terça-feira, 10 de outubro de 2017

"Paris no século XX", Júlio Verne

Olá, pessoal!

Hoje venho compartilhar com vocês uma das minhas mais recentes leituras, Paris no século XX, do renomado escritor francês Júlio Verne (1828-1905). Já fazia tempo que gostaria de ler algo escrito por Verne, principalmente seus livros mais conhecidos, como Viagem ao Centro da Terra, publicado em 1864, e Vinte Mil Léguas Submarinas, de 1870. Ao pesquisar sobre o autor, fiquei pasma com a quantidade de obras publicadas por ele: mais de 50! Por isso, levarei um bom tempo para conhecer a vasta produção do francês, mas como já tinha em casa o Paris no século XX, resolvi começar por ele.

Esse é um livro que tenho na minha estante há muito tempo! É uma edição publicada pela Editora Ática em 1994. Sabe quando você observa os seus livros e surge uma vontade inexplicável de ler um dos livros que estão lá esperando para serem lidos há muito tempo? Isso acontece comigo às vezes. Portanto, quando me deparei com Paris no século XX ali, acumulando pó na estante, decidi lê-lo!

Hetzel, editor de Verne
Logo no início da leitura, o preâmbulo do editor e o prefácio escrito por Piero Gondolo della Riva, conhecedor italiano das obras de Verne, já chamaram a minha atenção. Della Riva escreve que Paris no século XX foi provavelmente escrito  em 1863, no início da carreira do francês, mas ele só foi publicado em 1989, quando o manuscrito da obra foi encontrado por um bisneto do escritor. Logo após a escrita do romance, ele foi categoricamente recusado pelo editor Pierre-Jules Hetzel (1814-1886), que havia publicado o primeiro livro do autor, Cinco Semanas em um Balão (1863).

Segundo della Riva, Hetzel não gostou dos neologismos de Verne, afirma que certos diálogos são cansativos e criticou o protagonista Michel, que mais parece "um pavão com os seus versos".

Em sua carta para Verne, Hetzel escreveu o seguinte:

"Estou desolado, desolado por ter que lhe escrever o que estou escrevendo - eu consideraria um desastre para seu nome a publicação de seu trabalho."

Della Riva, no entanto, escrevendo no final do século XX, vê qualidades na obra de Verne que podem ter escapado Hetzel em meados do século XIX. Ele afirma que - tanto ele como o leitor contemporâneo tendo passado já pelo século XX - o livro apresenta uma perspectiva interessante da visão de Verne do futuro século XX, ainda mais se compararmos com o que de fato aconteceu. Segundo della Riva, "conhecemos a Paris do século XX, e a comparação entre a realidade e as fantásticas intuições do jovem Verne não pode deixar de surpreender-nos".

Della Riva vê um caráter autobiográfico nessa obra de Verne (o filho de Verne, aliás, também se chama Michel, assim como o protagonista de Paris no século XX) e o considera "uma enciclopédia do pensamento futuro de Verne". Nesse romance, Verne tem uma visão bem pessimista do mundo, dos avanços da tecnologia e ciência e com relação à solidão do ser humano em meio a todos esses avanços.

A minha leitura do romance em si foi, portanto, influenciada por essa visão de della Riva e pela recusa de Hetzel. Tinha altas expectativas em ler um romance distópico de Júlio Verne, e confesso que me desapontei. A história não me cativou, tampouco os personagens. Ao final, já não via a hora do livro acabar e eu poder partir para outra leitura.

Michel e seu tio Huguenin
De maneira geral, o livro nos conta a história de Michel, um rapaz jovem e sonhador nessa Paris distópica do século XX: tomada pela industrialização e por um senso de praticidade, as letras e artes foram abolidas da sociedade. Ninguém mais lê, os grandes escritores franceses do século passado - como Hugo e Flaubert - foram esquecidos, e os cursos de letras abolidos do sistema educacional focado nas ciências práticas. Nesse universo, Michel, órfão de pais e sobrinho do notável Sr. Stanislas Boutardin, banqueiro e diretor da Sociedade das Catacumbas de Paris, tem que se adaptar para sobreviver. Sonhador e amante das letras, ele não se conforma com os rumos da sociedade parisiense. Sua vida ganha sentido quando conhece o pobre irmão da sua mãe falecida, o tio Huguenin, que trabalha na decadente biblioteca da cidade - que tornou-se praticamente um museu - e reascende a chama artística do garoto. Michel também reencontra o Sr. Richelot, que foi seu professor na infância, e a filha Srta. Lucy, por quem Michel se apaixona. Os quatro formam um grupinho de resistência à mecanização da cidade e da própria humanidade. O resultado, porém, não é nada positivo.

Em 1863, portanto, Verne imagina como seria a Paris de 1960. Por exemplo, o orador durante a premiação da Sociedade Geral de Crédito Instrucional elogiava o presente moderno:

"O orador prosseguia, sem vacilar. Lançou-se de corpo e alma ao elogio do presente em detrimento do passado; entoou a litania das descobertas modernas; deu mesmo a entender que, nesse aspecto, o futuro pouco teria a fazer; falou com um desprezo benevolente da pequena Paris de 1860 e da pequena França do século XIX; enumerou, com profusão de epítetos, as benfeitorias de seu tempo, as comunicações rápidas entre os diversos pontos da Capital, as locomotivas cruzando o asfalto dos bulevares, a força motriz distribuída a domicílio, o ácido carbônico desbancando o vapor de água e finalmente o Oceano, o próprio Oceano lavando com suas vagas as praias de Grenelle; foi sublime, lírico, ditirâmbico, em suma, perfeitamente insuportável e injusto, esquecendo-se de que as maravilhas do século XX já estavam presentes nos projetos do século XIX" (38-39).

