sexta-feira, 24 de março de 2017

Lugares Literários - Boekhandel Dominicanen

Boa noite, pessoal!

Trem na Holanda
Hoje trago para vocês mais um post da coluna "Lugares Literários"!
Devo confessar que esta é a minha coluna preferida no blog. Ultimamente tenho visitado tantos lugares incríveis e tirado muuuuitas fotos, mas ainda não tinha tido tempo para organizar tudo em publicações aqui no blog. Mas agora chegou a hora!

Decidi começar a série de lugares literários na Europa por uma livraria inesquecível que visitei em Maastricht, no sul da Holanda. Para quem não sabe, estou fazendo um curso de mestrado de pesquisa em Estudos Literários na Universidade de Leiden, na cidade de Leiden na Holanda. Leiden fica a 30 minutos de trem de Amsterdam e, por isso, relativamente longe de Maastricht (ainda mais para parâmetros holandeses, que acham qualquer distância acima de 50km longe!). Para ir até lá, tive que pegar mais de um trem e a viagem total durou cerca de três horas, mas valeu muito a pena, pois a cidade - e a livraria - são lindíssimas!

Mapa da Holanda

Maastricht

Maastricht, como várias cidades na Holanda, é uma cidade medieval. Ela é uma das cidades mais antigas da Holanda. Povos celtas viveram lá em 500 a.C. Mais tarde, a cidade foi ocupada pelos romanos por volta do século I d.C, quando a antiga ponte - a que aparece na foto aqui ao lado - foi construída. Durante a Idade Média, Maastricht fez parte do Império Carolíngio, e em 1204 recebeu o título de cidade. Imaginem só, tudo isso muito antes de o Brasil ter sido "descoberto"!

E nesta linda cidade encontra-se a considerada uma das 10 melhores e mais belas livrarias do mundo - de acordo com a lista publicada no site do The Guardian, ela está em primeiro lugar! Trata-se da Boekhandel Dominicanen! O mais espetacular de tudo é que a livraria está situada dentro de uma catedral de mais de 800 anos! Esta igreja estava abandonada até que os arquitetos holandeses Merkx e Girod tiveram a brilhante ideia de transformá-la em uma livraria, possivelmente uma das mais bonitas do mundo. E conseguiram! Até ganharam prêmios de arquitetura por este projeto. E, convenhamos, merecidamente, não?

Boekhandel Dominicanen

Ao entrar nesta livraria, você tem a sensação de estar entrando em um templo sagrado, um lugar de meditação e reflexão. Ao olhar em volta, você percebe os milhares de livros ao seu redor, e se sente como se estivesse em um templo de devoção aos livros. Para um amante da literatura, não há sensação melhor! O teto alto, as enormes janelas, os arcos góticos... tudo contribui para uma experiência literária única! Você se desconecta totalmente do mundo lá fora!

Livraria vista de fora


Quem tiver a oportunidade de ir até a Holanda, não deixe de dar um pulinho em Maastricht, conhecer a cidade medieval e visitar esta belíssima livraria. Será uma experiência que você não esquecerá tão cedo!

Fiz um vídeo no meu mais novo canal dedicado ao blog (ainda escreverei um post sobre o canal por aqui!) sobre esta incrível livraria. Lá, você vai poder ver um vídeo que eu fiz dentro deste templo de livros! Para acessá-lo, clique aqui:



Espero que tenham gostado de mais uma de nossas viagens literárias.

Tenham um ótimo final de semana e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

domingo, 19 de março de 2017

"E apenas para enganar", Tasha Alexander

Bom dia, queridos leitores!

Tasha Alexander
Hoje venho compartilhar com vocês uma autora que tem me surpreendido e tornado minhas leituras leves e prazerosas. Trata-se da norte-americana Tasha Alexander (1969-). Quem acompanha o meu blog sabe que descobri esta autora durante a minha viagem para Veneza em dezembro do ano passado. Procurando por algo para ler que tivesse como cenário a bela cidade de Veneza, encontrei o livro de Tasha intitulado Death in the Floating City (2012), ou Morte na Cidade Flutuante se traduzido literalmente. Eu simplesmente me apaixonei pelo estilo de escrita de Tasha, que combina um romance leve com literatura policial e romance histórico. Na minha opinião, uma combinação perfeita!

