sábado, 20 de abril de 2019

"O Juramento do Rei", Jean Plaidy

Olá, queridos leitores!

Hoje venho compartilhar com vocês minha mais recente leitura: o novo volume da saga Plantageneta, O Juramento do Rei, de Jean Plaidy, pseudônimo da escritora inglesa Eleanor Hibbert (1906-1993).

Eu já estou lendo essa série sobre uma das principais dinastias de governantes da Inglaterra há alguns anos. A série inteira tem quatorze volumes e acompanha a história desde Henrique II (1133-1189) até Henrique VI (1421-1471), e é muito bem escrita por Jean Plaidy, que entrelaça fato e ficção, dando vida e personalidade a figuras históricas. O passo do livro é muito rápido, muita coisa acontece em poucas páginas, mas, assim que você se acostuma com o ritmo, a leitura flui muito bem e aprendemos muito sobre a história da monarquia inglesa.

Eduardo III
Neste nono volume, acompanhamos o jovem Eduardo III (1312-1377), coroado rei aos 14 anos em 1327 após a deposição forçada e misteriosa morte de seu pai, Eduardo II. Eduardo II (1284-1327) foi o protagonista do oitavo volume da saga, As Loucuras do Rei. Se você tiver mais interesse sobre esse monarca ou período, acesse a resenha do livro clicando aqui.

Na verdade, quem planejou a morte e arquitetou a deposição de Eduardo II foi sua própria esposa, a Rainha Isabel, cansada de ser ignorada por seu marido e trocada por amantes homens, e seu amante, Roger Mortimer. Com a morte do rei e com o jovem Eduardo III no trono, o casal achou que poderia reinar através do menino. Porém, Eduardo logo provou ser muito mais do que um ingênuo rapaz e liderou um golpe contra Mortimer, que levou a sua execução, e tornou sua mãe Isabela prisioneira de luxo em um dos castelos.

Filipa de Hainault
Eduardo cresce e se torna um monarca muito diferente de seu pai. Ele se destaca em batalhas e estratégias militares e conquista diversos territórios franceses. Em uma visita ao Condado de Hainault, ele conhece uma das filhas do condo, Filipa de Hainault, por quem se apaixona. O amor é mútuo, mas os dois precisam esperar e só mais tarde se casam. Os dois se amam muito, o que é difícil entre casamentos reais arranjados, e têm juntos 12 filhos. Eduardo permanece fiel a Filipa até os anos finais de sua esposa, quando ela já estava muito enferma e acima do peso.

Em meados do reinado de Eduardo, o conde Robert d'Artois foge da França e se asila na corte inglesa. Ele instiga o rei Eduardo a tomar o que é seu por direito - a coroa da França, à qual Eduardo teria direito por conta de sua mãe, Isabela, que era filha do rei Felipe IV da França. O filho homem de Isabela teria direito ao trono quando o rei francês Carlos IV morreu sem deixar descendentes. Instigado por d'Artois, que levou ao rei inglês uma garça assada como símbolo da passividade de Eduardo, humilhando-o em frente a sua corte, o rei faz um voto - que dá título ao livro - de que irá tomar em armas contra a França para conquistar a sua coroa, dando início a um longo período de hostilidade entre França e Inglaterra, a chamada Guerra dos Cem Anos.

O filho mais velho de Eduardo, o Príncipe Eduardo, conhecido como o Príncipe Negro devido à armadura preta que utilizava em batalha, prometia ser um grande herdeiro ao trono - leal, destemido e grande guerreiro. Porém, após seu casamento com Joan de Kent e o nascimento de dois filhos, Eduardo adoece repentinamente e morre, deixando o rei desesperado.

Edward, o Príncipe Negro

A essa altura, a rainha Filipa já havia morrido e Eduardo III vivia abertamente com a amante Alice Perrers, causando desgosto entre o povo, que antes o idolatrava. Eduardo já está velho e também adoece, deixando esse mundo logo após seu adorado filho.

Alice Perrers no leito de morte de Eduardo III

Como o primeiro filho do Príncipe Negro também morreu, é o jovem Ricardo que se torna o sucessor do trono e protagonista do próximo livro da saga, Passagem para Pontefract, que eu já estou louca para ler!

