domingo, 26 de junho de 2016

"O Jardim Secreto", Frances Hodgson Burnett

Olá, pessoal!

Hoje venho compartilhar com vocês uma leitura muito especial. Esta é uma das histórias que encantou minha infância, tornando-a, com certeza, mais mágica. Alguém se lembra de Mary Lennox? Quando crianças, eu e minha irmã brincávamos que éramos irmãs Lennox e perambulávamos pela casa, imaginando-a uma mansão de muitos quartos, a procura de um cômodo secreto. Infelizmente, não encontramos nenhum jardim secreto, mas o encantamento por trás desta história nos acompanhou até os dias de hoje.

Meu primeiro contato com a história de Frances Hodgson Burnett foi através do filme de 1993, dirigido por Agnieszka Holland e com Kate Maberly no papel de Mary. Aliás, este filme - juntamente com O Encanto das Fadas, era item certeiro dos nossos finais de semana em casa. Quando soube que o filme havia sido baseado em um romance, tive muita vontade de lê-lo! Li a versão em português alguns anos atrás, e recentemente li a versão em inglês, devido ao desafio literário do mês de maio, que consistia em ler um livro infanto-juvenil.

Reler O Jardim Secreto foi uma experiência maravilhosa! Sabem aqueles medos que temos quando queremos reler um livro que nos foi muito especial na infância? Aquele receio de que o livro não será tão especial como foi um dia? Pois isto não aconteceu com O Jardim Secreto! Mesmo sabendo a trama de cor, me encantei com as descobertas de Mary e com a magia tomando conta das crianças e, mais tarde, dos adultos, transformando a vida de todos!



Para quem ainda não conhece a história, O Jardim Secreto narra as aventuras de Mary Lennox, uma menina de dez anos magra e rabugenta, que nasceu na Índia. Depois de um surto de cólera, seus pais morrem e, órfã, Mary é levada para a Inglaterra para morar com seu tio em uma mansão em Yorkshire. Seu tio, cuja bela esposa morreu muito jovem, é sério e melancólico, e não deseja ser perturbado por Mary. Mary tem o cuidado da jovem Martha, que a encoraja a sair de casa e explorar os jardins da mansão. É aí que Mary descobre um jardim secreto, trancado há dez anos. Juntamente com Dickon, irmão de Martha, e Colin, seu primo doente, Mary faz de tudo para trazer o jardim abandonado de volta à vida. O que ela não esperava é que outras pessoas seriam trazidas de volta à vida juntamente com o jardim.

Para as crianças, o jardim secreto é envolto em magia. A magia, a meu ver, em O Jardim Secreto, vai muito além de feitiços ou encantamentos, tanto que cada personagem dá a esta crença o nome que quiser. As crianças a chamam de magia, Dickon chama de Deus, e a Sra. Sowerby de fé. De qualquer forma, a magia é a crença em algo superior e bondoso, que toma conta de seu corpo e pensamentos, da natureza e outros seres, banindo o mal e trazendo felicidade e contentamento. Não é lindo?



O Jardim Secreto é uma história de superação, renascimento e homenagem à vida. Ele nos ensina a buscar essa "magia" no nosso dia-a-dia. Precisamos cuidar de nossas vidas como cuidamos de um jardim: com carinho, dedicação e removendo as ervas daninhas. Percebemos quão prejudiciais pensamentos negativos podem ser, e, ao mesmo tempo, aprendemos o poder de pensamentos positivos.