Quem tiver interesse em reler a resenha de Morte na Cidade Flutuante, clique aqui.

Depois de ler este livro de Tasha, descobri que ela havia escrito outros com a mesma protagonista de Morte na Cidade Flutuante, Lady Emily. A Lady Emily é uma personagem que me cativou! Uma mulher independente mesmo durante o período vitoriano na Inglaterra, que restringia o papel da mulher. Fiquei curiosa para ler mais aventuras de Lady Emily e, por isso, cheguei a And Only to Deceive (2005), ou E apenas para enganar se traduzido literalmente - os romances de Tasha Alexander, infelizmente, ainda não foram trazidos para o Brasil. Este é o primeiro livro da saga de Lady Emily que, até o momento, conta com onze livros, um conto lançado online e outro romance com data prevista de publicação em setembro de 2017.

O que me chamou a atenção na série de livros da Lady Emily, também, é que cada livro leva a protagonista - e, consequentemente, também o leitor - para um país diferente. Em Morte na Cidade Flutuante, Lady Emily está em Veneza. Em E apenas para enganar, Lady Emily inicia em Londres, mas viaja por Paris, Egito e pela Grécia Antiga.

Neste primeiro volume da saga, conhecemos Lady Emily, uma mulher jovem recém-casada que mora em Londres no final do século XIX. Seu marido, Lord Ashton, partiu em uma expedição para o Egito e até então não retornou, tendo sido declarado morto. Os dois pouco se conheciam antes do casamento, portanto Emily não sentiu tanto a perda do marido, apesar de que admitir tal fato seria uma escândalo para a sociedade. Contudo, aos poucos, Emily passa a conhecer melhor o seu marido através da leitura do seu diário e, para sua infelicidade, acaba se apaixonando por seu marido depois de morto!

Lady Emily descobre que seu marido era apaixonado por ela! Além disso, ele nutria um grande interesse em colecionar antiguidades gregas. Lord Ashton era um intelectual, dedicado a aprender tudo sobre arte, cultura e literatura, principalmente relacionados à Grécia Antiga. Lady Emily, então, como um tributo a seu marido, passa a se interessar por arte e história gregas também. Ela passa a visitar o Museu Britânico frequentemente e se aventura a ler Homero e aprender grego antigo. Seu mundo, porém, vira de cabeça para baixo quando há rumores de que um inglês, doente e debilitado, foi encontrado andando sem rumo no Egito. Seria Lord Ashton? Estaria ele vivo? Como seria o reencontro dos dois? Lord Ashton aceitaria a nova Lady Emily, independente e ávida por conhecimento? E, além de tudo, estaria Lord Ashton envolvido em um escândalo de peças antigas falsificadas?

Esta foi mais uma leitura muito prazerosa! Me envolvi com os personagens e com a trama de modo que não via a hora de poder retomar o livro para adentrar este mundo novamente! Analisando E apenas para enganar e Morte na Cidade Flutuante em perspectiva, pude perceber um grande desenvolvimento de Tasha Alexander como escritora. Os dois livros são maravilhosos, mas Morte na Cidade Flutuante, publicado sete anos depois, apresenta uma escrita mais madura e uma trama mais complexa.

Série de livros de Lady Emily
Estou muito ansiosa para ler mais uma aventura de Lady Emily. Já encomendei o segundo livro da série, A Poisoned Season (2007), que traz de volta nossos personagens adorados e, de acordo com a sinopse, envolve supostos descendentes de Luís XVI e Maria Antonieta. A promessa é grande!

Espero que vocês também se deixem levar para escrita envolvente de Tasha Alexander.

Um ótimo domingo a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda



sábado, 18 de março de 2017

"Vidro Quebrado", Alain Mabanckou

Olá, queridos leitores!

Já faz um bom tempo que não passo por aqui, mas hoje tive uma folga e resolvi compartilhar com vocês a minha última leitura! Estou fazendo parte de um workshop sobre Literatura Africana na Universidade de Amsterdam, onde temos discutido assuntos interessantíssimos. Confesso que tenho muito pouco conhecimento sobre literatura africana e este curso tem sido uma ótima oportunidade para abranger meus horizontes literários.