Então é isso, pessoal! Espero que tenham gostado dessa dica de romance histórico.

Uma ótima semana a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda









terça-feira, 5 de março de 2019

"A Febre das Tulipas", Deborah Moggach

Boa noite, queridos leitores!

Hoje venho compartilhar com vocês o livro que devorei nessa terça-feira de carnaval, não consegui largar a leitura e terminei hoje mesmo! Trata-se de A Febre das Tulipas, ou Tulip Fever (1999) no original, da escritora inglesa Deborah Noggach (1948-). Eu já tenho esse livro há um certo tempo e, como iria viajar nesse feriado, resolvi escolher um livro leve (literalmente, ele é um paperback!) e instigante. Acabei tirando-o da estante e estou muito feliz de o ter feito.

O pano de fundo desse romance é a Amsterdam do século XVII, em plena Era de Ouro holandesa, quando as cidades e seus habitantes cresciam e prosperavam com transações mercantis que atravessavam oceanos, pinturas dos grandes mestres que fervilhavam o mercado de arte e, também, uma especulação financeira em torno de uma espécie de flor que havia chegado recentemente na Europa e que encantou os holandeses: a tulipa. Comerciantes passaram a comprar e vender bulbos de tulipa a preços exorbitantes durante a chamada Febre da Tulipa em meados de 1630, que é quando a nossa história se desenrola. Mal sabiam eles, quase quatrocentos anos atrás, que a tulipa seria até hoje o símbolo da cultura holandesa!



A Febre das Tulipas é contado através de várias perspectivas. Cada capítulo se inicia com o nome do personagem cujo ponto de vista o leitor acompanha. Todos eles são em terceira pessoa, com exceção de Sophia, a protagonista da trama, que nos conta sua história em primeira pessoa. De fato, é ela quem inicia o primeiro capítulo do romance. Nós descobrimos que Sophia é uma jovem esposa, casada muito nova com o mais velho e viúvo Cornelis Sandvoort. Sophia havia se tornado órfã e, para ajudar financeiramente as suas irmãs, consente se casar com o velho e rico mercador que, sem filhos, coloca todas as suas esperanças de um herdeiro em Sophia.


Certo dia, Cornelis convida à sua casa o jovem pintor Jan van Loos, que realmente existiu e foi um dos nomes da efervescência artística em Amsterdam no período, para pintar o retrato seu e de sua esposa para eternizar as suas existências em uma tela. Ao se olharem, Jan e Sophia se apaixonam perdidamente e acabam iniciando uma aventura amorosa.

Portrait of a Married Couple, de Pieter Codde (1634)
Enquanto isso, Maria, a criada de Sophia, é abandonada por seu amante Willem que havia prometido se casar com ela. Ao surpreendê-la tarde da noite, ele a vê escapar da casa dos seus patrões para se encontrar e beijar o pintor Jan. O que Willem não sabia é que a mulher era, na verdade, a Senhora Sophia, vestida com as roupas da empregada para não ser reconhecida nas ruas. Desolado, ele se alista na marinha e embarca em um navio para enfrentar os espanhóis sem dizer adeus à sua amada e sem saber que ela esperava um filho seu.

E é aí que a trama se desenrola e as vidas de Sophia e Maria vão se entrelaçar de uma maneira que elas nunca imaginaram, tudo por conta do amor.

Não vou contar para vocês qual é o desfecho dessa história, mas vocês já sabem que eu não consegui largar o livro o dia inteiro de curiosidade em saber como as vidas de todos os personagens iriam caminhar. Foi uma leitura muito prazerosa e dinâmica, que mistura romance e fatos históricos, o que me agrada muito! Além disso, a minha edição em inglês da Vintage Books traz ilustrações coloridas de algumas telas de pintores holandeses do século XVII, muito legal!

Poster do filme

E a cereja do bolo é que descobri hoje mesmo que esse livro foi adaptado para o cinema em 2017 com o título Amor e Tulipas em português! Apesar de ter recebido muitas críticas negativas, eu estou animada para assistir ao filme depois de minha experiência positiva com o livro. Dane DeHaan é o pintor Jan, Alicia Vikander é Sophia, Christoph Waltz é Cornelis e Holliday Grainger como Maria, além de Judi Dench, que também faz parte do elenco.


