segunda-feira, 16 de maio de 2016

"Pollyanna", Eleanor H. Porter

Bom dia, queridos leitores!


Estou devendo muitas resenhas para o blog, mas espero conseguir colocar tudo em dia aos poucos!


O post que trago hoje para vocês é resultado do desafio literário de maio, que consistiu em ler um livro escrito por uma mulher. Como expliquei no post dedicado ao desafio (quem quiser relê-lo pode acessá-lo aqui), achei esta uma ótima oportunidade para reler um livro que me encantou em minha infância. Na verdade, se não me engano, este foi o primeiro livro mais "longo" que li quando criança. Minha transição de livros infantis para livros infanto-juvenis.

O livro a que me refiro é o inigualável Pollyanna, clássico da literatura infanto-juvenil, de Eleanor H. Porter. Devo dizer que minha releitura do romance não afetou a marca que a primeira leitura havia deixado em mim mais de dez anos atrás. Pelo contrário, ainda intensificou esta impressão! Antes de mim, minha mãe já havia lido o romance quando era criança e havia se encantado. Foi ela quem me sugeriu a leitura deste clássico naquela época. E hoje, ela, também, releu o livro, e ambas estamos novamente apaixonadas pela doce Pollyanna.



Viajar pelos escritos de Eleanor H. Porter foi como viajar no tempo e me reencontrar com a minha infância. Pollyanna nos conta a história da meiga garota que dá nome ao livro, que, após a morte dos pais, vai morar com a sua tia Polly em uma enorme casa no campo. Tia Polly é uma mulher solteira e austera, que nunca se imaginou cuidando de uma criança. Porém, Pollyanna tem amigos na casa, como o jardineiro e a empregada Nancy, e logo faz amizade por todo o bairro.




Pollyanna é uma otimista incurável, e mesmo nos momentos mais difíceis, ela consegue reverter a situação, jogando o "jogo do contente", que havia aprendido com seu pai. O jogo consiste em sempre procurar o lado positivo de uma situação, mesmo que ela pareça não ter nenhum lado bom! Pollyanna vai disseminando sua alegria e seu jogo do contente por toda a vila, até Tia Polly se deixa contaminar. Porém, algo muito triste acontece a Pollyanna, e é hora de todos aqueles que a garota havia ajudado antes se mobilizarem para encorajar a pobre menina a jogar, ela mesma, o jogo do contente.


Eleanor H. Porter
Pollyanna foi publicado pela primeira vez em 1913, um ano antes de eclodir a Primeira Guerra Mundial, período em que crianças e adultos poderiam se apoiar em Pollyanna e seu jogo do contente para enfrentar as atrocidades da guerra. Eleanor H. Porter nasceu em 19 de dezembro de 1896 nos Estados Unidos, e morreu em 21 de maio de 1920, aos 51 anos. Eleanor foi cantora antes de se tornar escritora. Eleanor publicou diversos livros e contos, em especial romances infanto-juvenis. Sua principal e mais conhecida obra é Pollyanna (1913), mas também publicou outros livros de relativo sucesso, como Miss Billy (1911), A Decisão de Miss Billy (1912), Miss Billy Casada (1914) e a continuação de Pollyanna, Pollyanna Moça (1915). Eu comprei Pollyanna Moça em uma promoção recentemente e logo, logo pretendo ler o livro!

Pollyanna já foi adaptado para o cinema diversas vezes, entre as principais adaptações estão o filme mudo de 1920 com Mary Pickford como protagonista, a versão da Disney de 1960 com Hayley Mills como Pollyanna, e uma versão mais recente, de 2003, um filme para televisão com a atriz Georgina Terry no papel principal. Ainda não assisti nenhum desses filme, mas pretendo fazer uma maratona cinematográfica Pollyanna muito em breve!

Filme de 1920

Filme de 1960

Filme de 2003

Quem ainda não teve a oportunidade de ler este clássico da literatura infanto-juvenil, não perca mais tempo e deixe-se emocionar com a doce Pollyanna e seu jogo do contente. É uma leitura que te marcará para o resto da vida!

Uma ótima segunda-feira a todos, ótimas leituras e não esqueçam de praticar o jogo do contente!

Fernanda

segunda-feira, 2 de maio de 2016

"A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça", Washington Irving

Bom dia, queridos leitores!

Aproveitei a manhã livre de hoje para atualizar as minhas leituras aqui no blog! Hoje trago para vocês uma história clássica da literatura norte-americana, um dos primeiros contos fantásticos escritos nos Estados Unidos e que permanece assomando nossa imaginação até os dias de hoje! Trata-se de A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, de Washington Irving.

A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça é, na verdade, um conto. Porém, um conto longo e, por isso, considerado como novela por alguns estudiosos. Esta história foi publicada pela primeira vez em 1820 em uma coletânea de contos, juntamente com outros textos conhecidos de Irving, como Rip Van Winkle.

O enredo de A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça nos leva para o fim do século XVIII em uma vila chamada Sleepy Hollow, colonizada por holandeses, próxima ao vale do rio Hudson, nos Estados Unidos. Ao entrarem na vila, os viajantes sentiam uma espécie de torpor e sonolência, como se adentrassem uma atmosfera de sonho.



É a este local que Ichabod Crane chega. Um magro e desengonçado professor, que ficou responsável pela administração da escola local.

Lá ele conhece a bela Katrina van Tessel, filha do riquíssimo Baltus can Tessel, dono de uma enorme e próspera fazenda. Ichabod logo se apaixona por Katrina (e por sua herança!), porém sua amada também é cobiçada por Brom Bones, um valentão.

Em uma festa na casa dos van Tessel, Ichabod descobre a história que apavora os habitantes de Sleepy Hollow. Ao redor do fogo, ele escuta a lenda do temível cavaleiro sem cabeça, o fantasma de um soldado que perdeu sua cabeça durante a Guerra de Independência Americana.


Ichabod Crane
Tremendo de medo, Ichabod tem que passar pela floresta escura, que, dizem, é assombrada pelo cavaleiro sem cabeça, para chegar até a sua casa. A noite é escura e cheia de ruídos que gelam a espinha de Ichabod. Será que ele chegará a salvo em sua casa ou terá um encontro do qual ele não se esquecerá tão facilmente?

Cabe a você, leitor, ler esse fascinante conto de Irving e tirar suas próprias conclusões!

Washington Irving foi um dos primeiros escritores norte-americanos. Lembrando que ele nasceu em 1783, período em que os Estados Unidos ainda eram um novo país, recém independente da Inglaterra. Irving nasceu uma semana antes do cessar-fogo, que encerrou a Guerra de Independência Americana. Seu nome, Washington, foi escolhido por sua mãe como homenagem ao grande herói da independência dos Estados Unidos, George Washington. Mais tarde, Irving viria a escrever uma biografia em cinco volumes de George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos.


Washington Irving tornou-se inspiração para outros escritores americanos que vieram posteriormente, como Nathaniel Hawthorne, Herman Melville e Edgar Allan Poe. Além de A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, Irving também escreveu outros contos que merecem um espaço na sua lista de leituras.

Washington Irving
Em 1999, Tim Burton trouxe a lenda de Irving para as telas do cinema através de seu filme com Johnny Depp e Christina Ricci. Nesta adaptação, Ichabod (Johnny Depp) é um detetive racionalista de Nova York que é enviado a Sleepy Hollow para desvendar assassinatos misteriosos. A população da vila acredita que os assassinatos são obras do cavaleiro sem cabeça. Ichabod, cético, descarta essa possibilidade veementemente. A princípio.

Desde 2013, a Fox tem exibido uma série de televisão, chamada Sleepy Hollow, baseada no conto de Irving. A série está disponível na Netflix, mas eu ainda não tive tempo de conferi-la, mas ela já está na minha looonga fila! A série já conta com três temporadas e conta com vários seguidores.

Tanto o filme de Burton como a série televisiva da Fox só comprovam o fato de a história de Irving ser universal e atemporal. Mesmo hoje, quase duzentos anos depois, a lenda do cavaleiro sem cabeça continua a nos arrepiar os cabelos!

Filme de Tim Burton de 1999

Série da Fox de 2013

Uma ótima semana a todos e ótimas leituras!

Fernanda

domingo, 1 de maio de 2016

Calendário Literário - Maio

Bom dia, queridos leitores!

Mais um mês se inicia e é hora de enfrentar mais um desafio literário!
Para quem perdeu os posts anteriores, eu estou seguindo o Calendário Literário criado por Vitor Martins. A cada mês, há um novo desafio literário a ser cumprido. Eu estou gostando muito de participar desse projeto, porque, dessa maneira, acabo variando mais o meu rol de leituras. Como estudo literatura inglesa no mestrado, acabo lendo mais livros escritos por autores de língua inglesa e, com o Calendário Literário, estou expandindo as minhas leituras e saindo da minha zona de conforto, além de retomar aqueles livros que estão há tempo nas minhas prateleiras esperando para serem lidos!


Quem tiver interesse em conferir o Calendário Literário criado por Vitor Martins pode acessá-lo clicando aqui.



O primeiro desafio do ano, o do mês de janeiro, foi iniciar uma série ou trilogia de livros. Eu aproveitei o embalo para começar a leitura de uma série que estava há muito na minha estante. Além disso, estava acompanhando a série de televisão e, por isso, fiquei ainda mais animada a ler: A Guerra dos Tronos, de George Martin. Comecei o ano com uma ótima escolha literária!





Em fevereiro, o desafio foi ler um livro que havia sido adaptado para o cinema. Havia tantas opções! Mas, como um amigo meu me havia emprestado o livro Carol, que estava concorrendo a diversas categorias no Oscar, aproveitei a oportunidade para lê-lo. Agora ainda me falta assistir ao filme! Mas devo assisti-lo em breve!




Em março, o desafio foi ler um livro escrito por uma mulher. Belo desafio! Valorizo muito a escrita de mulheres e muitos dos meus escritores preferidos são mulheres: Jane Austen, Elizabeth Gaskell, J. K. Rowling, Mary Shelley... Para o desafio, escolhi ler, ou melhor reler, Pollyanna. Este foi o primeiro livro mais  longo que li quando era criança e lembro que esta leitura havia me marcou muito! Foi um grande prazer relembrar a minha infância através dessa inesquecível personagem.





Para o mês de abril, mês de comemoração do descobrimento do Brasil, o desafio foi ler um autor nacional. Eu adorei este desafio, pois, como disse anteriormente, leio muitos autores de língua inglesa e acabo não tendo muito contato com a literatura nacional. Para este desafio, escolhi ler O Cortiço, de Aluísio de Azevedo. Confesso que ainda não terminei a leitura, mas assim que terminá-la procuro um tempinho para escrever aqui as minhas reflexões sobre o livro.



E o desafio literário do mês de maio é... ler um livro infantil!

Eu sou apaixonada por literatura infanto-juvenil e escolhi para este desafio a leitura de uma história que me fascinava quando criança. Eu nunca li o livro, mas já assisti ao filme diversas vezes, e anos atrás minha irmã e eu brincávamos de Mary Lennox a procura de um local secreto. Já adivinharam qual é o livro a que me refiro? É The Secret Garden, de Frances Hodgson Burnett. Comprei este livro há um tempo e tenho certeza de que irei me encantar com a leitura do livro assim como me encantei com o filme. Aliás, foi O Jardim Secreto que me inspirou a escrever minhas primeiras histórias.



O desafio literário de maio será, certamente, inesquecível!
É claro que, além das leituras dos desafios literários, eu também leio outros livros. Por exemplo, no momento também estou lendo o volume 2 de "As Crônicas de Gelo e Fogo": A Fúria dos Reis, mas este é um tema para outro post!

E você, qual livro infantil vai ler durante o mês de maio?

Um ótimo mês a todos, ótimas leituras e nos encontramos no jardim secreto!

Fernanda

sábado, 23 de abril de 2016

Soneto I, William Shakespeare

Bom dia, queridos leitores!

Há muitos dias não escrevo aqui! Meu tempo livre anda escasso ultimamente (finalização da minha Especialização, segunda fase do mestrado, estágio docente e projetos literários...!), portanto não tenho tido tempo para atualizar o blog, embora já tenha feito várias leituras interessantes, que ainda serão comentadas por aqui!

Stratford-upon-Avon
Contudo, hoje não poderia deixar de encontrar um tempinho para prestar uma homenagem a um dos maiores escritores de todos os tempos. Hoje, 23 de abril, dia de nascimento e morte de William Shakespeare. Em 2016 comemoramos 400 anos da morte do Bardo e por todo o mundo hoje ocorrem celebrações para homenageá-lo. Em Stratford-upon-Avon, sua cidade natal na Inglaterra, hoje ocorreu um desfile pela manhã com atores shakespearianos que terminou no local onde Shakespeare está enterrado. Na cidade de Shakespeare, hoje ainda haverá fogos de artifício, bailes, apresentações teatrais e outras surpresas.


Desfile em Stratford-upon-Avon

Celebrações em Stratford-upon-Avon


































Globe Theatre em Londres
Em Londres, local onde Shakespeare passou a maior parte de sua vida e onde escreveu e encenou as suas peças, o teatro Globe Theatre - réplica do teatro utilizado por Shakespeare no início do século XVII que, infelizmente, pegou fogo - apresenta uma encenação de Hamlet e telões foram instalados ao longo do rio Tâmisa para a exibição de 37 curta-metragens, uma para cada peça de Shakespeare. Até Barack Obama visitou o Globe nesta semana e se encantou com a experiência!







No Brasil, o British Council programou ações para o ano inteiro, como debates, palestras e a Casa Shakespeare na Flip, Festa Literária de Paraty, neste ano.



Não importa o local do mundo, hoje todos celebramos o legado deste fantástico e universal escritor!

Para homenageá-lo aqui no blog, trago para vocês o Soneto I, o primeiro de seus 154 poemas escritos ao longo de sua trajetória literária e publicados pela primeira vez em 1609. Os sete primeiros sonetos de Shakespeare são dirigidos a um amante anônimo, provavelmente um jovem rapaz caracterizado como Fair Youth. Este poema já apresenta inúmeros temas e metáforas que serão recorrentes em outros poemas do Bardo.

Sonnet I

From fairest creatures we desire increase,
That thereby beauty's rose might never die,
But as the riper should by time decease,
His tender heir might bear his memory:
But thou, contracted to thine own bright eyes,
Feed'st thy light's flame with self-substantial fuel,
Making a famine where abundance lies,
Thyself thy foe, to thy sweet self too cruel.
Thou that art now the world's fresh ornament
And only herald to the gaudy spring,
Within thine own bud buriest thy content
And, tender churl, makest waste in niggarding.
    Pity the world, or else this glutton be,
    To eat the world's due, by the grave and thee.


Soneto I

Em tudo o que há mais belo, a rosa da beleza
Se nos impõe, gerando o anseio de aumentá-la,
E, entre os seres mortais, a própria natureza
Ao herdeiro confere o dom de eternizá-la

Mas tu, assim concentrado em teu olhar brilhante,
Sem o alento de outra alma, a que a tua dê abrigo,
Cheio de amor, negando amor a todo instante,
De ti mesmo e do teu encanto és inimigo.
Tu, agora, esplendoroso ornamento do mundo
E arauto singular de alegre primavera,
Tu, botão, dentro em ti sepultas, infecundo,
Teu gozo e te destróis, poupando o que exubera.
Faze prole, ou, glutão, em ti e na sepultura,
Virá a tragar o mundo a tua formosura.
(Tradução de Jerônimo Aquino)


Shakespeare rompe com a tradição de sonetos estabelecida pelo poeta italiano Petrarca e outros poetas renascentistas, que tinha como estrutura 14 versos divididos em duas estrofes: uma oitava (oito versos) seguida por uma sextilha (seis versos). A estrutura dos sonetos de Shakespeare, que viria a ser conhecida como soneto shakespeariano ou soneto inglês, é composta por 14 versos divididos em três quartetos (quatro versos) seguidos por um dístico (dois versos).

O eu-lírico do Soneto I encoraja o leitor a procriar para eternizar a beleza da natureza. O relutante amante, que não quer produzir um herdeiro, é criticado pelo eu-lírico que lhe diz que sua formosura desaparecerá na sepultura se o seu amante não procriar.


Este é o primeiro de 154 sonetos escritos por Shakespeare. Aproveite o dia de hoje para homenagear a sua memória lendo estes belos poemas!

Feliz 23 de abril!
Feliz Shakespeare's Day!

Fernanda

terça-feira, 5 de abril de 2016

Calendário Literário - Abril

Olá, queridos leitores!


Que correria! E só estamos no mês de abril! Imagina quando o mês de junho chegar e, com ele, o final do semestre! Mas, aos poucos, conseguimos colocar tudo em ordem!

Com o mês de abril chega também mais um desafio literário! Lembram do nosso calendário literário? Quem perdeu este post, pode acessá-lo clicando aqui.

Eu estou adorando participar deste desafio anual, pois, dessa forma, acabo lendo livros que, não fosse o desafio, eu provavelmente deixaria para ler em outro momento. É uma ótima forma de variar a nossa leitura e de sair de nossa zona de conforto literária!

O desafio para o mês de abril é:

Leia um livro nacional!





Este é um ótimo desafio, pois há muitos autores brasileiros na minha estante esperando para serem lidos e eu tendo sempre a escolher autores estrangeiros, principalmente do eixo Inglaterra-EUA (Eu sei, é péssimo! Eu, assim como muitos brasileiros, preciso valorizar a nossa literatura nacional, que abrange tantos autores e títulos fantásticos!). Escolhi para este mês a leitura de "O Cortiço", de Aluísio de Azevedo. um romance naturalista publicado em 1890 e que critica as más condições dos moradores de cortiços no Rio de Janeiro. Eu sou fascinada por histórias que se passam no Rio de Janeiro de fins de século XIX e já ouvi e li muitas críticas boas a respeito deste livro, que é um clássico da literatura brasileira. Portanto, esta é a minha leitura escolhida para abril!


Assim que eu terminar a minha leitura, eu trago as minhas impressões para vocês!

Que venha o mês de abril e viva a literatura brasileira!

Um abraço,

Fernanda

quinta-feira, 31 de março de 2016

"Wolf Hall", Hilary Mantel

Boa noite, queridos leitores!

Hoje escrevo à noite porque meus dias andam muito ocupados, principalmente agora durante o período de escrita da minha dissertação de mestrado.

No entanto, terminei a leitura de "Wolf Hall" esta semana e queria escrever sobre as minhas impressões sobre esta leitura o quanto antes, enquanto elas ainda estão frescas na minha memória.

Como muitos de vocês sabem, eu sou apaixonada por história e por romances históricos. E, desde que que terminei de assistir à maravilhosa série de televisão The Tudors, me apaixonei pelo período de reinado de Henrique VIII, suas turbulentas relações com suas seis mulheres e o momento de rompimento da Inglaterra com a Igreja Católica e conseguinte criação da Igreja Anglicana.

Uma colega minha do mestrado, sabendo desta minha paixão pelos Tudors, me emprestou o livro "Wolf Hall", escrito pela inglesa Hilary Mantel e vencedor do Man Booker Prize de 2009. O subtítulo da versão em português diz: "Um romance da era Tudor". Pronto, já me interessei.

Ao contrário da série The Tudors, o livro "Wolf Hall" acompanha outro personagem muito influente durante esta época: Thomas Cromwell, que, astuto e muito inteligente, passou de filho de ferreiro e advogado e, mais tarde, a um dos principais conselheiros do Rei Henrique VIII. É interessante ressaltar que tal ascensão social era praticamente impossível na Inglaterra do século XVI.

A escritora inglesa Hilary Mantel

Cromwell é um personagem muito interessante (tanto historicamente, como nesta ficção de Mantel). "Wolf Hall" nos é contado através de sua perspectiva. Por isso, no início, o leitor pode ser perder um pouco com a constante utilização do discurso indireto livre, que coloca as impressões do próprio Cromwell no meio de diálogos, descrições, etc. Mas, depois que o leitor se acostuma com o estilo de Mantel, a leitura flui muito bem.
Thomas Cromwell

"Wolf Hall" é o primeiro volume da trilogia de  Mantel sobre Cromwell. Neste volume, acompanhamos a ascensão do filho de ferreiro na corte de Henrique VIII, seu trabalho servindo o Cardeal Wolsey até a sua morte, o preconceito sentido por Cromwell por não ser descente de nobreza e as suas artimanhas para conquistar seu lugar ao lado do rei. Enfim, Cromwell consegue o que ninguém antes dele havia conseguido, nem mesmo Wolsey: o divórcio de Henrique VIII de Catarina de Aragão para que o rei pudesse se casar com Ana Bolena.

Henrique VIII
Neste primeiro volume da saga, acompanhamos o rompimento de Henrique VIII com a Igreja Católica por não apoiar o seu divórcio e novo casamento, o nascimento da princesa Elizabeth e a perda do segundo bebê de Ana Bolena. Ao final deste livro, acompanhamos Cromwell em julho de 1535 fazendo os preparativos para uma viagem do rei e sua corte. Eles irão visitar grande parte do país até o início de outubro. Justamente nos últimos parágrafos, Cromwell afirma que eles provavelmente farão uma parada em Wolf Hall para visitar a família Seymour. É aí que o primeiro volume termina e aguça a curiosidade do leitor, que já sabe que o rei provavelmente encontrará Jane Seymour durante esta visita, que viria, mais tarde, a se tornar a sua terceira esposa.


O segundo volume da trilogia Cromwell foi lançado na Inglaterra em 2012 sob o título Bring up the Bodies. traduzido para o português como O Livro negro, mas que ainda não chegou às livrarias brasileiras. O terceiro volume, The Mirror and the Light está em andamento.


Em janeiro de 2015, a BBC levou ao ar uma minissérie em seis capítulos baseada nos dois primeiros romances da trilogia Cromwell de Hilary Mantel, intitulada Wolf Hall, disponível no Netflix. Agora que terminei de ler o primeiro livro, já coloquei a série na minha fila (enorme, por sinal) da Netflix. Pretendo assisti-la antes de iniciar a leitura do segundo volume da saga.


"Wolf Hall" foi uma grande surpresa para mim, pois, além de envolver o leitor, ainda oferece bastante informação sobre o período do fim do primeiro casamento de Henrique VIII e do início do seu segundo casamento. É verdade que quem não tem conhecimento algum da história pode ficar perdido com o vasto número de nomes de personagens e lugares. Portanto, para quem tiver interesse em ler "Wolf Hall", eu recomendo que assista antes a série The Tudors. Um irá complementar o outro e ambos oferecerão uma incrível jornada à Inglaterra do século XVI.

Uma ótima noite a todos, ótimas leituras e até a próxima!

Fernanda

terça-feira, 29 de março de 2016

Festival de Teatro de Curitiba - "Medida por Medida"

Bom dia, queridos leitores!

Hoje trago mais informações sobre o Festival de Teatro de Curitiba, que ainda está acontecendo. Para os fãs de Shakespeare, o festival tem sido maravilhoso! Além do mini-curso "Shakespeare 400 anos" e da peça "Macbeth", pude assistir, também, a uma produção da comédia "Medida por Medida".

Confesso que não sabia muita coisa sobre essa peça antes, por isso as discussões no mini-curso e a palestra da Prof. Liana de Camargo Leão sobre esta peça foram fundamentais para o meu proveito de "Medida por Medida".

Esta não é uma das comédias mais conhecidas de Shakespeare, mas, mesmo mais de 400 anos depois, permanece atual. Ela trata de ambição e do que o poder nos leva a fazer. Um dos personagens indaga: "É o homem que muda o poder? Ou o poder muda o homem?".

Nesta trama, o Duque de Viena decide passar um tempo fora de sua cidade e deixa Ângelo, um homem íntegro e conhecido por sua honestidade, para ficar no comando durante a sua ausência. Porém, na verdade, o Duque não deixa Viena, mas permanece na cidade disfarçado de frade para averiguar como as coisas se sairiam durante este período.

Luisa Thiré como Isabela e Marco Antônio Pâmio como o Duque disfarçado de frade

Decidido a fazer valer as mais rígidas leis, Ângelo decide condenar todos que tiverem relações sexuais fora do casamento. Por isso, ele condena Claudio à morte, um jovem que engravidou sua noiva Julieta. Claudio é um bom rapaz e todos sentem que deva ser ele a morrer enquanto há tantos outros depravados na cidade que permaneceram impunes por tantos anos. Isabela, a irmã de Claudio que está prestes a se tornar uma freira, vai até Ângelo para suplicar pela vida de seu irmão. O que Ângelo não esperava era que ele se apaixonaria instantaneamente pela noviça. Agora, seus desejos carnais o levam a tramar justamente aquilo que ele mais condena na sociedade. Será Ângelo capaz de domar seus desejos, permanecer íntegro e manter a ética de seu trabalho?


Os personagens Ângelo, Lúcio e o Duque
Nesta produção dirigida por Ron Daniels - mesmo diretor de "Macbeth" e com o mesmo elenco -, Thiago Lacerda faz o papel de Ângelo, Marco Antônio Pâmio interpreta o Duque de Viena e Luisa Thiré faz o papel da inocente Isabela.

Ron Daniels preferiu trazer a trama de Shakespeare para uma atmosfera mais moderna e mais brasileira. Um dos personagens, Lúcio, por exemplo, usa salto alto vermelho; e Pompeu é um típico malandro bem carioca. Estas escolhas são válidas para trazer a peça de 1604 para mais perto do público brasileiro de 2016. Mesmo causando estranheza no início, por fim achei a produção final muito interessante.


A noviça Isabela com seu irmão Claudio

Giulia Gam como Madame Bem Passada e Pompeu


A equipe de Daniels já passou por várias cidades brasileiras encenando o Repertório Shakespeare, que consiste nas peças "Macbeth" e "Medida por Medida" e continuarão em turnê por mais algum tempo. Não deixem de prestigiar essas grandes produções brasileiras!

Uma ótima semana a todos!

Fernanda