Alain Mabanckou
O primeiro autor com quem trabalhamos foi Alain Mabanckou, nascido em 24 de fevereiro de 1966 na República do Congo. Mabanckou já escreveu onze livros, incluindo Azul, branco, vermelho (1998), E só Deus sabe como durmo (2001) e African Psycho (2003), além de livros de poesia, ensaios e antologias. Atualmente, Mabanckou trabalha como Professor Titular de literatura francófona na Universidade de Califórnia (UCLA).

O livro de Mabanckou que lemos foi Verre Cassé, cuja tradução literal seria Vidro Quebrado - porém o livro ainda não foi traduzido para o português brasileiro. Esta obra de Mabanckou me surpreendeu temática e formalmente. Em primeiro lugar, o que me chamou a atenção foi a escrita de Mabanckou, que segue em um fluxo contínuo, sem pontos, letras maiúsculas ou parágrafos, apenas vírgulas. Há uma certa semelhança com o estilo de José Saramago. O resultado é uma explosão de frases e impressões - que chega a deixar o leitor sem fôlego! -, ainda mais por ser escrito em primeira pessoa.

Quem nos conta a história é Verre Cassé, um homem nos seus sessenta anos, que recebeu um caderno do dono do bar que costuma ir, Credit Gone West, para escrever sobre as histórias e personagens que frequentam o bar. Hesitante no início, Verre Cassé decide aceitar o desafio e passa os seus últimos dias sentado à mesa do bar, observando tudo a sua volta e escrevendo.

As histórias que Verre Cassé conta são, ao mesmo tempo, divertidas e trágicas: as controvérsias com relação à inauguração do bar, o homem que foi acusado de abusar sexualmente sua própria filha e foi levado à prisão, o homem que foi trocado pelo seu próprio filho por sua nova esposa, a competição entre um homem e uma mulher para ver quem urinava por mais tempo e com mais força, entre outras histórias de diversos personagens que passaram por Credit Gone West.

Ao mesmo tempo que Mabanckou exalta a importância da memória - daí a importância de Verre Cassé escrever sobre os ordinários frequentadores do Credit Gone West e suas vidas ordinárias -, Mabanckou, através das suas centenas de intertextualidades e referências a outras obras literárias, critica os escritores africanos que acreditam que deveria existir uma literatura africana unificada, uma literatura que falasse apenas sobre os problemas que a África enfrenta. Mabanckou elabora o seu manifesto: "e aqueles que pensam que um homem Negro não deveria falar de bétulas, de pedras, do pó, do inverno, da neve, de uma rosa, ou simplesmente da beleza pela própria beleza" (traduzido livremente por mim). O autor negro, segundo Mabanckou, não deve se limitar a falar dos preconceitos que sofre, ou da sua condição sociopolítica. O autor negro deve ser livre para escrever sobre o que quiser!

Ler Vidro Quebrado foi uma experiência e tanto para mim. Fiquei curiosa para ler mais livros de Mabanckou (fiquei fascinada pelo seu estilo de escrita) e para ler mais livros escritos por autores africanos. Durante este workshop, ainda lerei Phaswane Mpe, Marie NDiaye, Ivan Vladislavic, entre outros. Portanto, logo retorno com mais posts sobre literatura africana para vocês.

Espero que tenham gostado de conhecer Alain Mabanckou!

Um ótimo final de semana a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

domingo, 19 de fevereiro de 2017

"O Nome do Vento", Patrick Rothfuss

Olá, queridos leitores!

Sei que já faz tempo que não passo por aqui, mas não poderia deixar de compartilhar com vocês a minha última leitura (que foi sensacional!): O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss.

Eu sou simplesmente apaixonada por literatura fantástica! Desde que li O Senhor dos Anéis do mestre Tolkien quando era criança, desenvolvi uma paixão e admiração por histórias fantásticas, jornadas de heróis, criaturas mágicas e, principalmente, pelos mundos criados por esses autores. Tolkien se esmerou nos detalhes ao criar a Terra Média, tornando-a um mundo verossímil e que muita gente (incluindo eu!) daria tudo para ter a chance de visitar. Outros autores também se destacaram com a criação de universos inesquecíveis, como a Nárnia de C. S. Lewis, Westeros de George Martin e o mundo bruxo da J. K. Rowling. Depois de ler O Nome do Vento, acredito que podemos adicionar Patrick Rothfuss a essa lista!