Aqui está o trailer do filme:



A autora de A Febre das Tulipas é Deborah Moggach, escritora e roteirista, que também escreveu O Exótico Hotel Marigold (2004), que virou filme em 2012 com grande elenco. Moggach tem atualmente 70 anos e continua produzindo!

Deborah Moggach

Espero que tenham gostado dessa deliciosa dica de leitura. Um ótimo finzinho de carnaval a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

"Minha Prima Rachel", Daphne du Maurier

Olá, queridos leitores!

Daphne du Maurie

Hoje venho compartilhar com vocês uma leitura que ainda está bem fresquinha na minha memória, terminei de ler Minha Prima Rachel, ou My Cousin Rachel no original, da autora britânica Daphne du Maurier (1907-1989), alguns minutos atrás! Já tinha vontade de ler esse romance da autora desde que li dois contos dela: "Os Pássaros", de 1952, que foi base para o fantástico filme do Alfred Hitchcock de mesmo nome de 1963 (eu morria de medo desse filme quando era criança!), e "Não Olhe Agora", uma história de arrepiar os cabelos que também se tornou filme, "Inverno de Sangue em Veneza" de 1973 dirigido por Nicolas Roeg. Eu também sou fascinada por outro filme de Hitchcock que tomou como base outro livro de Du Maurier, mas que ainda não li, "Rebecca, a Mulher Inesquecível", de 1940. Por isso, mesmo conhecendo pouco da obra dela, já me tornei fã dos escritos de Daphne du Maurier!

My Cousin Rachel foi publicado pela primeira vez em 1951 e se trata de um romance-mistério que vem atraindo leitores há décadas. A trama se passa na Cornualha, litoral da Inglaterra, onde Daphne du Maurier também morou. Philip Ashley é um jovem inglês e quem nos conta a história em primeira pessoa. Ele perdeu seus pais ainda muito jovem, e por isso foi adotado por seu tio Ambrose Ashley. Ambrose é um solteiro convicto, dono de uma mansão e se orgulha pelo fato de nenhuma mulher ter se intrometido na maneira como ela administra a propriedade.

Ambrose está envelhecendo e, por ordens médicas, passa a viajar para o sul da Europa durante os invernos frios da Inglaterra. Philip, seu único herdeiro, fica para cuidar da grande propriedade e de seus inquilinos. Eis que em uma de suas viagens para Florença, na Itália, Ambrose se apaixona por uma misteriosa viúva, chamada Rachel, que é sua prima distante. Ambrose conta sobre seu casamento com ela a Philip através de cartas, que fica muito enciumado e furioso com a perspectiva de uma mulher na mansão.

Aos poucos, as cartas de Ambrose vão ficando mais e mais esparsas, até que Philip recebe um último bilhete apressado de Ambrose que dizia: "She has done for me at last, Rachel my torment."


Philip sabe que não pode mais esperar e segue ansioso de carruagem até Florença, o que leva um considerado tempo. Ao chegar lá, descobre que seu tio Ambrose havia morrido devido a um tumor cerebral e que Rachel havia deixado Florença. Devastado, Philip jura vingança a essa mulher e retorna para a Cornualha, agora herdeiro de toda a fortuna da família Ashley.

Algumas semanas mais tarde, Philip recebe a notícia que tanto temera: sua prima Rachel chegou para visitar a propriedade de seu ex-marido. E é aí que a trama muda de rumo e Philip acaba obcecadamente apaixonado por Rachel, apesar dos avisos de seus amigos mais próximos de que ela está apenas atrás da fortuna de Ambrose. Philip desenvolve uma doença com sintomas parecidos com os quais Ambrose sofreu. Seria uma coincidência? Ou Rachel seria capaz de envenenar os dois homens para ficar com toda a riqueza e propriedade da família?