Foi uma leitura lenta, mas de nenhuma forma totalmente negativa. Achei interessantes as previsões de Verne com relação ao sistema ferroviário e educacional no futuro, formas de energia e novas tecnologias. Muita coisa do que Verne previu chegou, de fato, a se concretizar, enquanto outras se mantiveram apenas na imaginação do autor. Paris no século XX é um relato fictício pessimista de uma Paris moderna mas sem arte, e que, por isso, estava fadada ao fracasso. É evidente a crítica de Verne à rápida industrialização da cidade e mecanização do trabalho, e à desvalorização das letras e artes.

Júlio Verne

Minha jornada pelos escritos de Verne apenas começou. Pretendo ler mais livros escritos pelo francês, principalmente seus livros de aventura e viagens que o tornaram imortal através das suas palavras.

Ótima semana a todos e ótimas leituras!

Fernanda



quarta-feira, 20 de setembro de 2017

"Assassinatos na Academia Brasileira de Letras", Jô Soares

Olá, pessoal!

Hoje venho compartilhar com vocês a minha mais recente leitura, Assassinatos na Academia Brasileira de Letras, de Jô Soares.

Eu me apaixonei pelo trabalho de Jô Soares como escritor quando eu li pela primeira vez O Xangô de Baker Street, o quarto livro escrito pelo autor e publicado em 1995. O Xangô se passa no Rio de Janeiro do século XIX e ninguém menos que Sherlock Holmes vem para as terras tropicais do Rio para desvendar assassinatos envolvendo um violino Stradivarius. Eu sou apaixonada por histórias que se passam no Rio do século XIX e me envolvi muito com a trama de Jô.

Quem tiver interesse em conhecer mais esse livro, a resenha feita aqui no blog pode ser acessada aqui:

http://www.oprazerdaliteratura.com.br/2015/02/o-xango-de-baker-street-jo-soares.html


Mas o tema de hoje é outro livro de Jô, publicado dez anos mais tarde, em 2005, e ambientado no Rio de Janeiro da década de 1920.
O ano é 1924, o luxuoso Copacabana Palace acaba de ser inaugurado e a sociedade carioca está em alvoroço porque um imortal da Academia Brasileira de Letras foi assassinado na noite de sua posse. E o pior é que o assassino não para por aí, e os demais 39 acadêmicos correm risco de vida.

A Academia Brasileira de Letras foi fundada em 20 de julho de 1897 nos moldes da Academia Francesa de Letras por escritores como Machado de Assis, Olavo Bilac, Graça Aranha, Visconde de Taunay, Ruy Barbosa, entre outros. Seu objetivo é cultivar e preservar a língua portuguesa e a cultura brasileira. Em 1923 (um ano antes da data em que se passa a história de Jô Soares), o governo francês doou à Academia Brasileira de Letras uma réplica do Petit Trianon de Versalhes, construído para a Exposição do Centenário da Independência do Brasil. A Academia está instalada lá até os dias de hoje.

Caso queira conferir os membros passados e atuais da ABL, é só clicar aqui.


Sede da Academia Brasileira de Letras, Petit Trianon, no Rio de Janeiro

Quem fica encarregado de solucionar os crimes é o comissário Machado Machado, assim chamado devido ao amor de seu pai por Machado de Assis. O comissário é, também, um apaixonado das letras, e se interessou pelos "Crimes do Penacho", como ficaram conhecidos na mídia, pelo envolvimento de escritores e intelectuais. Ele herdou o amor à Machado de Assis, fundador da cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, e cita trechos de sua obra de cor, surpreendo os outros aos seu redor.


Copacabana Palace quando da sua inauguração em 1923

Catherine Deshayes
A história dos assassinatos é atrativa, mas o que mais me chamou atenção nesse livro foi o plano de fundo. Adorei conhecer mais do Rio da década de 20. Jô Soares menciona diversos estabelecimentos que existiram de verdade, como o Teatro São José (e a influência do teatro francês e das féeries), fundado em 1813, Café Lamas, fundado em 1874, os bondes de Santa Teresa, entre outros.

Jô também cita uma seita de envenenadores que data dataria Idade Média, Veneficorum Secta. Não há registros de que essa seita tenha mesmo existido, mas algumas pessoas que Jô cita que teriam participado dessa seita existiram na realidade, como Catherine Deshayes, dita La Voisin, considerada uma feiticeira francesa do século XVI. 

Apenas duas coisas me incomodaram nesse livro de Jô Soares. A primeira foi o fato de todas as mulheres da trama sentirem uma atração incontrolável pelo comissário Machado Machado. Acho isso difícil de acreditar. E o fato de que lá por 3/4 do livro, eu já imaginava quem seria o assassino. Esperei por uma reviravolta ao final do livro, mas ela não aconteceu.

De qualquer forma, foi uma leitura rápida e muito prazerosa, além de ter enriquecido meu conhecimento sobre o Rio da década de 1920 e sobre a própria Academia Brasileira de Letras. Recomendadíssimo!


Rio de Janeiro na década de 1920



Jô Soares
Além de O Xangô de Baker Street e Assassinatos na Academia Brasileira de Letras, Jô Soares (1938-) já publicou outros 5 livros. Já tenho As Esganadas (2011) em casa, mas estou mais animada para ler O Homem que Matou Getúlio Vargas (1998) e conhecer melhor o Brasil da década de 1950.

Uma ótima semana a todos e, claro, ótimas leituras!