Logo nas primeiras páginas do livro fui surpreendida com um mapa do universo criado por Rothfuss. Já fiquei super animada e ansiosa para ler o livro e conhecer os "quatro cantos da Civilização". Na minha opinião, quando o autor se dá ao trabalho de imaginar um mapa do universo que criou é sinal de que ele sabe da importância de convencer o leitor de que esse local é real. E eu me convenci da existência do universo de Rothfuss.




O Nome do Vento é o primeiro volume da série "A Crônica do Matador do Rei". Ele foi publicado pela primeira vez nos Estados Unidos em 2007 e chegou ao Brasil traduzido em 2009. O segundo volume, O Temor do Sábio, foi publicado em março de 2011 nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em novembro do mesmo ano. O terceiro e provavelmente último volume da saga, The Doors of Stone, ainda não foi publicado e ainda não tem data prevista de publicação (levando muitos fãs à loucura!).

O primeiro livro nos apresenta ao protagonista, Kote, dono da taverna Waystone Inn. Kote parece ser apenas um homem qualquer, mas logo descobrimos que ele é muito mais do que isso. Ele é, na verdade, Kvothe, o lendário matador do rei. Quando um coletor de histórias chega à taverna em busca da história de Kvothe, ele decide contar a sua versão da história da sua vida, tão envolta por rumores e mentiras. Kvothe diz ao cronista que precisará de três dias para contar a sua história. E o primeiro livro da saga é apenas o primeiro destes três dias!

Ele conta como foi a sua infância em uma trupe de teatro, sua relação com os pais, atores populares, como foi parar nas ruas de uma grande cidade, como chegou à Universidade e, principalmente, como chegou a ser Kvothe, o lendário.




Eu simplesmente adorei o início e o final do livro. Confesso que partes do meio, quando Kvothe está na Universidade, se desenrolaram demasiadamente. Sei que muitos leitores gostaram de ler sobre esta fase da vida de Kvothe, suas amizades na Universidade, os professores, disciplinas e aulas. A meu ver, é nesta seção do livro que O Nome do Vento se torna parecido com outros diversos romances para jovens adultos: o protagonista se encontra em uma escola onde aprende com mestres os segredos da magia. Não é que a leitura desta parte do livro não seja agradável, pelo contrário! Mas ela se arrasta por muitas páginas. Acredito que ela poderia ser reduzida sem comprometer a totalidade do livro. No entanto, os capítulos em que Kvothe conta sobre a trupe itinerante da sua família e as suas aventuras nos bares e tavernas de Imre são simplesmente sensacionais!

Acabei de terminar o primeiro livro e estou super curiosa para ler o próximo volume da saga, principalmente porque Kvothe irá falar sobre as suas aventuras como um jovem adulto e sua busca por vingança. Devo começar a leitura de O Temor do Sábio muito em breve!

Há ótimas notícias para os fãs de "A Crônica do Matador do Rei": é bem possível que ela se torne uma série de TV! O autor Patrick Rothfuss já havia comentado na internet que não tinha interesse em transformar os seus livros em filme, porque, já que sua história foca nos personagens e suas relações, um filme não seria suficiente para abordar a profundidade da trama. Porém, ele consegue imaginar sua saga se tornando uma série televisiva! Quem está encarregado dessa adaptação é a produtora Lionsgate, que já está recrutando profissionais para fazerem parte do time. Infelizmente, ainda não há muita informação sobre o processo de adaptação da saga. O que nos resta é aguardar ansiosamente pelo resultado!

Patrick Rothfuss
Patrick Rothfuss, o autor dos livros, nasceu em Wisconsin, Estados Unidos, em 1973. A série "A Crônica do Matador do Rei" é sua estreia no mercado editorial. O primeiro livro, O Nome do Vento, foi sucesso de vendas e recebeu diversos prêmios, incluindo o Quil Award em 2007 e Best Book of the Year da Publisher's Weekly na categoria ficção de fantasia ou horror em 2007. Com certeza acompanharei a trajetória deste autor. Estou curiosa para ver o que mais Rothfuss tem preparado para nós, leitores!

Espero que vocês tenham gostado desta dica de literatura fantástica.
Uma ótima semana a todos e, claro, ótimas leituras!

Fernanda

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Retrospectiva Literária - 2016

Boa noite, queridos leitores!