O leitor muda de lado várias vezes e por ora percebe em Philip um jovem obcecado e sofrendo alucinações de uma possível doença cerebral e uma inocente ex-mulher que busca recordar a curta vida de casada que tinha com seu Ambrose, e por ora vê uma mulher fria, calculada e manipuladora, que não vê obstáculos para conseguir o que almeja e um ingênuo rapaz apaixonado pela primeira vez, que se propõe a fazer de tudo para deixar sua amada feliz. Qual será a verdade?

É claro que não vou contar para vocês, apenas recomendo que leiam esse romance-suspense maravilhoso que te prende do início ao fim e termina com um final surpreendente. 

Há uma adaptação para o cinema recente desta história, o My Cousin Rachel de 2017, dirigido por Roger Michell, e com Rachel Weisz no papel de Rachel e Sam Claflin como Philip Ashley. O filme tem uma atmosfera sobrenatural e vale muito a pena ser visto! Ótimo para um final de semana chuvoso!



Espero que tenham gostado dessa publicação e que saboreiem a deliciosa escrita de Du Maurier.

Uma ótimas semana a todos e ótimas leituras!

Fernanda

domingo, 2 de dezembro de 2018

"Café da manhã com Buda", Roland Merullo

Bom dia, pessoal!

Hoje venho compartilhar com vocês uma das minhas leituras mais recentes. Foi um livro que eu li para uma das minhas disciplinas do doutorado, sobre ecocrítica. O livro se chama Café da Manhã com Buda e traz na capa uma foto de uma mesa de lanchonete típica americana, com um porta-guardanapos, um tubo de mostarda, um de maionese, um vidrinho de sal e duas mini estátuas de Buda: uma preta e uma branca. A foto aliada ao título me fez imaginar uma história maçante de auto-ajuda e busca espiritual, portanto já iniciei a leitura com certo preconceito. Porém, estou feliz em admitir que eu estava errada. A leitura acabou se tornando muito prazerosa, divertida e me fez refletir bastante. Confesso que até fiquei com vontade de tentar uma aula de yoga!

O protagonista dessa história é Otto Ringling, um homem de classe média americana, casado, com dois filhos, um cachorro, uma boa casa, mora em Nova York, trabalha em uma editora de livros de culinária, adora comer e se acha relativamente feliz. Um dia, seus pais, que moravam em uma fazendo na Dakota do Norte, sofrem um acidente de carro e morrem inesperadamente. Otto, então, precisa ir até a Dakota do Norte para verificar as condições da casa e vender a propriedade. Ele decide levar a sua irmã, Cecilia, nessa viagem para que possam resolver esse assunto juntos. Sua irmã é uma mulher excêntrica que mora sozinha e trabalha lendo cartas de tarô profissionalmente. Ela é o completo oposto de Otto. Enquanto Cecilia é espiritual e sensível, Otto é prático e racional. Há um porém, contudo: Cecilia tem medo de andar de avião, então os dois terão que fazer essa viagem de carro.

Otto vai até a casa de Cece para buscá-la, quando percebe que ela não está de malas prontas. Ela não poderá acompanhar seu irmão nessa jornada porque precisa terminar alguns negócios. No entanto, ela pede a Otto que leve outra pessoa em seu lugar: Volya Rinpoche, um monge para quem Cecilia pretende doar a sua parte da herança. Otto fica furioso com sua irmã, mas por fim decide acatar o pedido e levar o monge em uma viagem de mais de 2.500km.


Os dois passam muito tempo no carro juntos e, aos poucos, começam a interagir um com o outro. A raiva inicial de Otto se esvaece e ele compartilha os seus questionamentos sobre a vida com o monge, que é uma figura muito divertida. Os dois fazem um acordo: Otto se propõe a mostrar o estilo de vida americano a Volya, enquanto o monge lhe dá lições espirituais em troca. O interessante é que os dois têm muito a aprender um com o outro. Há diversas cenas muito engraçadas ao longo do romance, como Otto, um amante da boa cozinha, tentando fazer jejum por um dia ou experimentando uma aula de yoga, e Rinpoche aprendendo a jogar boliche e mini golf, e fazendo poses de yoga usando uma sunga antes de entrar no rio para nadar.