Escolhi um trecho do livro que me pareceu muito especial para ilustrar esta fantástica história:


"One of the strange things about living in the world is that it is only now and then one is quite sure one is going to live forever and ever and ever. One knows it sometimes when one gets up at the tender solemn dawn-time and goes out and stands alone and throws one's head far back and looks up and up and watches the pale sky slowly changing and flushing and marvelos unknown things happening until the East almost makes one cry out and one's heart stands still at the strange unchanging majesty of the rising of the sun - which has been happening every morning for thousands and thousands and thousands of years. One knows it then for a moment or so." (p. 256)


Frances Hodgson Burnett


O Jardim Secreto foi publicado pela primeira vez nos Estados Unidos em formato serial em 1910 e publicado como livro em 1911 em Nova York e Londres. Frances Hodgson Burnett nasceu em 24 de novembro de 1849 na Inglaterra. Em 1865, depois da morte de seu pai, sua família imigrou para os Estados Unidos, onde Frances morou por muitos anos. Frances casou-se com Swan Burnett em 1872 e com o marido morou em Paris por dois anos, onde tiveram dois filhos, antes de retornar aos EUA, onde se fixaram em Washington D.C. Em 1898, os dois se divorciaram. Frances casou-se novamente em 1900, mas se divorciou outra vez dois anos mais tarde. Frances morreu em 1924 aos 74 anos de idade.


No final dos anos 1890, Frances morou por quase dez anos em Great Maytham Hall, uma mansão em Kent, Inglaterra, antes de voltar aos Estados Unidos em 1902. Este local inspirou a criação de O Jardim Secreto, principalmente o jardim fechado que fazia parte da propriedade em Kent. Great Maytham Hall é simplesmente fabuloso! Eu iria amar passar uma temporada nesta linda casa e explorar os magníficos jardins. Não é a toa que Frances criou uma história tão encantadora após ter passado tanto tempo morando neste lugar incrível! Atualmente, é possível visitar o local. Mais informações podem ser encontradas neste site.

Great Maytham Hall

A primeira adaptação cinematográfica de O Jardim Secreto foi feita em 1919, porém este filme, infelizmente, se perdeu. Em 1975 a BBC fez uma série em sete partes. Duas versões muito conhecidas são as de 1993, que comentei anteriormente, e a versão em desenho animado de 1994. Também me lembro de ter assistido a este desenho diversas vezes quando criança! Mais recentemente, uma notícia quentíssima me deixou muito animada: o produtor e diretor de alguns filmes da saga Harry Potter, David Yates, vai dirigir uma nova versão de O Jardim Secreto. Por enquanto, ainda não há muitos detalhes disponíveis sobre a produção. Nos resta esperar ansiosamente!

Filme de 1993


Espero que tenham gostado desta publicação sobre um dos meus livros preferidos, considerado por muitos um dos melhores livros infanto-juvenis do século XX. Quem ainda não conhece Mary Lennox, Dickon, Colin e o jardim secreto, tenho certeza que vai se encantar também com esta história mágica!

Um ótimo domingo a todos e, claro, ótimas leituras!

Fernanda

sexta-feira, 17 de junho de 2016

"O Cortiço", Aluísio Azevedo

Olá, pessoal!

Eu venho aqui (com um terrível atraso!) compartilhar a minha experiência lendo O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Esta leitura fez parte do desafio literário de abril, que era ler um livro nacional. Este livro já estava na minha lista de leituras há muuuito tempo! Desde o período de faculdade, quando um grupo apresentou um trabalho sobre este livro e me instigou! Pois fim, eis que o desafio literário de abril me fez cumprir a minha promessa pessoal de ler este livro.

O Cortiço foi escrito por Aluísio Azevedo e publicado pela primeira vez em 1890. Influenciado pelos franceses Émile Zola e Gustave Flaubert, Azevedo trouxe para o Brasil uma vertente do realismo chamada de naturalismo. Inspirados pelos novos conhecimentos científicos de fins do século XIX, os romances naturalistas partiam do pressuposto de que o homem é definido pelo meio em que vive. Ademais, os romances naturalistas esbanjavam linguagem coloquial falada - bastante inovador para a época -, e tratavam de temas como sexo, sordidez humana, violência, loucura, etc.

O Cortiço é um retrato da área menos favorecida no Rio de Janeiro de fins de século XIX. Os personagens que habitam o cortiço do João Romão, português que vivia com uma mulata brasileira, personificam diversos desses temas, como a mulata sensual Rita Baiana, o agressivo Firmo, a prostituta Léonie, a recatada Pombinha que mais tarde se entrega à prostituição, as lavadeiras, o português trabalhador Jerônimo que se deixa seduzir por Rita e acaba em perdição, sua mulher Piedade que se entrega ao alcoolismo após ser abandonada... enfim, uma grande miríade de personagens!

Personagens de O Cortiço

Ao mesmo tempo que estes personagens moram no cortiço, há um contraponto destes com os moradores do sobrado de Miranda, erguido junto à parede do cortiço. Miranda é um português que veio fazer fortuna no Brasil com sua esposa infiel Dona Estela e sua filha Zulmira. Ele recebe o título de barão e faz inveja ao seu vizinho, João Romão, que, apesar de rico, não participa da alta sociedade e nem recebe títulos nobres como Miranda. Cresce, então, uma disputa entre os dois portugueses.

Conforme os personagens vão se inter-relacionando, a trama vai ficando mais interessante e sórdida. Jerônimo se apaixona por Rita, deixando Firmo enciumado e abandonando sua mulher Piedade. Firmo, como vingança, agride Jerônimo. Pombinha se casa com o seu pretendente, mas percebe que prefere a vida de prostituta rica da sua protetora Léonie. João Romão pretende se casar com a filha do Miranda, Zulmira, para se apossar da fortuna de Miranda, mas, para isso, deve se livrar de Bertoleza, a mulata ex-escrava com quem viveu muitos anos.




Aos poucos, percebemos que os personagens perdem sua individualidade e se tornam um todo. Juntos, eles formam o cortiço, que poderíamos dizer ser o personagem principal desta trama, que dá título ao livro.


Confesso que ao iniciar a leitura, me senti um pouco desapontada, pois esperava mais de O Cortiço. No entanto, o leitor precisa de um tempo para se acostumar aos tantos nomes dos moradores e suas características, seus desejos e medos, para que, enfim, se possa tirar maior proveito da leitura. Assim que me vi envolvida com as tramas e sub-tramas deste intricado universo, me prendi de tal modo aos personagens que gostaria de saber como continuaram as vidas de cada um após a última página.

Um ponto muito positivo da escrita de Azevedo, mas que pode gerar certo estranhamento e desconforto proposital ao leitor, é a maneira como ele descreve lugares e pessoas sem rebuscamento ou idealizações, mas de forma nua e crua. As comparações e metáforas utilizadas por Azevedo são simplesmente sensacionais. Escolhi aqui um trecho como forma de ilustração. Neste momento do romance, Piedade - sem dinheiro e sem a ajuda do marido que a desertou - se mudou com a filha para o cortiço vizinho, chamado "Cabeça-de-Gato":

"E a mísera, sem chorar, foi refugiar-se, junto com a filha, no 'Cabeça-de-Gato' que, à proporção que o São Romão se engrandecia, mais e mais ia-se rebaixando acanalhado, fazendo-se cada vez mais torpe, mais abjeto, mais cortiço, vivendo satisfeito do lixo e da salsugem que o outro rejeitava, como se todo o seu ideal fosse conservar inalterável, para sempre, o verdadeiro tipo da estalagem fluminense, a legítima, a legendária; aquela em que há um samba e um rolo por noite; aquela em que se matam homens sem a polícia descobrir os assassinos; viveiro de larvas sensuais em que irmãos dormem misturados com as irmãs na mesma lama; paraíso de vermes; brejo de lodo quente e fumegante, de onde brota a vida brutalmente, como de uma podridão" (p. 217)




É preciso dizer mais?

Aluísio Azevedo
Aluísio Azevedo nasceu em São Luís, Maranhão, em 14 de abril de 1857, e morreu na Argentina em 21 de janeiro de 1913, aos 55 anos. Além de escritor, Azevedo trabalhou como jornalista, desenhista, pintor, caricaturista e diplomata. Em 1876, ele mudou-se para o Rio, onde estudou na Academia Imperial de Belas-Artes. Seu primeiro livro publicado foi Uma Lágrima de Mulher, em 1879. Em 1881 publicou O Mulato, livro que escandalizou a sociedade com o seu retrato nu e cru da escravidão no Brasil, deixando transparecer o seu ideal abolicionista; mas sua principal obra foi O Cortiço, que também causou furor na sociedade de fins do século XIX.

O Cortiço já foi adaptado para o teatro diversas vezes e em 1978 para o cinema com Betty Faria, Armando Bógus, Mário Gomes e Beatriz Segall. Ainda não tive a oportunidade de assistir a este filme, mas tenho muito curiosidade em ver como o diretor adaptou esta intricada trama de Azevedo, se bem que o romance é repleto de sub-tramas, o que daria uma boa telenovela!


Filme de 1978


Um ótimo final de semana a todos e ótimas leituras!

Fernanda


Calendário Literário - Junho

Bom dia, queridos leitores!


Peço desculpas por este hiato de um mês nas publicações do blog, minha vida tem estado uma loucura! Minha defesa de mestrado está marcada para o mês de agosto e, por isso, tenho estado mergulhada neste projeto. Porém, como toda leitora de carteirinha que se preze, eu não abandonei as minhas leituras prazerosas, apenas não tenho tido tempo para compartilhá-las com vocês por aqui. Aos poucos, vou deixando tudo em ordem! :)


Já estamos em meados de junho, mas o desafio literário deste mês já começou! Lembrando que estou seguindo o Calendário Literário 2016 criado por Vitor Martins. Quem tiver interesse, pode acessá-lo clicando aqui.


O desafio do mês de junho, como não poderia deixar de ser, é ler um romance! Confesso que este não é o meu gênero literário favorito. Até mesmo passando por minhas estantes de livros, é difícil encontrar algum! Como os leitores que acompanham o meu blog devem ter percebido, eu sou fã de fantasia, histórias sobrenaturais, romances históricos e aventuras medievais!

Porém, o objetivo do Calendário Literário é justamente este: nos apresentar a leituras que normalmente não faríamos, deixando a nossa zona de conforto e, muitas vezes, descobrindo agradáveis surpresas no percurso.

Por isso, fiz a minha escolha! A minha leitura para o desafio literário do mês de junho será O Beijo de Chocolate, da escritora norte-americana Laura Florand. As primeiras linhas da sinopse na contracapa do livro já me fisgaram:

"Na pequena Île Saint-Louis, no coração da romântica Paris, esconde-se uma casa de chá especial e mágica: La Maison de Sorcières. As tias Aja e Geneviève confiaram em sua jovem sobrinha Magalie para ajudá-las na empreitada de encantar os clientes com doces e bebidas que são literalmente feitiços - em especial, o inexplicável chocolate quente de Magalie"

Paris? Casa de chá? Magia? Chocolate quente? Estou dentro!

Estou bastante animada com esta leitura, que normalmente não seria a minha escolhida, já que tenho tantos outros livros na fila de leitura há muito mais tempo. Mas são essas aventuras inesperadas que tornam a leitura ainda mais prazerosa!



Logo que tiver um tempinho, venho aqui para compartilhar com vocês minhas experiências lendo este e outros livros, como O Cortiço, de Aluísio Azevedo, que fez parte do desafio de abril, e O Jardim Secreto, que fez parte do desafio de maio.

Uma ótima sexta-feira a todos e ótimas leituras!

Fernanda

segunda-feira, 16 de maio de 2016

"Pollyanna", Eleanor H. Porter

Bom dia, queridos leitores!


Estou devendo muitas resenhas para o blog, mas espero conseguir colocar tudo em dia aos poucos!


O post que trago hoje para vocês é resultado do desafio literário de maio, que consistiu em ler um livro escrito por uma mulher. Como expliquei no post dedicado ao desafio (quem quiser relê-lo pode acessá-lo aqui), achei esta uma ótima oportunidade para reler um livro que me encantou em minha infância. Na verdade, se não me engano, este foi o primeiro livro mais "longo" que li quando criança. Minha transição de livros infantis para livros infanto-juvenis.

O livro a que me refiro é o inigualável Pollyanna, clássico da literatura infanto-juvenil, de Eleanor H. Porter. Devo dizer que minha releitura do romance não afetou a marca que a primeira leitura havia deixado em mim mais de dez anos atrás. Pelo contrário, ainda intensificou esta impressão! Antes de mim, minha mãe já havia lido o romance quando era criança e havia se encantado. Foi ela quem me sugeriu a leitura deste clássico naquela época. E hoje, ela, também, releu o livro, e ambas estamos novamente apaixonadas pela doce Pollyanna.



Viajar pelos escritos de Eleanor H. Porter foi como viajar no tempo e me reencontrar com a minha infância. Pollyanna nos conta a história da meiga garota que dá nome ao livro, que, após a morte dos pais, vai morar com a sua tia Polly em uma enorme casa no campo. Tia Polly é uma mulher solteira e austera, que nunca se imaginou cuidando de uma criança. Porém, Pollyanna tem amigos na casa, como o jardineiro e a empregada Nancy, e logo faz amizade por todo o bairro.




Pollyanna é uma otimista incurável, e mesmo nos momentos mais difíceis, ela consegue reverter a situação, jogando o "jogo do contente", que havia aprendido com seu pai. O jogo consiste em sempre procurar o lado positivo de uma situação, mesmo que ela pareça não ter nenhum lado bom! Pollyanna vai disseminando sua alegria e seu jogo do contente por toda a vila, até Tia Polly se deixa contaminar. Porém, algo muito triste acontece a Pollyanna, e é hora de todos aqueles que a garota havia ajudado antes se mobilizarem para encorajar a pobre menina a jogar, ela mesma, o jogo do contente.


Eleanor H. Porter
Pollyanna foi publicado pela primeira vez em 1913, um ano antes de eclodir a Primeira Guerra Mundial, período em que crianças e adultos poderiam se apoiar em Pollyanna e seu jogo do contente para enfrentar as atrocidades da guerra. Eleanor H. Porter nasceu em 19 de dezembro de 1896 nos Estados Unidos, e morreu em 21 de maio de 1920, aos 51 anos. Eleanor foi cantora antes de se tornar escritora. Eleanor publicou diversos livros e contos, em especial romances infanto-juvenis. Sua principal e mais conhecida obra é Pollyanna (1913), mas também publicou outros livros de relativo sucesso, como Miss Billy (1911), A Decisão de Miss Billy (1912), Miss Billy Casada (1914) e a continuação de Pollyanna, Pollyanna Moça (1915). Eu comprei Pollyanna Moça em uma promoção recentemente e logo, logo pretendo ler o livro!

Pollyanna já foi adaptado para o cinema diversas vezes, entre as principais adaptações estão o filme mudo de 1920 com Mary Pickford como protagonista, a versão da Disney de 1960 com Hayley Mills como Pollyanna, e uma versão mais recente, de 2003, um filme para televisão com a atriz Georgina Terry no papel principal. Ainda não assisti nenhum desses filme, mas pretendo fazer uma maratona cinematográfica Pollyanna muito em breve!

Filme de 1920

Filme de 1960

Filme de 2003

Quem ainda não teve a oportunidade de ler este clássico da literatura infanto-juvenil, não perca mais tempo e deixe-se emocionar com a doce Pollyanna e seu jogo do contente. É uma leitura que te marcará para o resto da vida!

Uma ótima segunda-feira a todos, ótimas leituras e não esqueçam de praticar o jogo do contente!

Fernanda

segunda-feira, 2 de maio de 2016

"A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça", Washington Irving

Bom dia, queridos leitores!

Aproveitei a manhã livre de hoje para atualizar as minhas leituras aqui no blog! Hoje trago para vocês uma história clássica da literatura norte-americana, um dos primeiros contos fantásticos escritos nos Estados Unidos e que permanece assomando nossa imaginação até os dias de hoje! Trata-se de A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, de Washington Irving.

A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça é, na verdade, um conto. Porém, um conto longo e, por isso, considerado como novela por alguns estudiosos. Esta história foi publicada pela primeira vez em 1820 em uma coletânea de contos, juntamente com outros textos conhecidos de Irving, como Rip Van Winkle.

O enredo de A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça nos leva para o fim do século XVIII em uma vila chamada Sleepy Hollow, colonizada por holandeses, próxima ao vale do rio Hudson, nos Estados Unidos. Ao entrarem na vila, os viajantes sentiam uma espécie de torpor e sonolência, como se adentrassem uma atmosfera de sonho.



É a este local que Ichabod Crane chega. Um magro e desengonçado professor, que ficou responsável pela administração da escola local.

Lá ele conhece a bela Katrina van Tessel, filha do riquíssimo Baltus can Tessel, dono de uma enorme e próspera fazenda. Ichabod logo se apaixona por Katrina (e por sua herança!), porém sua amada também é cobiçada por Brom Bones, um valentão.

Em uma festa na casa dos van Tessel, Ichabod descobre a história que apavora os habitantes de Sleepy Hollow. Ao redor do fogo, ele escuta a lenda do temível cavaleiro sem cabeça, o fantasma de um soldado que perdeu sua cabeça durante a Guerra de Independência Americana.


Ichabod Crane
Tremendo de medo, Ichabod tem que passar pela floresta escura, que, dizem, é assombrada pelo cavaleiro sem cabeça, para chegar até a sua casa. A noite é escura e cheia de ruídos que gelam a espinha de Ichabod. Será que ele chegará a salvo em sua casa ou terá um encontro do qual ele não se esquecerá tão facilmente?

Cabe a você, leitor, ler esse fascinante conto de Irving e tirar suas próprias conclusões!

Washington Irving foi um dos primeiros escritores norte-americanos. Lembrando que ele nasceu em 1783, período em que os Estados Unidos ainda eram um novo país, recém independente da Inglaterra. Irving nasceu uma semana antes do cessar-fogo, que encerrou a Guerra de Independência Americana. Seu nome, Washington, foi escolhido por sua mãe como homenagem ao grande herói da independência dos Estados Unidos, George Washington. Mais tarde, Irving viria a escrever uma biografia em cinco volumes de George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos.


Washington Irving tornou-se inspiração para outros escritores americanos que vieram posteriormente, como Nathaniel Hawthorne, Herman Melville e Edgar Allan Poe. Além de A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, Irving também escreveu outros contos que merecem um espaço na sua lista de leituras.

Washington Irving
Em 1999, Tim Burton trouxe a lenda de Irving para as telas do cinema através de seu filme com Johnny Depp e Christina Ricci. Nesta adaptação, Ichabod (Johnny Depp) é um detetive racionalista de Nova York que é enviado a Sleepy Hollow para desvendar assassinatos misteriosos. A população da vila acredita que os assassinatos são obras do cavaleiro sem cabeça. Ichabod, cético, descarta essa possibilidade veementemente. A princípio.

Desde 2013, a Fox tem exibido uma série de televisão, chamada Sleepy Hollow, baseada no conto de Irving. A série está disponível na Netflix, mas eu ainda não tive tempo de conferi-la, mas ela já está na minha looonga fila! A série já conta com três temporadas e conta com vários seguidores.

Tanto o filme de Burton como a série televisiva da Fox só comprovam o fato de a história de Irving ser universal e atemporal. Mesmo hoje, quase duzentos anos depois, a lenda do cavaleiro sem cabeça continua a nos arrepiar os cabelos!

Filme de Tim Burton de 1999

Série da Fox de 2013

Uma ótima semana a todos e ótimas leituras!

Fernanda

domingo, 1 de maio de 2016

Calendário Literário - Maio

Bom dia, queridos leitores!

Mais um mês se inicia e é hora de enfrentar mais um desafio literário!
Para quem perdeu os posts anteriores, eu estou seguindo o Calendário Literário criado por Vitor Martins. A cada mês, há um novo desafio literário a ser cumprido. Eu estou gostando muito de participar desse projeto, porque, dessa maneira, acabo variando mais o meu rol de leituras. Como estudo literatura inglesa no mestrado, acabo lendo mais livros escritos por autores de língua inglesa e, com o Calendário Literário, estou expandindo as minhas leituras e saindo da minha zona de conforto, além de retomar aqueles livros que estão há tempo nas minhas prateleiras esperando para serem lidos!


Quem tiver interesse em conferir o Calendário Literário criado por Vitor Martins pode acessá-lo clicando aqui.



O primeiro desafio do ano, o do mês de janeiro, foi iniciar uma série ou trilogia de livros. Eu aproveitei o embalo para começar a leitura de uma série que estava há muito na minha estante. Além disso, estava acompanhando a série de televisão e, por isso, fiquei ainda mais animada a ler: A Guerra dos Tronos, de George Martin. Comecei o ano com uma ótima escolha literária!





Em fevereiro, o desafio foi ler um livro que havia sido adaptado para o cinema. Havia tantas opções! Mas, como um amigo meu me havia emprestado o livro Carol, que estava concorrendo a diversas categorias no Oscar, aproveitei a oportunidade para lê-lo. Agora ainda me falta assistir ao filme! Mas devo assisti-lo em breve!




Em março, o desafio foi ler um livro escrito por uma mulher. Belo desafio! Valorizo muito a escrita de mulheres e muitos dos meus escritores preferidos são mulheres: Jane Austen, Elizabeth Gaskell, J. K. Rowling, Mary Shelley... Para o desafio, escolhi ler, ou melhor reler, Pollyanna. Este foi o primeiro livro mais  longo que li quando era criança e lembro que esta leitura havia me marcou muito! Foi um grande prazer relembrar a minha infância através dessa inesquecível personagem.





Para o mês de abril, mês de comemoração do descobrimento do Brasil, o desafio foi ler um autor nacional. Eu adorei este desafio, pois, como disse anteriormente, leio muitos autores de língua inglesa e acabo não tendo muito contato com a literatura nacional. Para este desafio, escolhi ler O Cortiço, de Aluísio de Azevedo. Confesso que ainda não terminei a leitura, mas assim que terminá-la procuro um tempinho para escrever aqui as minhas reflexões sobre o livro.



E o desafio literário do mês de maio é... ler um livro infantil!

Eu sou apaixonada por literatura infanto-juvenil e escolhi para este desafio a leitura de uma história que me fascinava quando criança. Eu nunca li o livro, mas já assisti ao filme diversas vezes, e anos atrás minha irmã e eu brincávamos de Mary Lennox a procura de um local secreto. Já adivinharam qual é o livro a que me refiro? É The Secret Garden, de Frances Hodgson Burnett. Comprei este livro há um tempo e tenho certeza de que irei me encantar com a leitura do livro assim como me encantei com o filme. Aliás, foi O Jardim Secreto que me inspirou a escrever minhas primeiras histórias.



O desafio literário de maio será, certamente, inesquecível!
É claro que, além das leituras dos desafios literários, eu também leio outros livros. Por exemplo, no momento também estou lendo o volume 2 de "As Crônicas de Gelo e Fogo": A Fúria dos Reis, mas este é um tema para outro post!

E você, qual livro infantil vai ler durante o mês de maio?

Um ótimo mês a todos, ótimas leituras e nos encontramos no jardim secreto!

Fernanda

sábado, 23 de abril de 2016

Soneto I, William Shakespeare

Bom dia, queridos leitores!

Há muitos dias não escrevo aqui! Meu tempo livre anda escasso ultimamente (finalização da minha Especialização, segunda fase do mestrado, estágio docente e projetos literários...!), portanto não tenho tido tempo para atualizar o blog, embora já tenha feito várias leituras interessantes, que ainda serão comentadas por aqui!

Stratford-upon-Avon
Contudo, hoje não poderia deixar de encontrar um tempinho para prestar uma homenagem a um dos maiores escritores de todos os tempos. Hoje, 23 de abril, dia de nascimento e morte de William Shakespeare. Em 2016 comemoramos 400 anos da morte do Bardo e por todo o mundo hoje ocorrem celebrações para homenageá-lo. Em Stratford-upon-Avon, sua cidade natal na Inglaterra, hoje ocorreu um desfile pela manhã com atores shakespearianos que terminou no local onde Shakespeare está enterrado. Na cidade de Shakespeare, hoje ainda haverá fogos de artifício, bailes, apresentações teatrais e outras surpresas.


Desfile em Stratford-upon-Avon

Celebrações em Stratford-upon-Avon


































Globe Theatre em Londres
Em Londres, local onde Shakespeare passou a maior parte de sua vida e onde escreveu e encenou as suas peças, o teatro Globe Theatre - réplica do teatro utilizado por Shakespeare no início do século XVII que, infelizmente, pegou fogo - apresenta uma encenação de Hamlet e telões foram instalados ao longo do rio Tâmisa para a exibição de 37 curta-metragens, uma para cada peça de Shakespeare. Até Barack Obama visitou o Globe nesta semana e se encantou com a experiência!







No Brasil, o British Council programou ações para o ano inteiro, como debates, palestras e a Casa Shakespeare na Flip, Festa Literária de Paraty, neste ano.



Não importa o local do mundo, hoje todos celebramos o legado deste fantástico e universal escritor!

Para homenageá-lo aqui no blog, trago para vocês o Soneto I, o primeiro de seus 154 poemas escritos ao longo de sua trajetória literária e publicados pela primeira vez em 1609. Os sete primeiros sonetos de Shakespeare são dirigidos a um amante anônimo, provavelmente um jovem rapaz caracterizado como Fair Youth. Este poema já apresenta inúmeros temas e metáforas que serão recorrentes em outros poemas do Bardo.

Sonnet I

From fairest creatures we desire increase,
That thereby beauty's rose might never die,
But as the riper should by time decease,
His tender heir might bear his memory:
But thou, contracted to thine own bright eyes,
Feed'st thy light's flame with self-substantial fuel,
Making a famine where abundance lies,
Thyself thy foe, to thy sweet self too cruel.
Thou that art now the world's fresh ornament
And only herald to the gaudy spring,
Within thine own bud buriest thy content
And, tender churl, makest waste in niggarding.
    Pity the world, or else this glutton be,
    To eat the world's due, by the grave and thee.


Soneto I

Em tudo o que há mais belo, a rosa da beleza
Se nos impõe, gerando o anseio de aumentá-la,
E, entre os seres mortais, a própria natureza
Ao herdeiro confere o dom de eternizá-la

Mas tu, assim concentrado em teu olhar brilhante,
Sem o alento de outra alma, a que a tua dê abrigo,
Cheio de amor, negando amor a todo instante,
De ti mesmo e do teu encanto és inimigo.
Tu, agora, esplendoroso ornamento do mundo
E arauto singular de alegre primavera,
Tu, botão, dentro em ti sepultas, infecundo,
Teu gozo e te destróis, poupando o que exubera.
Faze prole, ou, glutão, em ti e na sepultura,
Virá a tragar o mundo a tua formosura.
(Tradução de Jerônimo Aquino)


Shakespeare rompe com a tradição de sonetos estabelecida pelo poeta italiano Petrarca e outros poetas renascentistas, que tinha como estrutura 14 versos divididos em duas estrofes: uma oitava (oito versos) seguida por uma sextilha (seis versos). A estrutura dos sonetos de Shakespeare, que viria a ser conhecida como soneto shakespeariano ou soneto inglês, é composta por 14 versos divididos em três quartetos (quatro versos) seguidos por um dístico (dois versos).

O eu-lírico do Soneto I encoraja o leitor a procriar para eternizar a beleza da natureza. O relutante amante, que não quer produzir um herdeiro, é criticado pelo eu-lírico que lhe diz que sua formosura desaparecerá na sepultura se o seu amante não procriar.


Este é o primeiro de 154 sonetos escritos por Shakespeare. Aproveite o dia de hoje para homenagear a sua memória lendo estes belos poemas!

Feliz 23 de abril!
Feliz Shakespeare's Day!

Fernanda