O ano de 2017 já está a todo vapor, mas ainda há tempo de olhar para as leituras de 2016 e montar a nossa retrospectiva literária do ano que já passou! Ao retomar minhas leituras, percebi que li muitos livros obrigatórios para a universidade (que também são prazerosos!), mas poucos livros de minha própria escolha! Por isso, neste ano decidi dar mais espaço aos livros que escolho ao passar por uma livraria ou ao navegar em um site, como dicas de blogs de literatura ou sites de venda de livros. Afinal, não há nada melhor do que sair de uma livraria com um livro novo e ir para casa para lê-lo imediatamente! Normalmente, os livros que compro vão para o final da minha lista de leitura e acabam não sendo lidos por muuuuito tempo! Está na hora de bagunçar essa lista e rever minhas prioridades!

De qualquer maneira, o ano de 2016 trouxe muitas surpresas literárias agradáveis. Trago para vocês, então, os dez livros que mais me encantaram ou chamaram minha atenção no ano passado:


Em décimo lugar, escolhi Ligações Perigosas, do francês Choderlos de Laclos. Publicado em 1782, poucos anos antes da eclosão da Revolução Francesa, este livro composto unicamente por cartas retrata a já em decadência elite francesa do século XVIII, seus luxos, vícios e tramas amorosas. O romance epistolar foi adaptado para a televisão em uma minissérie da Rede Globo que a reconstrói no Brasil da década de 1920 com Selton Mello no papel de Valmont.
Eu simplesmente me encantei com a minissérie, que me levou a ler o livro. Confesso que a leitura pode se tornar um pouco maçante pelo fato de a trama se desenrolar totalmente através de cartas, mas o enredo vale a pena, ainda mais se levarmos em consideração o contexto de produção da obra!

Para quem perdeu a resenha, ela pode ser acessada aqui.



Para a nona colocação, escolhi O Cortiço, de Aluísio Azevedo. De vez em quando gosto de ler literatura brasileira, principalmente do século XIX, para ser transportada ao Brasil de outrora e me imaginar naquele tempo. O Cortiço me proporcionou isso! Publicado em 1890, o romance - inspirado pelo movimento realista na França - nos leva para o Rio de Janeiro de fin-de-siècle e nos apresenta aos diversos personagens que moravam no cortiço em uma zona menos favorecida da cidade. O leitor mergulha de cabeça nas fofocas do cortiço e nas relações dos personagens. Uma experiência de leitura única!

A resenha pode ser acessada aqui.



Confissões de um Pecador Justificado, de James Hogg, é a minha escolha para a oitava colocação. Esta foi uma das leituras obrigatórias para o meu curso "Transformação Góticas". Não conhecia o trabalho de Hogg e me surpreendi com esse romance perturbador. Publicado em 1824, este romance da literatura escocesa é dividido em duas partes. A primeira parte é escrita pelo editor, que reconta a sua versão da história em terceira pessoa, e a segunda parte é escrita pelo próprio pecador em primeira pessoa, que confessa seus crimes odiosos, principalmente contra o seu meio-irmão, e sua relação com um ser maligno. 

Eu ainda não tive tempo de escrever sobre esta obra aqui no blog, mas em breve compartilharei com vocês mais detalhes desta história sombria. Aguardem!


Em sétimo lugar, selecionei uma das grandes surpresas de 2016: O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams. Por muito tempo olhei para esta série de livros com desconfiança. Sabia que muitas pessoas são fãs das histórias de Adams, mas tinha a sensação de que não iria gostar da leitura. Por fim, comprei o primeiro volume em uma promoção e o trouxe para a Holanda na minha viagem em setembro para completar uma desafio literário, que era ler um livro de ficção científica. Eis que me juntei ao Clube do Livro da Universidade de Leiden, onde estudo, e o livro escolhido como primeira leitura do clube foi qual? Este mesmo, O Guia do Mochileiro das Galáxias! Sabia que era hora de ler o livro, já havia recebido sinais demais! E me surpreendi muito! Me diverti demais com os personagens e com a absurdidade da narrativa. Estou ansiosa para ler os próximos livros da série!

Ainda não escrevi a resenha deste livro, mas a farei assim que possível! Neste ínterim, não deixem de ler o livro!