Fernanda


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

"A Livraria 24 Horas do Mr. Penumbra", Robin Sloan

Bom dia, queridos leitores!

Hoje eu estou de volta para comentar com vocês a minha última leitura, "A Livraria 24 Horas do Mr. Penumbra", do norte-americano Robert Sloan.
Confesso que primeiramente me senti atraída a ler esse livro pela capa! Eu simplesmente amo livros com livros na capa! O trecho do livro publicado na contracapa também me aguçou a curiosidade:

"Perdido nas sombras das estantes, quase caio da escada. Estou exatamente no meio do caminho. O chão da livraria está bem longe de mim, a superfície de um planeta que deixei para trás. O topo das estantes está bem próximo,e é escuro por lá."

É justamente com essas palavras que o livro inicia. Ele é contado em primeira pessoa por Clay Jannon (adoro livros contados em primeira pessoa!), um webdesigner que, devido à recessão nos Estados Unidos, perdeu seu emprego e se viu obrigado a trabalhar em uma livraria 24 horas. E pior, no turno da madrugada, das 22:00 às 6:00!

O dono dessa livraria peculiar é Mr. Penumbra, um velho de olhos azuis muito intensos. Ao contratar Clay, ele o faz apenas um pedido:

"- Fale um pouco sobre um livro que ame."

E Clay deu a resposta certa:

"- Eu amo As Crônicas da Balada do Dragão".

Assim, Clay começa a trabalhar nessa estranha livraria que atende ainda mais estranhos clientes. Eles são poucos, mas assíduos. E eles não se interessam pelos poucos lançamentos expostos na vitrine da loja, mas nos misteriosos volumes em capa de couro do Arquivo Pré-Histórico.

Uma cliente fora do normal em um dos turnos da madrugada de Clay foi Kat, uma jovem que trabalha no Google e entusiasta de novas tecnologias. Influenciado pelos interesses dela, Clay cria um protótipo em 3D da livraria do Mr. Penumbra, digitaliza o arquivo de entrada e saída e livros e acaba descobrindo um padrão singular. O que ele descobre é que os clientes esquisitos da livraria e o próprio Penumbra fazem parte de uma sociedade secreta, que busca desvendar um código escrito há mais de 500 anos. Será que a tecnologia do século XXI e os recursos do Google podem ajudar a desvendar esse mistério?
Ilustração por Laura Terry

O mistério dessa Irmandade envolve Aldus Manutius (1499-1515), um tipógrafo italiano, e Francesco Griffo (1450-1518), que também trabalhava com tipografia na Veneza do século XVI. Porém, no romance de Sloan, Francesco Griffo é transformado em Griffo Gerritszoon, o criador da fictícia fonte Gerritszoon. Eu acho muito interessante quando autores misturam fato e ficção. O importante é que o leitor, depois de terminada a leitura, não coloque o livro de volta na estante imediatamente, mas que busque mais informações sobre o que leu, diferentes opiniões na Internet, vídeo resenhas sobre o livro no YouTube... enfim, há tantos recursos hoje em dia e essa prática só enriquece a leitura!

Aldus Manutius

Eu gostei da leitura. O discurso principal do livro, na minha opinião, é o lugar e a importância da leitura e dos livros físicos na nossa era digital. E de quebra, há um código misterioso e uma sociedade secreta de bibliófilos. E também ficamos sabendo um pouco sobre o que acontece dentro do campus do Google em São Francisco.

Ilustração de Laurel Holden
Confesso que não era bem isso que eu estava esperando quando vi a capa do livro pela primeira vez e li a sinopse. A premissa do livro é bem interessante, mas a maneira como o autor escreveu poderia ser diferente. Os capítulos são divididos em trechos pequenos e nem sempre há um salto de tempo entre um e outro. Ou seja, eles funcionam como se fossem cenas em um filme. Porém, há casos em que essa divisão não era necessária. Às vezes sentia que estava lendo o roteiro de um filme ao invés de um romance escrito.

Também há várias referências à cultura atual, mas algumas me pareceram forçadas e com o intuito de fazer o leitor rir, como menções a magos adolescentes, ninjas inimigos, modo hamster de preparar para fugir, uma empresa digital especializada em criação e textura de seios 3D, uma história sobre um dragão cantor perdido no mar que pede ajuda a golfinhos e baleias e é resgatado por um anão sábio, entre outras. Algumas funcionam, mas outras não.

Mas, de modo geral, a leitura é prazerosa e dinâmica. Um bom livro sem muita pretensão para um final de semana chuvoso. Perfeito para quem gosta de livros e tecnologias mirabolantes!

Robin Sloan, autor do livro, nasceu em Detroit, nos Estados Unidos. Ele já trabalhou como programador (por isso a referência a esse universo em seus livros!) e atualmente escreve livros e produz azeite de oliva em Sunol, na Califórnia. "A Livraria 24 Horas do Mr. Penumbra" foi seu primeiro livro, publicado em 2012, e se tornou um best-seller mundial. Em 2013 ele publicou uma novela sobre Ajax Penumbra, o Mr. Penumbra, e sua juventude, intitulado "Ajax Penumbra 1969". Fiquei curiosa para ler esse! O Mr. Penumbra é, na minha opinião, o personagem mais instigante do romance! E neste ano de 2017, Sloan vai publicar o seu segundo romance, "Sourdough" (sem tradução ainda) sobre Louis Clary, uma jovem programadora que se muda para a Califórnia.

Robin Sloan

Espero que vocês tenham gostado dessa dica de leitura!

Um ótimo final de semana e ótimas leituras!