Mingyur Rinpoche


O que eu achei que seria um livro com uma premissa de trama como desculpa para discutir temas religiosos, filosóficos e espirituais acabou se revelando um livro de viagens muito bem escrito, nada didático, e que nos faz pensar em certos aspectos de nossas vidas. As descrições dos locais por onde Otto e Rinpoche passaram e as comidas que Otto pediu nas diversas paradas em restaurantes - que, aliás, dão água na boca! - são todas baseadas em uma viagem de carro que o autor do livro, o americano Roland Merullo (1953-), fez ele mesmo.

Roland Merullo
Depois descobri que esse livro é o primeiro de uma trilogia de livros que trazem Otto e Rinpoche como protagonistas. O segundo se chama Almoço com Buda e o terceiro Jantar com Buda. Eu li esse livro em inglês e, pelo que consegui encontrar, o livro ainda não foi traduzido para a língua portuguesa, o que é uma pena. No entanto, se você tem algum conhecimento da língua inglesa, vale a pena tentar a leitura desse livro!

Então é isso, pessoal! Espero que tenham gostado dessa dica de leitura. Logo, logo sairá o vídeo-resenha desse livro no meu canal, O Prazer da Literatura no YouTube. Se você ainda não conhece o canal, clique aqui e confira!


Um ótimo domingo a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

A Trilogia da Magia - Nora Roberts




Boa noite, queridos leitores!



Recentemente terminei de ler uma trilogia que havia começado há muito tempo. Li Dançando no Ar, o primeiro volume da saga, quando ainda era adolescente. Não lembro por que na época não dei continuação à leitura. Enfim, tantos anos depois, me deparei com essa trilogia no catálogo de audiolivros do uBook - aplicativo que uso para ouvir audiobooks. Resolvi dar uma nova chance à série e, como tenho os três livros em formato físico também, revezei entre ouvir e ler. E foi uma ótima experiência! É claro que foi algo bem à la Nora Roberts: final feliz estilo céu de brigadeiro, casamentos, filhos, todos são lindos, ricos, bem-sucedidos e com corpos sarados. Mas, de vez em quando, nada melhor do que um romance mamão com açúcar para se distrair e sonhar, não é? E a Trilogia da Magia tem um bônus a mais: as protagonistas são bruxas!


Cada um dos três volumes tem como foco principal uma das três mulheres e a história é contada através da sua perspectiva. Em Dançando no Ar (2001), conhecemos Nell Channing, uma jovem mulher que acaba de fugir de um casamento infeliz e um marido violento, um rico produtor de Hollywood. Ela forjou a sua própria morte e se mudou para a Ilha das Três Irmãs, onde conhece a fascinante Mia Devlin, dona da livraria Livros e Quitutes. Por sorte ou destino, a cozinheira do café da livraria tinha acabado de pedir demissão e Nell - que tem dotes culinários maravilhosos - ocupa o seu lugar. Ela faz o negócio de Mia prosperar com seus bolos, sopas, sanduíches e doces. Aliás, cardápios que dão água na boca! Tudo o que eu queria era dar uma passadinha na Livros e Quitutes e saborear um dos pratos da Nell com um bom café ou chá. Na ilha, Nell aos poucos se recupera dos tramas que sofreu no seu casamento e conhece Zack Todd, o xerife da ilha. E, claro, os dois se apaixonam! Nell tem que aprender a amar novamente e começa a explorar o seu recém-descoberto dom, porém o seu passado não a deixará ir tão facilmente.





O segundo volume da saga, Entre o Céu e a Terra (2001) acompanha a saga de Ripley Todd, irmã de Zack e delegada da ilha. Enquanto Nell representa o ar, Ripley representa a terra. Ripley é uma mulher atraente e de personalidade forte. Ela adora praticar exercícios físicos e é durona, não leva desaforo para casa. Ela era a melhor amiga de Mia Devlin, mas as duas se separaram depois que Ripley decidiu renegar os seus dons mágicos. O intelectual MacAllister Book chega à ilha para estudar os fenômenos sobrenaturais que ocorrem nesse local místico. Os dois sentem uma atração um pelo outro, mas, antes de se deixar envolver, Ripley vai ter que se reconectar com sua magia e aprender a aceitar a essência do seu ser.