Na sexta posição está A Filha da Feiticeira, de Paula Brackston. Eu sou apaixonada por histórias de bruxos, desde Harry Potter à Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira. Histórias envoltas por magia me fascinam desde criança, e o livro de Brackston me encantou ainda mais por mesclar duas narrativas: uma em 2007 e a outra em 1628. De uma maneira, as duas narrativas se encontram no final. É uma leitura rápida, prazerosa e mágica!

Para quem quiser reler a resenha, ela pode ser acessada aqui.



Em quinto lugar, escolhi A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, de Washington Irving. Esta não foi a primeira vez em que li a novela de Irving. No início de 2016, ministrei aulas durante o estágio docente na UFSC na disciplina da "Literatura e Cinema" para o curso de Letras, e esta foi uma das leituras escolhidas por mim para discussão em sala, além do filme estrelado por Johnny Depp. Este conto é simplesmente fantástico (nos dois sentidos da palavra!) e me cativou ainda mais durante essa segunda leitura. A história do professor que chega a Sleepy Hollow e enfrenta o mistério do cavaleiro sem cabeça vai te encantar (e arrepiar!) também!

Para a resenha, clique aqui.



Em quarto lugar está Pollyanna, de Eleanor H. Porter. Esta tampouco é a primeira vez que leio Pollyanna. O ano de 2016 teve algumas releituras. Não é algo que faço com frequência, mas é interessante verificar como a sua percepção de certa obra muda (ou não) com o tempo, já que você como pessoa já não é mais a mesma. Pollyanna foi um dos primeiros livros que li e me lembrava de que o romance tinha me marcado bastante, porém recordava muito pouco do enredo. Normalmente, as sensações durante a leitura marcam mais do que a trama em si. Esta segunda leitura refrescou os detalhes em minha mente e me emocionou mais uma vez. São poucos os livros que me fazem chorar, mas Pollyanna foi um desses.

Para acessar a resenha, clique aqui.



Chegando ao pódio literário, em terceiro lugar escolhi Inferno, de Dan Brown. Eu sou fã de Dan Brown e de seus romances sensacionalistas que combinam história, suspense e o desvendar de mensagens secretas. Desde O Código da Vinci tenho me fascinado com a habilidade de Brown de escrever romances tão envolventes. Ao saber que a adaptação cinematográfica de Inferno estava a caminho, resolvi ler o livro, e não me decepcionei com esta nova aventura de Robert Langdon, que está em Florença para desvendar um mistério por trás de A Divida Comédia, de Dante Alighieri, e salvar o mundo de um vírus terrível!

Ainda não tive tempo de escrever sobre esta aventura de Dan Brown aqui no blog, mas pretendo compartilhar mais detalhes das minha impressões por aqui logo, logo!



Em segundo lugar, escolhi a fantástica saga A Guerra dos Tronos. Simplesmente apaixonada pela série da HBO, iniciei neste ano a leitura dos livros de George Martin, que deram origem à série. Em 2016, li os dois primeiros volumes. Mesmo sendo livros grossos, a leitura é tão envolvente que as páginas acabam não sendo suficientes! Ainda bem que ainda tenho mais três livros (por enquanto, até a publicação dos sexto e sétimo volumes!) para me transportar para o universo pseudo-medieval de Westeros!

Para a resenha do primeiro volume da saga, clique aqui.



E, finalmente, o troféu de ouro de 2016 vai para outra grande surpresa: Sociedade dos Meninos Gênios, de Lev AC Rosen. Este foi um livro que havia me chamado a atenção pela capa em uma livraria e pelo fato de a trama se passar na Inglaterra Vitoriana, meu período histórico preferido! Além disso, o livro faz referências textuais a Shakespeare e Oscar Wilde! Violent Adams é uma garota que deve se passar por um menino (olha Shakespeare e Noite de Reis aí!!) para entrar em uma prestigiosa escola de Londres, onde ela prova ser mais inteligente do que a maioria dos garotos.
Esta é uma leitura cativante! Violet é uma ótima personagem, Rosen descreve o seu mundo com perspicácia, além de criticar o papel relegado à mulher na Inglaterra do século XIX.

Ainda não tive tempo para escrever sobre este livro maravilhoso aqui no blog, mas o menciono rapidinho no post referente ao calendário literário do mês de julho de 2016, que pode ser acessado aqui.


Aí estão as minhas leituras preferidas de 2016! Espero que vocês tenham gostado e vamos fazer de 2017 um ano de leituras ainda mais espetacular!

Um ano novo maravilhoso a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

"Morte na Cidade Flutuante", Tasha Alexander

Boa noite, queridos leitores!

Hoje venho compartilhar com vocês a minha primeira leitura do ano de 2017, que, por sinal, terminei há apenas alguns minutos! Ainda estou completamente envolvida com essa leitura maravilhosa, não poderia ter começado o ano de maneira melhor, literariamente falando!

Como escrevi no post anterior, passei a virada do ano em Veneza, cidade fantástica! Suas ruelas, canais, gondoleiros e máscaras são uma boa inspiração para ótimas histórias. Aliás, até escrevi um conto depois da viagem de tão envolvida que fiquei com a cidade e sua magia! Mas este é um assunto para outro post!

Veneza À noite

Em minha visita ao Palácio Ducal em Veneza - um edifício sensacional de arquitetura gótica, sede do poder da República de Veneza, e construído em 1309 e 1424 - fiz uma parada na loja do museu ao final da visita. Eu simplesmente amo lojas de museu, pois ali você pode encontrar livros que não encontraria com facilidade em livrarias comuns! Com o intuito de escolher uma leitura através da qual eu pudesse me imergir na história de Veneza, comprei dois títulos: The Aspern Papers (1888), escrito por Henry James, um dos meus escritores preferidos, e Death in the Floating City (2012), de Tasha Alexander. Confesso que nunca havia ouvido falar sobre esta escritora, mas me deixei levar pela capa e sinopse do livro: um romance policial em Veneza envolvendo um manuscrito do século XV e Lady Emily como investigadora. Me conquistou na hora!


Palácio Ducal em Veneza

Voltei para o hotel e iniciei a leitura de imediato. Depois de tantas leituras pesadas durante o semestre de mestrado em estudos literários, estava realmente precisando de uma leitura leve e envolvente, e Tasha Alexander me proporcionou justamente isso!

Lady Emily e seu marido Colin Hargreaves são chamados a Veneza pela inimiga de infância de Emily, Emma, para resolver o assassinato do seu sogro. As duas têm que superar a inimizade do passado para resolverem este mistério juntas. O que Emily não esperava, mas acaba tornando a investigação ainda mais curiosa, é que o assassinato do Signor Barozzi pode estar relacionado a uma triste história de amor relatada por um manuscrito preservado do século XV.

Os capítulos do livro são intercalados entre o presente e um trecho do manuscrito, fazendo com que o próprio leitor junte as peças do quebra-cabeça e relacione informações do passado com os eventos do presente.

As investigações levam Lady Emily pelos canais e ruelas de Veneza com a ajuda de Signor Caravello e sua filha Donata, donos de uma livraria e dotados de uma inteligência excepcional.

Death in the Floating City, ou Morte na Cidade Flutuante se fosse traduzido literalmente, ainda não foi traduzido para o português. Este é o sétimos volume da saga de mistérios investigados por Lady Emily. Eu estou muito curiosa para ler os outros romances da saga - eles não são continuação uns dos outros necessariamente e podem ser lidos separadamente - e já encomendei o primeiro livro, intitulado And Only to Deceive (2005), que se passa em Londres! Os outros volumes da saga são, cronologicamente: A Poisoned Season (2007), A Fatal Waltz (2008), Tears of Pearl (2009). Dangerous to Know (2010), A Crimson Warning (2010), Death in the Floating City (2012), Behind the Shattered Glass (2013), The Counterfeit Heiress (2014), Star of the East (2014), The Adventuress (2015), That Silent Night (2015) e A Terrible Beauty (2016).

Esta coleção de livros foi escrita por Tasha Alexander, norte-americana nascida em 1 de dezembro de 1969. Ela estudou Inglês e Estudos Medievais na Universidade de Notre Dame. Além as saga de mistérios da Lady Emily, Tasha também escreveu Elizabeth: the Golden Age (2007), baseado no filme de mesmo nome dirigido por Shekhar Kapur, também em 2007.

Tasha Alexander

Death in the Floating City foi uma deliciosa surpresa! Estou ansiosa para ler mais mistérios de Lady Emily!

Uma ótima noite a todos e ótimas leituras!

Fernanda

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

"Zona Morta", Stephen King

Boa noite, queridos leitores!

Primeiramente, feliz ano novo! Espero que 2017 seja repleto de realizações, experiências maravilhosas e leituras inesquecíveis!
Eu inicio o novo ano em grande estilo, escrevendo de Veneza, na Itália! Cidade dos sonhos, que inspirou diversas histórias, incluindo a minha leitura atual, mas este é um assunto para outro post!

O meu primeiro post de 2017 é sobre a minha última leitura de 2016: A Zona Morta, ou The Dead Zone no original, de Stephen King. Esta foi uma leitura obrigatória para um curso que fiz neste último semestre intitulado "Gothic Transformations" durante o meu Research Master in Literary Studies na Universidade de Leiden na Holanda. Este curso foi sensacional e me rendeu ótimas leituras, sobre as quais ainda não tive tempo de escrever aqui no blog. Porém, como tenho um período sem aulas agora, poderei dedicar mais tempo a escrever por aqui!

Stephen King já estava na minha lista de leituras há muito tempo. Tenho o primeiro livro da saga A Torre Negra em casa (que, por sinal, vai virar filme este ano!), mas nunca tive a oportunidade/iniciativa de começar a ler. Nunca imaginei que minha iniciação a Stephen King seria com Zona Morta, mas foi uma boa leitura.

Confesso que esperava mais de King! O livro se arrasta por mais de 580 páginas quando, na minha opinião, a história poderia ter se desenrolado em muito menos. A premissa do livro é bem interessante (e bem "Kingiana"): um jovem professor de inglês sofre um acidente de carro que o deixa em coma por quatro anos e meio. Ninguém esperava sua recuperação, mas eis que ele acorda todo esse tempo depois. Além de lidar com o fato de que quatro anos e meio da sua vida foram "desperdiçados" (muitas coisas mudaram durante este período, tanto na esfera política mundial como na sua esfera familiar), John Smith percebe que voltou à vida com um dom - ou maldição - de perceber o futuro.

Ao tocar a mão de um candidato à Câmara dos Representantes nos Estados Unidos, John sente uma premonição horrível. O que Johnny sente, eu não vou revelar! Você, leitor, terá que ler para descobrir! Você também deverá ler esse romance de King para descobrir como e se Johnny decide agir para modificar o futuro.


De uma maneira geral, a leitura foi prazerosa. Um tanto arrastada, mas definitivamente positiva. Fiquei curiosa para ler outros livros de King. Já que o autor é tão adorado por tantos fãs, deve haver algo de especial na sua escrita, não acham? Eu estou disposta a procurar mais a fundo!

Zona Morta foi publicado pela primeira vez em 1979. Mesmo tendo chegado às livrarias quase quarenta anos atrás, este livro ainda permanece muito atual! Principalmente dadas as circunstâncias políticas atuais! Quais as consequências de grandes poderes nas mãos de um só indivíduo?

Filme de 1983
Em 1983, quatro anos depois da data de publicação, o livro foi adaptado para o cinema com direção de David Cronenberg e Christopher Walken no papel de John Smith. Gosto muito de Walken como ator, mas ele não me convenceu como Johnny. Devido às proporções do livro de King, a adaptação teve que cortar certas partes do livro, inevitavelmente, incluindo as cenas de Johnny e Sarah no parque de diversões. Esta decisão me desapontou, pois, a meu ver, é uma das partes mais interessantes da trama! De qualquer forma, o filme vale a pena ser visto, principalmente por quem leu a história de King!

Este livro também foi adaptado para uma série de televisão em 2002 com Anthony Michael Hall como Johnny. A série foi ao ar por seis temporadas e teve 80 episódios ao total. Eu ainda não tive a oportunidade de assistir a série, mas estou curiosa para conferir o resultado!

Série de televisão baseada no livro de King

Stephen King, autor de Zona Morta, nasceu em 21 de setembro de 1947 e está atualmente com 69 anos. King é um autor super prolixo, já escreveu 54 livros e mais de duzentos contos! Seus livros já venderam mais de 350 milhões de cópias no mundo todo, sendo um dos escritores mais bem-sucedidos da atualidade. Sua escrita tem atraído milhões de fãs e por isso sempre tive curiosidade de ler suas obras. Zona Morta foi só um aperitivo, espero ler mais de King nos próximos anos!

Stephen King

Uma ótima semana e ótimo início de todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda