutir o por quê de certas obras serem consideradas clássicas. Quando começamos a estudar Literatura mais a fundo, começamos  a refletir sobre certas questões. O cânone literário, por exemplo. O que é o cânone na literatura? São aquelas obras e escritores considerados clássicos, os grandes nomes que todos ouviram falar e que fazem parte de, praticamente, todas as antologias. Em outras palavras, aqueles que, quando citados em uma conversa, você fica com vergonha por não conhecer. Mas quem decidiu que esses são os grandes nomes da Literatura? Quem decidiu que estes, e não aqueles livros, fariam parte do cânone literário universal?



Essa é uma pergunta que já me fiz diversas vezes e, lendo a Introdução de The Short Oxford History of English Literature, de Andrew Sanders, me voltou à mente. Se prestarmos atenção, até olhando minhas últimas publicações neste blog, perceberemos que a grande maioria dos autores considerados canônicos são europeus, brancos e homens (é minha a tendência de priorizar as mulheres, mas não é o que acontece nos livros de estudos da literatura, principalmente nos mais antigos). Será essa uma coincidência? Certamente não! O cânone é estabelecido arbitrariamente por homens europeus, brancos e influenciadores, que representa as suas opiniões e crenças.



Por que sabemos muito pouco ou quase nada dos escritores africanos, sul-americanos, asiáticos ou do leste europeu? Não porque a sua produção literária é de má qualidade. É justamente porque não é do interesse dos grandes críticos destacarem as obras de uma "minoria". 

Há também escritores que hoje são aclamados, mas que em sua época não foram reconhecidos, só entraram para o cânone muito depois de sua morte. William Shakespeare, por exemplo, cujas peças em seu tempo eram vistas como populares e de linguagem vulgar, e hoje é o maior nome da Grande Literatura Universal, fonte das mais belas citações de língua inglesa. Paradoxal, não?


É de se pensar, não é mesmo? Por isso, mesmo que eu escreva aqui sobre os autores canônicos, eu acredito que há muito mais literatura de boa qualidade por aí, o que nos falta é o conhecimento. Se eu pudesse ler tudo o que me interessa e instiga, acho que nem um milhão de anos seria o suficiente.
Espero que esse texto os ajude a olhar de maneira diferente aos clássicos e aos "renegados" da literatura e confie em sua própria leitura para tirar quaisquer conclusões.

Um domingo de chuva é bom para fazer a gente pensar, não é? Bom restinho de final de semana e ótima segunda-feira!

Beijos,
Fernanda

12 comentários:

  1. Olá, boa noite!!
    AHHH o Sheakspare é bem vulgar mesmo com suas peças, não que sejam ruins, longe disso, são muito boas e profundas,mas ele fala bastante bobagem mesmo kkkkkkk
    em relação a semana da mulher literária, só tenho elogios, foi muio bom acompanhar e conhecer novas autoras, e agora voce levantou um ótimo ponto, e os autores negros e asiáticos da época? devem haver milhares deles e de qualidade, mas q não conhecemos por causa do racismo q de certa forma perdura até hoje.
    Voce me fez ficar curioso para saber mais sobre, mt bom o post, parabéns!!

    Gustavo Fraga http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  2. Boa abordagem!
    E concordo..há muita coisa por ai, mas quem sabe um dia esse conhecimento nao chegue a nos?

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  3. Oi, tudo bem?
    Nossa, adorei o seu texto e concordo em gênero, número e grau!
    Realmente essa é uma coisa que não paramos pra pensar muito, mas se formos parar pra analisar temos muito mais homens do que mulheres com livbros considerados clássicos né.. e mesmo essas mulheres tiveram que publicar seus livros com pseudônimos de homens..
    Enfim, nunca li muitos clássicos,mas a maior parte dos que quero ler são de europeus, hahaha; Nunca ouvi falar de um que não fosse, mas fiquei curiosa pra procurar agora.
    Adorei o seu post!
    Beijos
    www.romanceseleituras.com

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  4. Oi Fernanda,
    Seria bom que muita gente pensasse como você, desse valor à minoria. Temos muita coisa escondida por aí, pelo mundo, muita hstória boa, nova, mas que nós, reféns do seguro, do conhecido não deixamos entrar.
    Acho que são a minoria porque não procuramos saber, nos limitamos a pesquisar sempre pelo mesmo autor best-seller e viramos os olhos para outros países que não sejam EUA e Inglaterra, até autores Franceses crescem em pequena proporção por aqui. lamentável.
    Beijos
    Chrys Audi
    Blog Todas as coisas do meu mundo

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  5. Cara confesso que não sabia desse termo :) gostei!!!
    Tipo é bem verdade mesmo que muita gente só faz o sucesso depois do seu tempo, o que é de fato uma pena pq acho que mereceriam saber que suas obras ficaram bem conhecidas.
    Seguindo o Coelho Branco

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  6. Fernanda você já ouviu de uma escritora que leu 196 livros em um ano? Ela leu um livro de cada país, ela queria exatamente isso que você falou diversificar e sair do óbvio, achei incrível a idéia e ela disse que os próprios moradores de cada lugar ajudaram na missão, algumas tribos nem tinha nada escrito, só falado e fizeram questão de escrever para passar para ela, legal né? O nome dela é Ann Morgan e ela está para lançar um livro que se chama Reading the World: Confessions of a Literary Explorer. Eu estou numa missão haha vou para os estados unidos em maio, quero fuçar muito em sebos para achar autores que não são conhecidos :)

    PS: não conhecia o termo Cânone, fica o aprendizado =)

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    1. Correção: depois de comentar aqui fui fuçar porque tinha esquecido da autora, ela lançou já o livro em fevereiro =)

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  7. Olá, tudo bem?

    Essa coisa do cânone literário é algo que sempre me fez refletir. Eu particularmente adoro ler clássicos, mas não porque eles estão na lista dos "cânones da literatura" e sim porque os vejo como livros que ultrapassaram a sua época e continuam tendo sentido hoje, por exemplo: quantas mães não tiveram que entregar seus filhos por não terem como criá-los?! Várias, assim como a Fantine em Os Miseráveis. A meu ver os clássicos são obras atemporais, o que, claro, não excluí o fato de eles terem sido classificados por alguém como clássicos, como você disse.
    Creio que as literatura tidas como "marginais" ou "não clássicas" têm o seu valor e também devem ser lidas. Bjus!!!
    http://lendoaestante.blogspot.com.br/

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  8. Não conhecia o termo cânone...muito bom aprender.
    E com certeza há muitas obras de boa qualidade que ainda desconhecemos...
    bjs

    http://serieslivroseafins.blogspot.com.br/

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  9. Oi, Fernanda, até então eu nem sabia o que era Cânone. hahaha
    Vivendo e aprendendo, sempre!
    Mas Shakespeare realmente tem um toque de malicia em suas peças, não chego a dizer vulgaridade, nos dias de hoje, vulgar é outra coisa, né. Mas acredito que na época dele isso realmente deveria chocar bastante.

    Beijinhos
    Jaque - Meus Livros, Meu Mundo.

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  10. Sabe que eu sempre me perguntei isso também, de como um livro e não outro foi classificado como clássico da literatura ... adorei seu post! Eu sou mesmo dessas que fica com vergonha por não ter lido algo clássico quando mencionado em uma conversa (hahaha)

    xoxo
    http://www.amigadaleitora.com/

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  11. Olá :)
    Mulher, sua postagem me foi de muita utilidade. Estou estudando sobre clássicos na faculdade, mas abrangendo o lado brasileiro. É interessante essa forma de distinguir o que é clássico do que não, porque na verdade nem toda literatura antiga é clássica.
    realmente existem muitas obras desconhecidas, mas que são maravilhosas. Acho incrível como livros escritos em 1700/1800 fazem total parte do nosso cotidiano - digo na forma como os autores escreviam, seus medos e anseios - chega a ser estranho.
    Amei seu post como estou amando todos.

    Beijocas,
    http://www.segredosentreamigas.com.br/

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