Finalmente, o terceiro volume, Enfrentando o Fogo (2002) traz como protagonista a sedutora e misteriosa Mia Devli. Essa é a personagem que mais me intrigou e atraiu, pois ela mora em uma bela mansão no alto do penhasco, tem uma bem-sucedida livraria, é uma mulher confiante e independente. E é claro que o galã de cabelos morenos e olhos penetrante é apaixonado por ela. Sam, o herdeiro do dono do hotel da ilha, deixou a Ilha das Três Irmãs e sua namorada Mia dez anos atrás. Ele foi embora sem dar muitas explicações, deixando o coração da jovem Mia em frangalhos. Agora, Sam volta para a ilha e tenta reconquistar a feiticeira. Contudo, Mia guarda muito rancor e, mais importante, está preocupada em decifrar os efeitos de uma maldição originada 300 anos antes. O que ela não esperava é que a aceitação do amor e a abertura do seu coração seriam elementos chaves para quebrar a maldição e enfrentar o mal.



Os três volumes intercalam o tempo presente com o século XVI, quando as antepassadas das três protagonistas, as três irmãs, criaram a Ilha das Três Irmãs, um refúgio mágico para fugir da caça às bruxas em Nova Salem. Nesta ilha, cada mulher tomou um rumo diferente - uma deixou a ilha por amor, outra renegou a sua magia e outra enganou um ser mitológico para que se apaixonasse por ela - o que resultou em uma maldição que se realizaria em 300 anos, momento em que Nell, Ripley e Mia formam o círculo de três. Agora elas têm que provar que não cometerão os mesmo erros de suas antecessoras e que irão honrar seu dom e o amor para salvar a Ilha da destruição.




Devo dizer que a leitura dessa trilogia foi uma delícia. Adorei os momentos em que passei na Ilha das Três Irmãs em companhia desses personagens que - depois de três livros - já se tornam íntimos de nós. Terminar o último capítulo me deu um aperto no coração, pois tive que me despedir desse universo, das comidas de Nell, das reações explosivas de Ripley, do glamour de Mia e do encanto dessa ilha. Pudera eu encontrar um lugar mágico assim também!

Espero que vocês tenham gostado dessa dica. Tenho certeza que vocês também irão se encantar com essa saga da Nora Roberts, escritora norte-americana que já escreveu mais de 200 romances e já vendeu  mais de 400 milhões de cópias. Um fenômeno do mercado editorial atual!

Ótimas leituras!

Fernanda

sábado, 13 de outubro de 2018

"A Carne", Júlio Ribeiro

Bom dia, queridos leitores!

Júlio Ribeiro

Hoje venho compartilhar com vocês as minhas impressões sobre uma das minhas leituras mais recentes. Trata-se de um livro de um escritor brasileiro publicado no final do século XIX, mas que foi negligenciado por muito tempo. A obra também causou grande polêmica quando da sua publicação por tratar de temas tabus na época, como o divórcio, adultério e sexualidade. O livro chegou a ser condenado e muitos jovens foram proibidos de lê-lo na época. Foi com Manuel Bandeira (1886-1968), poeta, crítico literário, professor e tradutor, conhecido pelo seu trabalho durante a Semana de Arte Moderna, que a produção de Júlio Ribeiro foi resgatada. Estou me referindo a A Carne, livro de Júlio Ribeiro publicado em 1888.


Eu conheci esse livro através de uma disciplina que estou fazendo no doutorado sobre literaturas do século XIX. Esse século me encanta e gosto muito de investigar como a literatura se desenvolveu durante esse período em diversos locais. Júlio Ribeiro nasceu em Sabará, MG, em 1845 e faleceu em Santos, SP, em 1890. Integrou a Academia Brasileira de Letras na cadeira n. 24. Seu romance A Carne é a sua obra mais conhecida. Foi publicado em 1888, um ano muito importante na história do Brasil - o ano da abolição da escravatura. Ribeiro era anti-escravagista e sua oposição à escravidão pode ser verificada na análise do seu romance, que retrata a difícil situação de escravos negros no interior de São Paulo em meados do século XIX.

Na literatura, Júlio Ribeiro se posicionava como participante do movimento naturalista, cujo percursos foi o francês Émile Zola (1840-1902). Aliás, Júlio Ribeiro dedica o seu livro A Carne a Zola em um prefácio escrito por Ribeiro em francês. O naturalismo tinha como enfoque analisar o comportamento humano e social, principalmente o lado mais obscuro e primitivo do ser humano. O homem era visto como ser biológico e dotado de instintos primitivos, como os animais. A literatura teve influência do cientificismo da época, como, por exemplo, as teorias de Charles Darwin - daí a quantidade de termos científicos nos textos literários.

A Carne traz como protagonista Helena, a Lenita. Sua mãe morreu no seu nascimento e, portanto, Lenita passara a maior parte de sua vida com seu pai, que lhe proporcionara uma educação acima do normal para uma moça na época. Quando ainda jovem, seu pai morre, e Lenita decide deixar a cidade e passar um tempo na fazenda do Coronel Barbosa, amigo do seu pai. A fazenda era localizada no interior de São Paulo e devia sua produção ao trabalho escravo.



Aos poucos, Lenita se afasta dos estudos e das características da vi
da urbana, e vai se acostumando ao local rural e se conectando com o primitivismo da natureza. Ela caça animais e observa os negros, que têm uma liberdade sexual maior - diferentemente das restrições da sociedade urbana. Ela, aos poucos, se sente isolada nesta fazenda. Quando o Coronel Barbosa avisa que seu filho, Manuel, está voltando da Europa, Lenita idealiza a figura desse homem. Ele morara dez anos na Europa, onde estudara, viajara e se casara com um europeia. De volta ao Brasil, Lenita deposita os seus sonhos e desejos nesse homem. Quando ele finalmente chega à fazenda, Lenita se desaponta - vê apenas um homem velho, barrigudo e cheirando à cachaça.

Conforme o tempo passa, Lenita encontra em Manuel um companheiro de estudos a sua altura. Juntos, eles lêem livros, discutem teorias, andam pelas matas, e acabam se apaixonando. Porém, o relacionamento entre dois não seria fácil nem aceito, pois Manuel já era casado na Europa, mesmo que tivesse abandonado a sua esposa. A trama também é uma crítica à estrutura da sociedade, que não permitia o divórcio e, portanto, impedia que duas pessoas que se amassem ficassem juntas após uma delas ter se casado anteriormente. Então, Lenita e Manuel têm que escolher entre atender os desejos da carne ou aceitar as restrições que a sociedade impunha.

Não posso dizer como a trama termina a não ser que de maneira trágica e inesperada. É um romance certamente escandaloso, principalmente se lembrarmos que ele foi escrito em 1888, mais de cento e vinte anos atrás. Imagino como as pessoas da época teriam regido individualmente à leitura.

Depois que o moralismo do século XIX arrefeceu e Manuel Bandeira resgatou os escritos de Júlio Ribeiro, podemos agora voltar para esse texto com os olhos de nossa própria época, o século XXI, e perceber ali um grande romance, que discute o papel da mulher na sociedade do século XIX, a convenção do casamento e critica o trabalho escravo de maneira nua e crua. Certamente, vale a pena a leitura.

Espero que tenham gostado dessa dica de leitura. Uma ótima semana a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

"O Que Fazem Mulheres", Camilo Castelo Branco

Olá, queridos leitores!

Hoje escrevo para vocês sobre a minha leitura do clássico da literatura portuguesa O Que Fazem Mulheres (1858) do Camilo Castelo Branco (1825-1890).

Camilo Castelo Branco
Camilo Castelo Branco foi um dos grandes nomes da literatura portuguesa do século XIX. Ele escreveu muito durante a sua carreira literária, mais de cem obras, incluindo romances folhetinescos, novelas, histórias de mistério e crônicas para jornais, e foi um dos primeiros escritores portugueses a viver de literatura.

Camilo tinha uma vida boêmia, ficou órfão muito cedo e casou-se aos 16 anos com uma jovem de 15, mas a união não deu certo. Eles tiveram um filha, mas morreu muito cedo. Cinco anos depois, o escritor fugiu com Patrícia Emília, outra jovem, mas a união tampouco deu certo. Também tiveram uma filha, Bernardina, que viveu até a idade adulta. Somente em 1850 Camilo conheceu o amor de verdade, mas esse amor resultou em uma relação muito conturbada. Ele se apaixonou por Ana Plácido, uma mulher casada. Ela havia sido forçada a se casar com um comerciante brasileiro muito mais velho e vivia infeliz. Ana decidiu abandonar o marido e foi morar com Camilo em 1859. Os dois foram acusados de adultério e presos. Em 16 de outubro de 1861, o casal foi julgado e absolvido. Depois desse incidente, Camilo e Ana continuaram a viver juntos e tiveram dois filhos (além do primeiro filho de Ana, Manuel Plácido, reconhecido pelo seu primeiro marido, mas que muitos afirmavam ser filho de Camilo). Manuel, o primeiro marido de Ana, morreu em 1863, e em 1888 Camilo e Ana finalmente se casaram.

Ana Plácido
Ao final de sua vida, Camilo foi perdendo a visão, consequência da sífilis que havia adquirido, e desenvolvendo uma aguda depressão. Ao descobrir que ficaria cego por completo, se suicidou no dia 1 de junho de 1890. Ana Plácido morreu cinco anos mais tarde, e todos os seus três filhos, aliás problemáticos, morreram antes de 1900: Manuel morreu de febre aos 19 anos em 1877, Jorge foi declarado louco e hospitalizado, morreu em 1900, e Nuno, alcoólico e viciado em jogo, morreu em 1896.

A vida conturbada de Camilo é refletida em sua obra, que é caracterizada por tratar de temas como a orfandade e filhos ilegítimos, os direitos do coração contra as convenções da sociedade e um retrato dos costumes da sociedade portuguesa do século XIX.


O Que Fazem Mulheres, publicado em 1858, quando Camilo já se encontrava apaixonado por Ana Plácido e já se estabelecia como escritor, ainda que em sua fase inicial. A protagonista da trama é Ludovina, uma jovem de família simples. Sua mãe, Dona Angélica, havia sido forçada pelo pai a se casar com Melchior Pimenta, que tinha prospecção de herdar uma fortuna, que não aconteceu. Ludovina é apaixonada pelo charmoso Ricardo de Sá, jovem preguiçoso dado às letras e que cortejava diversas mulheres ao mesmo tempo apenas pelo prazer de seduzir. Como Ludovina era uma jovem bela mas humilde, Ricardo não pretendia se casar com ela. Quando a jovem soube disso através de uma artimanha de sua mãe, Ludovina decide se render aos planos de seu pai de casá-la com João José Dias, um homem mais velho que havia feito fortuna no Brasil. Grosseiro, gordo e disposto a zelar por sua honra a qualquer custo, João José Dias era o oposto da delicadeza de Ricardo de Sá. Porém, Ludovina aquiesce e se casa com a condição de que seus pais continuem morando com ela.


A história se desenrolar e um charuto, protagonista de um "capítulo avulso", levanta suspeitas de um adultério, tornando a vida de Ludovina um inferno. Não vou dizer de quem são as suspeitas, sobre quem elas recaem, nem se elas são verdadeiras ou não, é preciso que você leia O Que Fazem Mulheres e descubra por conta própria!

Alguma semelhança entre Ludovina e Ana Plácido? Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência?

A estrutura do romance de Camilo Castelo Branco é muito interessante e inovadora para a época. O narrador conversa diretamente com o leitor e apresenta um "capítulo avulso", que o leitor pode encaixar onde quiser, e um capítulo "que é melhor não ser lido", além de dois prólogos, um "a todos que lerem" e outro "a alguns dos que lerem". Aguçou a sua curiosidade? Imagine a curiosidade de um leitor do século XIX, que se deparava com algo assim, muito provavelmente, pela primeira vez!

Lisboa no século XIX

Já me estendi demais, mas apenas gostaria de reiterar a sugestão da leitura de O Que Fazem Mulheres, que trata de um tema convencional da literatura da época - o casamento forçado por conveniência - mas de uma maneira inovadora e divertida.

Espero que tenham gostado dessa dica literária. Uma ótima semana a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda