terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Retrospectiva Literária - 2016

Boa noite, queridos leitores!

O ano de 2017 já está a todo vapor, mas ainda há tempo de olhar para as leituras de 2016 e montar a nossa retrospectiva literária do ano que já passou! Ao retomar minhas leituras, percebi que li muitos livros obrigatórios para a universidade (que também são prazerosos!), mas poucos livros de minha própria escolha! Por isso, neste ano decidi dar mais espaço aos livros que escolho ao passar por uma livraria ou ao navegar em um site, como dicas de blogs de literatura ou sites de venda de livros. Afinal, não há nada melhor do que sair de uma livraria com um livro novo e ir para casa para lê-lo imediatamente! Normalmente, os livros que compro vão para o final da minha lista de leitura e acabam não sendo lidos por muuuuito tempo! Está na hora de bagunçar essa lista e rever minhas prioridades!

De qualquer maneira, o ano de 2016 trouxe muitas surpresas literárias agradáveis. Trago para vocês, então, os dez livros que mais me encantaram ou chamaram minha atenção no ano passado:


Em décimo lugar, escolhi Ligações Perigosas, do francês Choderlos de Laclos. Publicado em 1782, poucos anos antes da eclosão da Revolução Francesa, este livro composto unicamente por cartas retrata a já em decadência elite francesa do século XVIII, seus luxos, vícios e tramas amorosas. O romance epistolar foi adaptado para a televisão em uma minissérie da Rede Globo que a reconstrói no Brasil da década de 1920 com Selton Mello no papel de Valmont.
Eu simplesmente me encantei com a minissérie, que me levou a ler o livro. Confesso que a leitura pode se tornar um pouco maçante pelo fato de a trama se desenrolar totalmente através de cartas, mas o enredo vale a pena, ainda mais se levarmos em consideração o contexto de produção da obra!

Para quem perdeu a resenha, ela pode ser acessada aqui.



Para a nona colocação, escolhi O Cortiço, de Aluísio Azevedo. De vez em quando gosto de ler literatura brasileira, principalmente do século XIX, para ser transportada ao Brasil de outrora e me imaginar naquele tempo. O Cortiço me proporcionou isso! Publicado em 1890, o romance - inspirado pelo movimento realista na França - nos leva para o Rio de Janeiro de fin-de-siècle e nos apresenta aos diversos personagens que moravam no cortiço em uma zona menos favorecida da cidade. O leitor mergulha de cabeça nas fofocas do cortiço e nas relações dos personagens. Uma experiência de leitura única!

A resenha pode ser acessada aqui.



Confissões de um Pecador Justificado, de James Hogg, é a minha escolha para a oitava colocação. Esta foi uma das leituras obrigatórias para o meu curso "Transformação Góticas". Não conhecia o trabalho de Hogg e me surpreendi com esse romance perturbador. Publicado em 1824, este romance da literatura escocesa é dividido em duas partes. A primeira parte é escrita pelo editor, que reconta a sua versão da história em terceira pessoa, e a segunda parte é escrita pelo próprio pecador em primeira pessoa, que confessa seus crimes odiosos, principalmente contra o seu meio-irmão, e sua relação com um ser maligno. 

Eu ainda não tive tempo de escrever sobre esta obra aqui no blog, mas em breve compartilharei com vocês mais detalhes desta história sombria. Aguardem!


Em sétimo lugar, selecionei uma das grandes surpresas de 2016: O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams. Por muito tempo olhei para esta série de livros com desconfiança. Sabia que muitas pessoas são fãs das histórias de Adams, mas tinha a sensação de que não iria gostar da leitura. Por fim, comprei o primeiro volume em uma promoção e o trouxe para a Holanda na minha viagem em setembro para completar uma desafio literário, que era ler um livro de ficção científica. Eis que me juntei ao Clube do Livro da Universidade de Leiden, onde estudo, e o livro escolhido como primeira leitura do clube foi qual? Este mesmo, O Guia do Mochileiro das Galáxias! Sabia que era hora de ler o livro, já havia recebido sinais demais! E me surpreendi muito! Me diverti demais com os personagens e com a absurdidade da narrativa. Estou ansiosa para ler os próximos livros da série!

Ainda não escrevi a resenha deste livro, mas a farei assim que possível! Neste ínterim, não deixem de ler o livro!



Na sexta posição está A Filha da Feiticeira, de Paula Brackston. Eu sou apaixonada por histórias de bruxos, desde Harry Potter à Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira. Histórias envoltas por magia me fascinam desde criança, e o livro de Brackston me encantou ainda mais por mesclar duas narrativas: uma em 2007 e a outra em 1628. De uma maneira, as duas narrativas se encontram no final. É uma leitura rápida, prazerosa e mágica!

Para quem quiser reler a resenha, ela pode ser acessada aqui.



Em quinto lugar, escolhi A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, de Washington Irving. Esta não foi a primeira vez em que li a novela de Irving. No início de 2016, ministrei aulas durante o estágio docente na UFSC na disciplina da "Literatura e Cinema" para o curso de Letras, e esta foi uma das leituras escolhidas por mim para discussão em sala, além do filme estrelado por Johnny Depp. Este conto é simplesmente fantástico (nos dois sentidos da palavra!) e me cativou ainda mais durante essa segunda leitura. A história do professor que chega a Sleepy Hollow e enfrenta o mistério do cavaleiro sem cabeça vai te encantar (e arrepiar!) também!

Para a resenha, clique aqui.



Em quarto lugar está Pollyanna, de Eleanor H. Porter. Esta tampouco é a primeira vez que leio Pollyanna. O ano de 2016 teve algumas releituras. Não é algo que faço com frequência, mas é interessante verificar como a sua percepção de certa obra muda (ou não) com o tempo, já que você como pessoa já não é mais a mesma. Pollyanna foi um dos primeiros livros que li e me lembrava de que o romance tinha me marcado bastante, porém recordava muito pouco do enredo. Normalmente, as sensações durante a leitura marcam mais do que a trama em si. Esta segunda leitura refrescou os detalhes em minha mente e me emocionou mais uma vez. São poucos os livros que me fazem chorar, mas Pollyanna foi um desses.

Para acessar a resenha, clique aqui.



Chegando ao pódio literário, em terceiro lugar escolhi Inferno, de Dan Brown. Eu sou fã de Dan Brown e de seus romances sensacionalistas que combinam história, suspense e o desvendar de mensagens secretas. Desde O Código da Vinci tenho me fascinado com a habilidade de Brown de escrever romances tão envolventes. Ao saber que a adaptação cinematográfica de Inferno estava a caminho, resolvi ler o livro, e não me decepcionei com esta nova aventura de Robert Langdon, que está em Florença para desvendar um mistério por trás de A Divida Comédia, de Dante Alighieri, e salvar o mundo de um vírus terrível!

Ainda não tive tempo de escrever sobre esta aventura de Dan Brown aqui no blog, mas pretendo compartilhar mais detalhes das minha impressões por aqui logo, logo!



Em segundo lugar, escolhi a fantástica saga A Guerra dos Tronos. Simplesmente apaixonada pela série da HBO, iniciei neste ano a leitura dos livros de George Martin, que deram origem à série. Em 2016, li os dois primeiros volumes. Mesmo sendo livros grossos, a leitura é tão envolvente que as páginas acabam não sendo suficientes! Ainda bem que ainda tenho mais três livros (por enquanto, até a publicação dos sexto e sétimo volumes!) para me transportar para o universo pseudo-medieval de Westeros!

Para a resenha do primeiro volume da saga, clique aqui.



E, finalmente, o troféu de ouro de 2016 vai para outra grande surpresa: Sociedade dos Meninos Gênios, de Lev AC Rosen. Este foi um livro que havia me chamado a atenção pela capa em uma livraria e pelo fato de a trama se passar na Inglaterra Vitoriana, meu período histórico preferido! Além disso, o livro faz referências textuais a Shakespeare e Oscar Wilde! Violent Adams é uma garota que deve se passar por um menino (olha Shakespeare e Noite de Reis aí!!) para entrar em uma prestigiosa escola de Londres, onde ela prova ser mais inteligente do que a maioria dos garotos.
Esta é uma leitura cativante! Violet é uma ótima personagem, Rosen descreve o seu mundo com perspicácia, além de criticar o papel relegado à mulher na Inglaterra do século XIX.

Ainda não tive tempo para escrever sobre este livro maravilhoso aqui no blog, mas o menciono rapidinho no post referente ao calendário literário do mês de julho de 2016, que pode ser acessado aqui.


Aí estão as minhas leituras preferidas de 2016! Espero que vocês tenham gostado e vamos fazer de 2017 um ano de leituras ainda mais espetacular!

Um ano novo maravilhoso a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

"Morte na Cidade Flutuante", Tasha Alexander

Boa noite, queridos leitores!

Hoje venho compartilhar com vocês a minha primeira leitura do ano de 2017, que, por sinal, terminei há apenas alguns minutos! Ainda estou completamente envolvida com essa leitura maravilhosa, não poderia ter começado o ano de maneira melhor, literariamente falando!

Como escrevi no post anterior, passei a virada do ano em Veneza, cidade fantástica! Suas ruelas, canais, gondoleiros e máscaras são uma boa inspiração para ótimas histórias. Aliás, até escrevi um conto depois da viagem de tão envolvida que fiquei com a cidade e sua magia! Mas este é um assunto para outro post!

Veneza À noite

Em minha visita ao Palácio Ducal em Veneza - um edifício sensacional de arquitetura gótica, sede do poder da República de Veneza, e construído em 1309 e 1424 - fiz uma parada na loja do museu ao final da visita. Eu simplesmente amo lojas de museu, pois ali você pode encontrar livros que não encontraria com facilidade em livrarias comuns! Com o intuito de escolher uma leitura através da qual eu pudesse me imergir na história de Veneza, comprei dois títulos: The Aspern Papers (1888), escrito por Henry James, um dos meus escritores preferidos, e Death in the Floating City (2012), de Tasha Alexander. Confesso que nunca havia ouvido falar sobre esta escritora, mas me deixei levar pela capa e sinopse do livro: um romance policial em Veneza envolvendo um manuscrito do século XV e Lady Emily como investigadora. Me conquistou na hora!


Palácio Ducal em Veneza

Voltei para o hotel e iniciei a leitura de imediato. Depois de tantas leituras pesadas durante o semestre de mestrado em estudos literários, estava realmente precisando de uma leitura leve e envolvente, e Tasha Alexander me proporcionou justamente isso!

Lady Emily e seu marido Colin Hargreaves são chamados a Veneza pela inimiga de infância de Emily, Emma, para resolver o assassinato do seu sogro. As duas têm que superar a inimizade do passado para resolverem este mistério juntas. O que Emily não esperava, mas acaba tornando a investigação ainda mais curiosa, é que o assassinato do Signor Barozzi pode estar relacionado a uma triste história de amor relatada por um manuscrito preservado do século XV.

Os capítulos do livro são intercalados entre o presente e um trecho do manuscrito, fazendo com que o próprio leitor junte as peças do quebra-cabeça e relacione informações do passado com os eventos do presente.

As investigações levam Lady Emily pelos canais e ruelas de Veneza com a ajuda de Signor Caravello e sua filha Donata, donos de uma livraria e dotados de uma inteligência excepcional.

Death in the Floating City, ou Morte na Cidade Flutuante se fosse traduzido literalmente, ainda não foi traduzido para o português. Este é o sétimos volume da saga de mistérios investigados por Lady Emily. Eu estou muito curiosa para ler os outros romances da saga - eles não são continuação uns dos outros necessariamente e podem ser lidos separadamente - e já encomendei o primeiro livro, intitulado And Only to Deceive (2005), que se passa em Londres! Os outros volumes da saga são, cronologicamente: A Poisoned Season (2007), A Fatal Waltz (2008), Tears of Pearl (2009). Dangerous to Know (2010), A Crimson Warning (2010), Death in the Floating City (2012), Behind the Shattered Glass (2013), The Counterfeit Heiress (2014), Star of the East (2014), The Adventuress (2015), That Silent Night (2015) e A Terrible Beauty (2016).

Esta coleção de livros foi escrita por Tasha Alexander, norte-americana nascida em 1 de dezembro de 1969. Ela estudou Inglês e Estudos Medievais na Universidade de Notre Dame. Além as saga de mistérios da Lady Emily, Tasha também escreveu Elizabeth: the Golden Age (2007), baseado no filme de mesmo nome dirigido por Shekhar Kapur, também em 2007.

Tasha Alexander

Death in the Floating City foi uma deliciosa surpresa! Estou ansiosa para ler mais mistérios de Lady Emily!

Uma ótima noite a todos e ótimas leituras!

Fernanda

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

"Zona Morta", Stephen King

Boa noite, queridos leitores!

Primeiramente, feliz ano novo! Espero que 2017 seja repleto de realizações, experiências maravilhosas e leituras inesquecíveis!
Eu inicio o novo ano em grande estilo, escrevendo de Veneza, na Itália! Cidade dos sonhos, que inspirou diversas histórias, incluindo a minha leitura atual, mas este é um assunto para outro post!

O meu primeiro post de 2017 é sobre a minha última leitura de 2016: A Zona Morta, ou The Dead Zone no original, de Stephen King. Esta foi uma leitura obrigatória para um curso que fiz neste último semestre intitulado "Gothic Transformations" durante o meu Research Master in Literary Studies na Universidade de Leiden na Holanda. Este curso foi sensacional e me rendeu ótimas leituras, sobre as quais ainda não tive tempo de escrever aqui no blog. Porém, como tenho um período sem aulas agora, poderei dedicar mais tempo a escrever por aqui!

Stephen King já estava na minha lista de leituras há muito tempo. Tenho o primeiro livro da saga A Torre Negra em casa (que, por sinal, vai virar filme este ano!), mas nunca tive a oportunidade/iniciativa de começar a ler. Nunca imaginei que minha iniciação a Stephen King seria com Zona Morta, mas foi uma boa leitura.

Confesso que esperava mais de King! O livro se arrasta por mais de 580 páginas quando, na minha opinião, a história poderia ter se desenrolado em muito menos. A premissa do livro é bem interessante (e bem "Kingiana"): um jovem professor de inglês sofre um acidente de carro que o deixa em coma por quatro anos e meio. Ninguém esperava sua recuperação, mas eis que ele acorda todo esse tempo depois. Além de lidar com o fato de que quatro anos e meio da sua vida foram "desperdiçados" (muitas coisas mudaram durante este período, tanto na esfera política mundial como na sua esfera familiar), John Smith percebe que voltou à vida com um dom - ou maldição - de perceber o futuro.

Ao tocar a mão de um candidato à Câmara dos Representantes nos Estados Unidos, John sente uma premonição horrível. O que Johnny sente, eu não vou revelar! Você, leitor, terá que ler para descobrir! Você também deverá ler esse romance de King para descobrir como e se Johnny decide agir para modificar o futuro.


De uma maneira geral, a leitura foi prazerosa. Um tanto arrastada, mas definitivamente positiva. Fiquei curiosa para ler outros livros de King. Já que o autor é tão adorado por tantos fãs, deve haver algo de especial na sua escrita, não acham? Eu estou disposta a procurar mais a fundo!

Zona Morta foi publicado pela primeira vez em 1979. Mesmo tendo chegado às livrarias quase quarenta anos atrás, este livro ainda permanece muito atual! Principalmente dadas as circunstâncias políticas atuais! Quais as consequências de grandes poderes nas mãos de um só indivíduo?

Filme de 1983
Em 1983, quatro anos depois da data de publicação, o livro foi adaptado para o cinema com direção de David Cronenberg e Christopher Walken no papel de John Smith. Gosto muito de Walken como ator, mas ele não me convenceu como Johnny. Devido às proporções do livro de King, a adaptação teve que cortar certas partes do livro, inevitavelmente, incluindo as cenas de Johnny e Sarah no parque de diversões. Esta decisão me desapontou, pois, a meu ver, é uma das partes mais interessantes da trama! De qualquer forma, o filme vale a pena ser visto, principalmente por quem leu a história de King!

Este livro também foi adaptado para uma série de televisão em 2002 com Anthony Michael Hall como Johnny. A série foi ao ar por seis temporadas e teve 80 episódios ao total. Eu ainda não tive a oportunidade de assistir a série, mas estou curiosa para conferir o resultado!

Série de televisão baseada no livro de King

Stephen King, autor de Zona Morta, nasceu em 21 de setembro de 1947 e está atualmente com 69 anos. King é um autor super prolixo, já escreveu 54 livros e mais de duzentos contos! Seus livros já venderam mais de 350 milhões de cópias no mundo todo, sendo um dos escritores mais bem-sucedidos da atualidade. Sua escrita tem atraído milhões de fãs e por isso sempre tive curiosidade de ler suas obras. Zona Morta foi só um aperitivo, espero ler mais de King nos próximos anos!

Stephen King

Uma ótima semana e ótimo início de todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

domingo, 4 de dezembro de 2016

"A Rainha de Provence", Jean Plaidy

Boa noite, queridos leitores!

Eu sei que tenho estado longe do blog há muito tempo, muitas vezes pensei em comentários e reflexões literárias para postar por aqui, mas infelizmente não tenho tido tempo. No final de agosto me mudei para Leiden, uma cidade na Holanda, pois recebi uma bolsa de estudos para fazer um curso de Research Master em Estudos Literários na Universidade de Leiden. Tenho lido e aprendido tanta coisa! Espero ainda poder compartilhar com vocês este aprendizado por aqui! Porém, como a carga de leitura, escrita e trabalho na universidade é muito grande, realmente não tem me sobrado tempo para escrever por aqui.

A cidade murada de York com a catedral ao fundo
No entanto, neste final de semana fui para York na Inglaterra para participar de uma conferência sobre Charles Dickens (mais comentários virão!), e simplesmente me encantei com esta cidade tão recheada de história! Por coincidência, ontem terminei de ler o sexto volume da saga Plantageneta escrita por Jean Plaidy e, imaginem só, York estava no enredo de Plaidy! Como é maravilhoso poder ver com os próprios olhos os locais descritos em livros, não é? Por isso, inspirada pela cidade de York e com o final da leitura de "A Rainha de Provence", decidi escrever sobre mais este volume da saga aqui no blog!

Quem quiser acompanhar as resenhas dos cinco primeiros volumes da saga pode acessá-las clicando aqui.

Como vimos, o último volume, "A Batalha das Rainhas", acabou com as duas poderosas rainhas-mães Isabela de Angoulême e Blanche de Castela abrindo espaço para que seus filhos, agora maduros, pudessem reinar: Henrique III da Inglaterra e Luís IX da França, respectivamente. Em "A Rainha de Provence" conhecemos o período de reinado de Henrique III (1216-1272). Após a morte do Rei João, o povo tinha esperanças que seu filho Henrique seria um rei diferente. Porém, essas esperanças não foram concretizadas. Henrique acabou sendo um rei fraco.

Henrique já está com idade para casar e assim começam os preparativos para lhe encontrar uma rainha. Na região de Provença, a segunda filha do Conde de Provença, Eleanor, volta seus olhos ambiciosos para a Inglaterra. Sua irmã mais velha Marguerite havia se casado com Luís IX e se tornado rainha da França. Cobiçando um título de rainha para si também, Eleanor usa de seus dotes como trovadora e escreve uma canção que vai parar nas mãos de Henrique III. Sem nem ao menos conhecê-la, Henrique se apaixona por esta mente criativa e, quando a vê pela primeira vez, se apaixona por ela ainda mais.

Os dois se casam e têm uma vida feliz a dois. Porém, logo se percebe a influência de Eleanor sobre o seu marido. Henrique faz de tudo para agradá-la: sobe os impostos para poder arcar com festas e presentes extravagantes, a corte inglesa se enche de estrangeiros da Provença, principalmente familiares de Eleanor que passam a ocupar os cargos mais importantes do governo inglês, tomando - aos olhos da população - o lugar dos ingleses. Aos poucos, o rei e a rainha perdem popularidade com o povo.


Henrique III
Eleanor de Provença

Simon de Montfort, um nobre inglês, se torna o líder dos rebeldes. Um grupo de nobres se reúne para exigir mudanças ao rei: eles querem a instauração de um Parlamento. O rei Eduardo III, a rainha Eleanor e seu filho mais velho Eduardo se opõem veementemente à proposta de Montfort e os outros nobres. A situação fica cada vez pior até que Simon e seus seguidores levantam a Segunda Guerra dos Barões em 1264, como ficou conhecida - a Primeira Guerra dos Barões tinha acontecido com o pai de Henrique, Rei João, e tinha culminado com a assinatura da Magna Carta. Durante esta nova rebelião, o rei foi capturado, seu irmão, Ricardo, e seu filho, o príncipe Eduardo, também foram feitos prisioneiros. Eduardo consegue escapar e, com a ajuda de sua mãe Eleanor e seu primo Henrique (filho do seu tio Ricardo), lidera um exército contra os rebeldes. Diferente de seu avô João, Eduardo sai vitorioso. O rei e seu irmão são liberados, e Simon de Montfort é morto e esquartejado.


Guerra dos Barões


Com a paz restaurada, Eduardo decide partir para a Oitava Cruzada em 1270. Seu pai, porém, adoece e fica cada vez mais fraco. Por fim, em 1272, Henrique III morre, deixando a coroa para seu filho, que viria a se tornar Eduardo I. Eduardo ainda estava participando da Cruzada quando soube da morte do seu pai, e só conseguiu voltar para a Inglaterra em 1274.




" - Você tem diante de si o rei da Inglaterra."


É o que Eduardo diz a sua esposa, também chamada Eleanor, na penúltima frase do sexto volume da saga. No próximo volume, "Eduardo I", conheceremos melhor este bravo príncipe e saberemos se a bravura da sua juventude se estenderá aos seus anos de reinado. Será que o povo inglês vai ter enfim o rei que esperava?

Esta foi mais uma aventura da família real inglesa escrita pela fantástica Jean Plaidy, pseudônimo de Eleanor Hibbert (1906-1993). Quanto mais eu leio os seus livros, mais abismada eu fico com o tamanho repertório histórico e cultural da autora. Em vida, ela escreveu mais de 200 livros, a maioria romances históricos reconstruindo diferentes períodos da história inglesa. É, sem dúvida, um trabalho de fôlego! E nós, leitores, só temos a agradecer a aproveitar!


Jean Plaidy
Ótima semana a todos, e prometo que não tardarei para voltar por aqui! Há muito o que compartilhar!

Beijos e ótimas leituras!

Fernanda



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

"O Beijo de Chocolate", Laura Florand

Boa noite, queridos leitores!

Hoje trago para vocês as minhas impressões sobre O Beijo de Chocolate, livro escolhido por mim para o desafio literário de junho, que consistia em ler um romance.

Quem acompanha meu blog sabe que eu não sou muito fã de romances, principalmente os muito melosos. É por isso que participar de um desafio literário é interessante, pois ele te faz buscar leituras que normalmente você não buscaria. Eu havia comprado esse livro por causa de resenhas positivas que havia lido em alguns blogs e, principalmente, porque a história envolvia chocolate, magia e Paris.

Como escrevi no post sobre o desafio de junho (quem quiser relê-lo, pode acessá-lo aqui), a sinopse na contra-capa do livro me cativou. Um pequeno salão de chá na Île Saint-Louis em Paris chamada de La Maison de Sorcières, ou A Casa das Bruxas em português, administrado por Magalie, uma jovem metade francesa e metade norte-americana, e suas tias Aja e Geneviève. Achei o clima inicial um tanto quanto Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira, o que me encantou, pois eu era fã de Sabrina!

Em sua pequena loja no coração de Paris, Magalie encanta seus clientes com seu chocolate quente, que ela acredita ser mágico. Ao preparar cada chocolate quente, ela o faz especial dependendo do que ela acredita que cada cliente precisa: amor próprio, confiança, humildade, etc.


A harmonia da pequena La Maison de Sorcières é abalada com a chegada de Philippe Lyonnais, celebrado pâtissier francês que faz os melhores macarons de Paris, que abre uma de suas sofisticadas lojas a poucos metros do pequeno café das bruxas. Uma rivalidade surge entre os dois estabelecimentos, principalmente entre Magalie e Lyonnais, atraente e jovem. A rivalidade, no entanto, logo se transforma em paixão e os dois se envolvem loucamente.

Eu gostei bastante da primeira parte do livro, porém, quando Magalie e Lyonnais começam a se relacionar, a autora incluiu certas cenas picantes que, a meu ver, são desnecessárias. É quase como se o livro mudasse completamente de gênero de uma página para a outra: de romance romântico a erótico.

Além disso, Magalie parecia ser uma personagem forte no início do livro, determinada e independente. Porém, ao se apaixonar por Philippe, ela se submete a ele de maneira um tanto vergonhosa. Além de tudo, Philippe é extremamente arrogante e seguro de si mesmo. Sem contar que o final céu de brigadeiro é um taaaanto longe da realidade.

Achei a proposta inicial da autora tão promissora, mas acredito que Laura Florend não tenha trabalhado o enredo de forma satisfatória. Paris não passa de um plano de fundo para a história e somente alguns poucos lugares turísticos na cidade são mencionados como a Catedral Notre-Dame e a Pont des Arts. Por ser um cenário tão encantador, a autora poderia ter explorado mais a relação dos personagens com o ambiente em que estavam.

Outro fator que me causou certo descontentamento foi que a autora não explorou muito bem os personagens secundários. O foco é completamente em Magalie e Lyonnais, mas há outros personagens promissores que Florand negligencia, como as tias Aja e Geneviève, e os pais de Magalie (que são completamente esquecidos por boa parte do romance!).

De maneira geral, a leitura foi proveitosa. Como estudante de literatura, a gente passa a analisar nossas leituras mais profundamente, até mesmo as leituras de prazer, e certos deslizes acabam por nos incomodar mais do que a um leitor menos comprometido. Identifiquei muitas promessas em O Beijo de Chocolate, mas nem todas foram cumpridas, infelizmente. O enredo tinha muito potencial (magia, chocolate, paixão e Paris!), mas a concretização da autora deixou um pouco a desejar.


Laura Florand é norte-americana. Ela nasceu na Geórgia, mas atualmente mora em Paris com seu marido francês. Florand trabalha na Universidade de Duke, onde é palestrante. Ela ainda realiza pesquisas sobre o chocolate francês, que se reflete em suas obras. Além de O Beijo de Chocolate, Laura Florand publicou outros livros que incluem Paris e muito chocolate, como Melhor que Chocolate, que também já foi publicado em português pela editora Gente. Os outros romances parisienses de Florand ainda não chegaram ao Brasil.

Laura Florand e seus livros

O Beijo de Chocolate não foi tudo o que eu esperava, mas quem sabe Melhor que Chocolate não me cativa? Vou dar mais uma chance a Laura Florand e logo conto para vocês!


Uma ótima quinta-feira e ótimas leituras!

Fernanda

terça-feira, 19 de julho de 2016

Calendário Literário - Julho

Olá, queridos leitores!

Um novo mês iniciou (há quase três semanas, eu sei!) e já é hora do nosso próximo desafio literário!
Tenho lido bastante ultimamente, pois agora que terminei de escrever minha dissertação de mestrado, tenho tido mais tempo livro, finalmente! Porém, tenho lido textos além do nosso desafio anual. No entanto, ainda há tempo para o nosso desafio de julho!


Como em julho é o mês de férias escolares, normalmente temos mais tempo de sobra para fazer o que gostamos: ler! Por isso, o desafio literário deste mês é:


Ler um livro com mais de 500 páginas!

E aí, topam o desafio?

Para quem não lembra, o Calendário Literário foi criado pelo blogueiro e youtuber Vitor Martins. Quem quiser relembrar os posts referentes aos desafios dos últimos meses, podem acessá-los clicando aqui.

Eu, pessoalmente, não tenho medo de livros com muitas páginas. Pelo contrário, estes são os livros que mais me atraem! Para os que ainda não se acostumaram com longas leituras (que não necessariamente duram mais tempo, porque há livros enormes que são tão envolventes que a leitura acaba por fluir rapidinho!), eu sugiro começar com um livro que te chame a atenção por já ter sido lido e recomendado por muitos, como a saga Harry Potter, ou por ser alguma história que você já goste ou esteja familiarizado, como livros que viraram filmes ou séries de televisão, como a saga Guerra dos Tronos. Assim, você vai ter certeza que a leitura será do seu agrado e que você não desistirá no meio do caminho! Depois que você perder o "medo" do número de páginas, você pode se aventurar em romances longos desconhecidos, que serão uma jornada inédita para você!


Eu pensei muito sobre qual livro iria ler para este desafio. Há tantos livros que estão na minha estante esperando para serem lidos há tanto tempo... Por fim, escolhi um livro que devo ter comprado há uns dois anos e que me intrigou bastante. Trata-se de A Sociedade dos Meninos Gênios, escrito pelo norte-americano Lev A.C. Rosen.


Este romance tem como plano de fundo uma Londres Vitoriana pós-apocalipse com uma atmosfera steampunk. A personagem principal é Violet Adams, uma garota que se passa por seu irmão gêmeo para conseguir um lugar na escola mais prestigiada de Londres, que é reservada só para meninos. Além de ironizar a aristocracia inglesa do século XIX e de tratar de uma maneira divertida a questão de gênero, A Sociedade dos Meninos Gênios ainda traz referências a Noite de Reis, de Shakespeare, e A Importância de Ser Prudente, de Oscar Wilde. É claro que estou dentro!

Lev A.C. Rosen
Este é o romance de estreia de Rosen, publicado nos Estados Unidos em 2011 e no Brasil em 2014.

Eu estou animadíssima com esta nova leitura! O livro tem 544 páginas, mas tenho uma sensação de que essas páginas vão voar! Assim que terminar a leitura, trago minhas impressões para vocês!

E você? Qual livro com mais de 500 páginas vai ler neste mês?

Um ótimo mês, excelentes férias e maravilhosas leituras!

Fernanda

sexta-feira, 15 de julho de 2016

"A Detenção de Arsène Lupin", Maurice Leblanc

Boa noite, leitores!


Quem acompanha o blog sabe que eu sou apaixonada pela Agatha Christie. Foi ela quem me introduziu à literatura policial e até hoje a considero a musa maior das histórias de crimes e detetives. Por falar em detetives, Hercule Poirot continua sendo um dos meus investigadores preferidos. Porém, eis que em uma de minhas jornadas por livrarias, me deparei com um pequeno livro de bolso que chamou minha atenção. Trata-se de Arsène Lupin Ladrão de Casaca. O livro chamou a minha atenção por três motivos principais. Primeiro, a capa. Nela, é possível ver a silhueta de um homem de casaca, cartola e bengalas, o que me remeteu ao século XIX e à Inglaterra Vitoriana, um de meus períodos preferidos na história inglesa. Porém, ao ler o título e o nome do autor, percebi que se tratava de um autor e de um personagem franceses. Este foi o segundo motivo de minha atração pelo livro. Sou fascinada pela cultura francesa! E, por fim, ao ler a contracapa, verifiquei que o livro era um romance policial. Pronto, o livro me fisgou e o levei direto para o caixa!

Arsène Lupin Ladrão de Casaca é, na verdade, um livro de contos. Ele traz nove contos, todos aventuras do fugitivo Arsène Lupin. Confesso que não o conhecia antes, mas ele é um dos personagens mais famosos da literatura policial mundial, ao lado de nomes como Sherlock Holmes, Philip Marlowe e Poirot!




O primeiro conto do livro, A Detenção de Arsène Lupin, é o conto no qual o personagem aparece pela primeira vez. Ele foi publicado originalmente na revista Je sais tout no dia 15 de julho de 1905. Há exatos 111 anos! Logo, Lupin tornou-se célebre e veio a aparecer em mais 35 contos e 19 romances escritos por Maurice Leblanc, além de diversas aparições no cinema, teatro, televisão e histórias em quadrinhos. É, certamente, um ladrão multimodal!

A contracapa da edição da L&PM Pocket traz a seguinte informação:

"A alta sociedade francesa diverte-se a bordo do transatlântico Provence, quando chega a notícia: Arsène Lupin, o ladrão impossível de se capturar, viaja disfarçado entre os passageiros."


E aí, aguçou a curiosidade?

É aí que os passageiros do navio, que não podem deixar o local onde estão até aportarem no local de destino, se desesperam e passam a cogitar quem seria o famoso ladrão. Não vou contar quem é o passageiro disfarçado, é claro! Mas recomendo a leitura do conto. Leiam e descobrirão quem é Arsène Lupin!

Maurice Leblanc
Maurice Leblanc, o criador deste memorável personagem, nasceu em 11 de novembro de 1864 em Rouen, na França, e morreu em 6 de novembro de 1951, aos 76 anos. Leblanc nasceu em uma família burguesa francesa e desde criança teve sua imaginação fomentada pelas obras de Maupassant e Flaubert. Aos 21 anos, mudou-se para Paris para seguir o seu sonho de ser escritor. Seu primeiro romance, Une Femme, foi publicado em 1905, mas não alcançou muita popularidade. Foi com seu personagem Arsène Lupin - criado por encomenda da revista francesa Je sais tout para rivalizar o personagem inglês Sherlock Holmes - que Leblanc alcançou a fama literária.



Arsène Lupin foi adaptado para o cinema diversas vezes. Entre as adaptações mais conhecidas está o filme de 2004, dirigido por Jean-Paul Salomé. O filme conta com Romain Duris no papel de Lupin, Eva Green como Clarisse, e Kristin Scott Thomas como a condessa Josephine. Ainda não tive a oportunidade de assistir ao filme, mas ele já entrou em minha lista! Porém, quero ler mais contos com Lupin antes de me aventurar para a adaptação cinematográfica.


Filme de 2004

Quem está procurando uma história curta e instigante para esta sexta-feira à noite, deixe-se levar pelas aventuras de Arsène Lupin.

Uma ótima noite a todos e boas leituras!

Fernanda