Fernanda


domingo, 10 de setembro de 2017

"O Último Reino", Bernard Cornwell

Boa noite, queridos leitores! Eu estou de volta!

Depois de um período de muito trabalho e leituras no mestrado de pesquisa em Estudos Literários na Universidade de Leiden, na Holanda, voltei ao Brasil! Como agora tenho mais tempo livre, poderei voltar a me dedicar ao blog! Outra novidade para os que ainda não souberam, tenho atualizado com frequência o meu canal no YouTube "O Prazer da Literatura". Convido a todos a conferir e se inscrever nesse canal, que administro com o maior carinho:


https://www.youtube.com/watch?v=HLyCJbUEeWQ

E agora... vamos à leitura de "O Último Reino", de Bernard Cornwell. Esse é o primeiro livro da saga "Crônicas Saxãs", que já estava na minha lista de leitura há muito tempo. Eu sou apaixonada por romances históricos e por livros que me levam a conhecer o passado de certos lugares, como a Inglaterra - país pelo qual fiquei encantada desde meu primeiro contato com a série "Harry Potter". Nas "Crônicas Saxãs", Cornwell nos leva de volta à Inglaterra Anglo-Saxã, no século IX, durante as invasões dinamarquesas e ataques Vikings.





A história é contada em primeira pessoa por Uhtred, filho de Uhtred, de Bebbamburg. Quando ele ainda era uma criança, a fortaleza de Bebbamburg, governada por seu pai e localizada na região da Nortúmbria, foi atacada por dinamarqueses ferozes, liderados por Ragnar. Seu pai é morto durante a batalha e Uhtred é tomado pelos dinamarqueses. Mesmo sendo uma criança, Uhtred avança contra Ragnar, que se diverte com a audácia do menino e decide levá-lo junto com os dinamarqueses, que estão tomando toda a Inglaterra,

Naquela época, a Inglaterra era dividida em sete reinos: Nortúmbria, Mércia, Ânglia Oriental, Essex, Kent, Sussex e Wessex. No período em que as "Crônicas Saxãs" se passam, século IX, seis reinos já haviam sucumbido ao poder dos dinamarqueses, com exceção de Wessex, o último reino - daí o título do primeiro volume da série.







Uhtred é levado pelos dinamarqueses e, então, tem uma juventude pagã. As crenças cristãs que ele havia aprendido em Bebbamburg entram em conflito com os novos ensinamentos pagãos que ele aprende com os dinamarqueses, principalmente com Ragnar - que o adota como se fosse um verdadeiro filho - e seu pai, o cego sábio Ravn. Porém, apesar de Uhtred se considerar um dinamarquês, seu coração ainda é inglês e pertence a Bebbamburg, que ele quer recuperar da posse ilegítima do seu tio.

Com a morte de Ragnar, não há nada mais que o prenda aos dinamarqueses, então ele, acompanhado de Brida - outra prisioneira inglesa que se adaptou aos costumes nortenhos - parte para Wessex para encontrar-se com o Rei Alfredo, auxiliá-lo contra as invasões de Ubba, um feroz dinamarquês, e retomar o que é seu por direito.


Rei Alfredo de Wessex

Eu achei a leitura desse primeiro volume muito prazerosa. Apesar de conter fatos históricos, a leitura é bem dinâmica, e como George Martin afirma na contracapa do livro, apresenta "as melhores cenas de batalha de qualquer escritor que eu já tenha lido, passado ou presente". As cenas de batalha são mesmo fantásticas, prendendo a atenção do leitor até o último parágrafo. Estou curiosíssima para ler a continuação da saga com "O Cavaleiro da Morte", o segundo volume.






Essa saga de Cornwell está sendo adaptada para a televisão em uma série da BBC. A primeira temporada estreou em 2015 e a segunda em 2017, com co-produção da Netflix. Quem interpreta Uhtred é o lindíssimo Alexander Dreymon. David Dawson interpreta o Rei Alfredo, Peter Gantzler é Ragnar, Rune Temte é Ubba, e Emily Cox interpreta Brida.




Assisti aos primeiros episódios da primeira temporada e devo dizer que fiquei um pouco desapontada. A produção deixou a desejar - não é nada aos padrões de "Vikings" ou "Game of Thrones". E, na minha opinião, há um uso excessivo de câmera subjetiva - quando a câmera acompanha o olhar de um personagem - e de câmera em movimento, o que me deixa um pouco tonta!
A ordem dos eventos no livro foram modificados. Muitos dos acontecimentos que ocorreram com Uhtred como criança foram transmitidos ao jovem Uhtred - já que, convenhamos, o jovem Uhtred é muito mais atrativo do que a criança! Isso não é necessariamente um ponto negativo.
O que me desapontou profundamente foi o papel de Ragnar na série. No livro, Ragnar (que, aliás, não é o mesmo Ragnar de "Vikings"!) é muito engraçado, tem paixão por batalhas e tem uma grande afeição pelo jovem Uhtred. Essa relação entre Uhtred e Ragnar, que é tão legal no livro, foi totalmente perdida na série, a meu ver.
De qualquer forma, vou continuar a assistir a série e espero que ela seja renovada para a terceira temporada!

Alexander Dreymon como Uhtred
Bernard Cornwell

Bernard Cornwell, o autor da saga, nasceu em Londres em 1944 e é um dos maiores escritores de romance histórico da atualidade. Além de escrever sobre a Inglaterra Anglo-Saxã, Cornwell também escreveu uma série de livros sobre o lendário Rei Artur, sobre a busca do Graal, sobre a batalha de Waterloo, entre outros temas.

Espero que tenham gostado dessa dica de livro. Tenho certeza de que irão gostar, principalmente os apaixonados por história antiga, como eu!

Um ótimo domingo a todos e ótimas leituras!

Fernanda

domingo, 9 de abril de 2017

"Eduardo I", Jean Plaidy

Bom dia, pessoal!

Hoje comecei o domingo com o término de uma ótima leitura! Trata-se do sétimo volume da saga Plantageneta da escritora britânica Jean Plaidy: Eduardo I. Eu já venho acompanhando esta série há mais de um ano. Como a série é longa, tem ao total 14 volumes, eu procuro intercalar a leitura de um livro da série com outros, assim não me canso das aventuras dos reis angevinos.

Como já falei nos posts anteriores sobre os volumes da série anteriores a este, eu sou simplesmente apaixonada por esta saga! Jean Plaidy consegue transmitir a sensação de viver na Idade Média, período marcado por intrigas de reis, batalhas sangrentas, lutas por territórios, torneios de cavaleiros, casamentos arranjados, enfim... uma época que me fascina!

Para ler as publicações referentes aos volumes anteriores da saga Plantageneta, clique aqui.

Eduardo I
Em Eduardo I, o jovem Eduardo se torna rei após a morte de seu pai, Henrique III. Seu pai morrera em 1272, porém neste período Eduardo, o herdeiro, não se encontrava na Inglaterra. Ele acompanhava o rei Luís IX da França na Oitava Cruzada. Quando soube da morte do pai, Eduardo voltou para a Inglaterra, porém só conseguiu chegar lá em 1274, dois anos após a morte do rei, para reivindicar a coroa.

Neste período em que Eduardo esteve fora, o reino foi governado por um Conselho liderado por Robert Burnell. Sua mãe, a dinâmica Eleanor de Provença (cuja personalidade me lembrou de Eleanor de Aquitânia, uma de minhas figuras históricas preferidas. Ela foi personagem principal nos volumes 1 e 2 da saga. Confira as resenhas anteriores), também fez o possível para garantir os planos do seu filho, agora Eduardo I.

Eduardo foi um rei forte, um alívio para os ingleses depois de Henrique III e João. Eduardo era enérgico e um ótimo guerreiro, temido por seus adversários como seu avô, Ricardo Coração de Leão. O maior desejo de Eduardo era unificar a Inglaterra, País de Gales e Escócia. Conseguiu conquistar os galeses, subjugando Llywelyn e Davydd, príncipes de Gales. Mais tarde, dedicou sua vida à causa escocesa. Conseguiu capturar e executar o rebelde Guilherme Wallace, que havia se tornado uma figura heroica que sonhava com a independência da Escócia.

Guilherme Wallace, interpretado por Mel Gibson no filme "Coração Valente"



Eleanor de Castela
Sua vida em família foi muito satisfatória. Casou-se com Eleanor de Castela (outra Eleanor em sua vida!), por quem foi profundamente apaixonado. Porém, o casamento parecia gerar apenas filhas saudáveis! E que filhas, aliás! Eleanor e Joana são personagens inesquecíveis! As duas se casaram com nobres ingleses, Margaret casou-se com João de Brabant, e Mary entrou para um convento. Eduardo era apaixonado por suas filhas e realizava todos os seus desejos, o que as tornou ousadas e rebeldes, principalmente Joana, que nasceu em Acre enquanto os pais estavam na Terra Santa, por isso ficou conhecida como Joana de Acre. Eleanor era muito esperta e Eduardo até cogitou a ideia de torná-la a herdeira do trono, mesmo sendo mulher. Como consequência, Eleanor casou-se muito tarde, somente depois que ficou claro que sua ascensão ao trono da Inglaterra nunca se concretizaria.

Marguerite da França
Os três filhos homens de Eleanor, John, Henrique e Alphonso, morreram ainda crianças. Por fim, em 1207 nasceu Eduardo, o esperado herdeiro! Uma tragédia familiar, contudo, abalou a vida de Eduardo. Sua adorada esposa Eleanor morre muito jovem, deixando um vazio em sua vida. Ele prometeu a si mesmo que não se casaria novamente, mas a existência de apenas um herdeiro homem era preocupante, por isso começou a pensar em casar-se novamente. Seu segundo casamento ocorreu em 1299, nove anos depois da morte de Eleanor de Castela, e foi com Marguerite, irmã do rei da França Filipe IV, o Belo. Ela, com menos de 20 anos, era muito mais jovem que o rei, que já beirava os 60 anos. O casamento, no entanto, foi feliz, resultando em três filhos: Thomas, Edmund e Eleanor.



Com a morte de Eduardo I, aos 68 anos, seu filho mais velho, Eduardo, se torna Eduardo II. Porém, Eduardo não é o que seu pai, forte e temido rei, esperava: ele é preguiçoso, delicado e tem uma amizade um tanto quanto exagerada com Piers Gaveston, uma má influência. É Eduardo II que protagoniza o próximo volume da saga, As Loucuras do Rei, que já estou louca para ler!

Eduardo II

Espero que tenham gostado de mais um episódio da intrigante história da Inglaterra.
Para mais informações sobre a autora, Jean Plaidy, não deixe de conferir as publicação anteriores sobre a saga Plantageneta.

Um ótimo domingo a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

sexta-feira, 24 de março de 2017

Lugares Literários - Boekhandel Dominicanen

Boa noite, pessoal!

Trem na Holanda
Hoje trago para vocês mais um post da coluna "Lugares Literários"!
Devo confessar que esta é a minha coluna preferida no blog. Ultimamente tenho visitado tantos lugares incríveis e tirado muuuuitas fotos, mas ainda não tinha tido tempo para organizar tudo em publicações aqui no blog. Mas agora chegou a hora!

Decidi começar a série de lugares literários na Europa por uma livraria inesquecível que visitei em Maastricht, no sul da Holanda. Para quem não sabe, estou fazendo um curso de mestrado de pesquisa em Estudos Literários na Universidade de Leiden, na cidade de Leiden na Holanda. Leiden fica a 30 minutos de trem de Amsterdam e, por isso, relativamente longe de Maastricht (ainda mais para parâmetros holandeses, que acham qualquer distância acima de 50km longe!). Para ir até lá, tive que pegar mais de um trem e a viagem total durou cerca de três horas, mas valeu muito a pena, pois a cidade - e a livraria - são lindíssimas!

Mapa da Holanda

Maastricht

Maastricht, como várias cidades na Holanda, é uma cidade medieval. Ela é uma das cidades mais antigas da Holanda. Povos celtas viveram lá em 500 a.C. Mais tarde, a cidade foi ocupada pelos romanos por volta do século I d.C, quando a antiga ponte - a que aparece na foto aqui ao lado - foi construída. Durante a Idade Média, Maastricht fez parte do Império Carolíngio, e em 1204 recebeu o título de cidade. Imaginem só, tudo isso muito antes de o Brasil ter sido "descoberto"!

E nesta linda cidade encontra-se a considerada uma das 10 melhores e mais belas livrarias do mundo - de acordo com a lista publicada no site do The Guardian, ela está em primeiro lugar! Trata-se da Boekhandel Dominicanen! O mais espetacular de tudo é que a livraria está situada dentro de uma catedral de mais de 800 anos! Esta igreja estava abandonada até que os arquitetos holandeses Merkx e Girod tiveram a brilhante ideia de transformá-la em uma livraria, possivelmente uma das mais bonitas do mundo. E conseguiram! Até ganharam prêmios de arquitetura por este projeto. E, convenhamos, merecidamente, não?

Boekhandel Dominicanen

Ao entrar nesta livraria, você tem a sensação de estar entrando em um templo sagrado, um lugar de meditação e reflexão. Ao olhar em volta, você percebe os milhares de livros ao seu redor, e se sente como se estivesse em um templo de devoção aos livros. Para um amante da literatura, não há sensação melhor! O teto alto, as enormes janelas, os arcos góticos... tudo contribui para uma experiência literária única! Você se desconecta totalmente do mundo lá fora!

Livraria vista de fora


Quem tiver a oportunidade de ir até a Holanda, não deixe de dar um pulinho em Maastricht, conhecer a cidade medieval e visitar esta belíssima livraria. Será uma experiência que você não esquecerá tão cedo!

Fiz um vídeo no meu mais novo canal dedicado ao blog (ainda escreverei um post sobre o canal por aqui!) sobre esta incrível livraria. Lá, você vai poder ver um vídeo que eu fiz dentro deste templo de livros! Para acessá-lo, clique aqui:



Espero que tenham gostado de mais uma de nossas viagens literárias.

Tenham um ótimo final de semana e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

domingo, 19 de março de 2017

"E apenas para enganar", Tasha Alexander

Bom dia, queridos leitores!

Tasha Alexander
Hoje venho compartilhar com vocês uma autora que tem me surpreendido e tornado minhas leituras leves e prazerosas. Trata-se da norte-americana Tasha Alexander (1969-). Quem acompanha o meu blog sabe que descobri esta autora durante a minha viagem para Veneza em dezembro do ano passado. Procurando por algo para ler que tivesse como cenário a bela cidade de Veneza, encontrei o livro de Tasha intitulado Death in the Floating City (2012), ou Morte na Cidade Flutuante se traduzido literalmente. Eu simplesmente me apaixonei pelo estilo de escrita de Tasha, que combina um romance leve com literatura policial e romance histórico. Na minha opinião, uma combinação perfeita!

Quem tiver interesse em reler a resenha de Morte na Cidade Flutuante, clique aqui.

Depois de ler este livro de Tasha, descobri que ela havia escrito outros com a mesma protagonista de Morte na Cidade Flutuante, Lady Emily. A Lady Emily é uma personagem que me cativou! Uma mulher independente mesmo durante o período vitoriano na Inglaterra, que restringia o papel da mulher. Fiquei curiosa para ler mais aventuras de Lady Emily e, por isso, cheguei a And Only to Deceive (2005), ou E apenas para enganar se traduzido literalmente - os romances de Tasha Alexander, infelizmente, ainda não foram trazidos para o Brasil. Este é o primeiro livro da saga de Lady Emily que, até o momento, conta com onze livros, um conto lançado online e outro romance com data prevista de publicação em setembro de 2017.

O que me chamou a atenção na série de livros da Lady Emily, também, é que cada livro leva a protagonista - e, consequentemente, também o leitor - para um país diferente. Em Morte na Cidade Flutuante, Lady Emily está em Veneza. Em E apenas para enganar, Lady Emily inicia em Londres, mas viaja por Paris, Egito e pela Grécia Antiga.

Neste primeiro volume da saga, conhecemos Lady Emily, uma mulher jovem recém-casada que mora em Londres no final do século XIX. Seu marido, Lord Ashton, partiu em uma expedição para o Egito e até então não retornou, tendo sido declarado morto. Os dois pouco se conheciam antes do casamento, portanto Emily não sentiu tanto a perda do marido, apesar de que admitir tal fato seria uma escândalo para a sociedade. Contudo, aos poucos, Emily passa a conhecer melhor o seu marido através da leitura do seu diário e, para sua infelicidade, acaba se apaixonando por seu marido depois de morto!

Lady Emily descobre que seu marido era apaixonado por ela! Além disso, ele nutria um grande interesse em colecionar antiguidades gregas. Lord Ashton era um intelectual, dedicado a aprender tudo sobre arte, cultura e literatura, principalmente relacionados à Grécia Antiga. Lady Emily, então, como um tributo a seu marido, passa a se interessar por arte e história gregas também. Ela passa a visitar o Museu Britânico frequentemente e se aventura a ler Homero e aprender grego antigo. Seu mundo, porém, vira de cabeça para baixo quando há rumores de que um inglês, doente e debilitado, foi encontrado andando sem rumo no Egito. Seria Lord Ashton? Estaria ele vivo? Como seria o reencontro dos dois? Lord Ashton aceitaria a nova Lady Emily, independente e ávida por conhecimento? E, além de tudo, estaria Lord Ashton envolvido em um escândalo de peças antigas falsificadas?

Esta foi mais uma leitura muito prazerosa! Me envolvi com os personagens e com a trama de modo que não via a hora de poder retomar o livro para adentrar este mundo novamente! Analisando E apenas para enganar e Morte na Cidade Flutuante em perspectiva, pude perceber um grande desenvolvimento de Tasha Alexander como escritora. Os dois livros são maravilhosos, mas Morte na Cidade Flutuante, publicado sete anos depois, apresenta uma escrita mais madura e uma trama mais complexa.

Série de livros de Lady Emily
Estou muito ansiosa para ler mais uma aventura de Lady Emily. Já encomendei o segundo livro da série, A Poisoned Season (2007), que traz de volta nossos personagens adorados e, de acordo com a sinopse, envolve supostos descendentes de Luís XVI e Maria Antonieta. A promessa é grande!

Espero que vocês também se deixem levar para escrita envolvente de Tasha Alexander.

Um ótimo domingo a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda



sábado, 18 de março de 2017

"Vidro Quebrado", Alain Mabanckou

Olá, queridos leitores!

Já faz um bom tempo que não passo por aqui, mas hoje tive uma folga e resolvi compartilhar com vocês a minha última leitura! Estou fazendo parte de um workshop sobre Literatura Africana na Universidade de Amsterdam, onde temos discutido assuntos interessantíssimos. Confesso que tenho muito pouco conhecimento sobre literatura africana e este curso tem sido uma ótima oportunidade para abranger meus horizontes literários.

Alain Mabanckou
O primeiro autor com quem trabalhamos foi Alain Mabanckou, nascido em 24 de fevereiro de 1966 na República do Congo. Mabanckou já escreveu onze livros, incluindo Azul, branco, vermelho (1998), E só Deus sabe como durmo (2001) e African Psycho (2003), além de livros de poesia, ensaios e antologias. Atualmente, Mabanckou trabalha como Professor Titular de literatura francófona na Universidade de Califórnia (UCLA).

O livro de Mabanckou que lemos foi Verre Cassé, cuja tradução literal seria Vidro Quebrado - porém o livro ainda não foi traduzido para o português brasileiro. Esta obra de Mabanckou me surpreendeu temática e formalmente. Em primeiro lugar, o que me chamou a atenção foi a escrita de Mabanckou, que segue em um fluxo contínuo, sem pontos, letras maiúsculas ou parágrafos, apenas vírgulas. Há uma certa semelhança com o estilo de José Saramago. O resultado é uma explosão de frases e impressões - que chega a deixar o leitor sem fôlego! -, ainda mais por ser escrito em primeira pessoa.

Quem nos conta a história é Verre Cassé, um homem nos seus sessenta anos, que recebeu um caderno do dono do bar que costuma ir, Credit Gone West, para escrever sobre as histórias e personagens que frequentam o bar. Hesitante no início, Verre Cassé decide aceitar o desafio e passa os seus últimos dias sentado à mesa do bar, observando tudo a sua volta e escrevendo.

As histórias que Verre Cassé conta são, ao mesmo tempo, divertidas e trágicas: as controvérsias com relação à inauguração do bar, o homem que foi acusado de abusar sexualmente sua própria filha e foi levado à prisão, o homem que foi trocado pelo seu próprio filho por sua nova esposa, a competição entre um homem e uma mulher para ver quem urinava por mais tempo e com mais força, entre outras histórias de diversos personagens que passaram por Credit Gone West.

Ao mesmo tempo que Mabanckou exalta a importância da memória - daí a importância de Verre Cassé escrever sobre os ordinários frequentadores do Credit Gone West e suas vidas ordinárias -, Mabanckou, através das suas centenas de intertextualidades e referências a outras obras literárias, critica os escritores africanos que acreditam que deveria existir uma literatura africana unificada, uma literatura que falasse apenas sobre os problemas que a África enfrenta. Mabanckou elabora o seu manifesto: "e aqueles que pensam que um homem Negro não deveria falar de bétulas, de pedras, do pó, do inverno, da neve, de uma rosa, ou simplesmente da beleza pela própria beleza" (traduzido livremente por mim). O autor negro, segundo Mabanckou, não deve se limitar a falar dos preconceitos que sofre, ou da sua condição sociopolítica. O autor negro deve ser livre para escrever sobre o que quiser!

Ler Vidro Quebrado foi uma experiência e tanto para mim. Fiquei curiosa para ler mais livros de Mabanckou (fiquei fascinada pelo seu estilo de escrita) e para ler mais livros escritos por autores africanos. Durante este workshop, ainda lerei Phaswane Mpe, Marie NDiaye, Ivan Vladislavic, entre outros. Portanto, logo retorno com mais posts sobre literatura africana para vocês.

Espero que tenham gostado de conhecer Alain Mabanckou!

Um ótimo final de semana a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

domingo, 19 de fevereiro de 2017

"O Nome do Vento", Patrick Rothfuss

Olá, queridos leitores!

Sei que já faz tempo que não passo por aqui, mas não poderia deixar de compartilhar com vocês a minha última leitura (que foi sensacional!): O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss.

Eu sou simplesmente apaixonada por literatura fantástica! Desde que li O Senhor dos Anéis do mestre Tolkien quando era criança, desenvolvi uma paixão e admiração por histórias fantásticas, jornadas de heróis, criaturas mágicas e, principalmente, pelos mundos criados por esses autores. Tolkien se esmerou nos detalhes ao criar a Terra Média, tornando-a um mundo verossímil e que muita gente (incluindo eu!) daria tudo para ter a chance de visitar. Outros autores também se destacaram com a criação de universos inesquecíveis, como a Nárnia de C. S. Lewis, Westeros de George Martin e o mundo bruxo da J. K. Rowling. Depois de ler O Nome do Vento, acredito que podemos adicionar Patrick Rothfuss a essa lista!

Logo nas primeiras páginas do livro fui surpreendida com um mapa do universo criado por Rothfuss. Já fiquei super animada e ansiosa para ler o livro e conhecer os "quatro cantos da Civilização". Na minha opinião, quando o autor se dá ao trabalho de imaginar um mapa do universo que criou é sinal de que ele sabe da importância de convencer o leitor de que esse local é real. E eu me convenci da existência do universo de Rothfuss.




O Nome do Vento é o primeiro volume da série "A Crônica do Matador do Rei". Ele foi publicado pela primeira vez nos Estados Unidos em 2007 e chegou ao Brasil traduzido em 2009. O segundo volume, O Temor do Sábio, foi publicado em março de 2011 nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em novembro do mesmo ano. O terceiro e provavelmente último volume da saga, The Doors of Stone, ainda não foi publicado e ainda não tem data prevista de publicação (levando muitos fãs à loucura!).

O primeiro livro nos apresenta ao protagonista, Kote, dono da taverna Waystone Inn. Kote parece ser apenas um homem qualquer, mas logo descobrimos que ele é muito mais do que isso. Ele é, na verdade, Kvothe, o lendário matador do rei. Quando um coletor de histórias chega à taverna em busca da história de Kvothe, ele decide contar a sua versão da história da sua vida, tão envolta por rumores e mentiras. Kvothe diz ao cronista que precisará de três dias para contar a sua história. E o primeiro livro da saga é apenas o primeiro destes três dias!

Ele conta como foi a sua infância em uma trupe de teatro, sua relação com os pais, atores populares, como foi parar nas ruas de uma grande cidade, como chegou à Universidade e, principalmente, como chegou a ser Kvothe, o lendário.




Eu simplesmente adorei o início e o final do livro. Confesso que partes do meio, quando Kvothe está na Universidade, se desenrolaram demasiadamente. Sei que muitos leitores gostaram de ler sobre esta fase da vida de Kvothe, suas amizades na Universidade, os professores, disciplinas e aulas. A meu ver, é nesta seção do livro que O Nome do Vento se torna parecido com outros diversos romances para jovens adultos: o protagonista se encontra em uma escola onde aprende com mestres os segredos da magia. Não é que a leitura desta parte do livro não seja agradável, pelo contrário! Mas ela se arrasta por muitas páginas. Acredito que ela poderia ser reduzida sem comprometer a totalidade do livro. No entanto, os capítulos em que Kvothe conta sobre a trupe itinerante da sua família e as suas aventuras nos bares e tavernas de Imre são simplesmente sensacionais!

Acabei de terminar o primeiro livro e estou super curiosa para ler o próximo volume da saga, principalmente porque Kvothe irá falar sobre as suas aventuras como um jovem adulto e sua busca por vingança. Devo começar a leitura de O Temor do Sábio muito em breve!

Há ótimas notícias para os fãs de "A Crônica do Matador do Rei": é bem possível que ela se torne uma série de TV! O autor Patrick Rothfuss já havia comentado na internet que não tinha interesse em transformar os seus livros em filme, porque, já que sua história foca nos personagens e suas relações, um filme não seria suficiente para abordar a profundidade da trama. Porém, ele consegue imaginar sua saga se tornando uma série televisiva! Quem está encarregado dessa adaptação é a produtora Lionsgate, que já está recrutando profissionais para fazerem parte do time. Infelizmente, ainda não há muita informação sobre o processo de adaptação da saga. O que nos resta é aguardar ansiosamente pelo resultado!

Patrick Rothfuss
Patrick Rothfuss, o autor dos livros, nasceu em Wisconsin, Estados Unidos, em 1973. A série "A Crônica do Matador do Rei" é sua estreia no mercado editorial. O primeiro livro, O Nome do Vento, foi sucesso de vendas e recebeu diversos prêmios, incluindo o Quil Award em 2007 e Best Book of the Year da Publisher's Weekly na categoria ficção de fantasia ou horror em 2007. Com certeza acompanharei a trajetória deste autor. Estou curiosa para ver o que mais Rothfuss tem preparado para nós, leitores!

Espero que vocês tenham gostado desta dica de literatura fantástica.
Uma ótima semana a todos e, claro, ótimas leituras!

Fernanda