domingo, 6 de setembro de 2015

"Noite de Reis", William Shakespeare

Bom dia, queridos leitores!

Hoje o dia amanheceu chuvoso, e o que melhor a fazer em uma manhã dessas do que ficar até tarde na cama lendo uma boa história?

Há um certo tempo, estou me dedicando a me familiarizar melhor com os escritos de William Shakespeare, autor que estudo no meu mestrado em literatura inglesa. Shakespeare escreveu quase quarenta peças durante a sua vida e muitas delas não recebem a devida atenção hoje em dia. Há os clássicos atemporais como Hamlet (1599-1601) e Romeu e Julieta (1591-1595) , mas dessa vez quis procurar uma peça sobre a qual não sabia absolutamente nada. Escolhi Noite de Reis (1601-1602) e tive uma adorável surpresa com a leitura.

Noite de Reis é uma peça muito engraçada e posso imaginar como a audiência deve ter reagido ao vê-la em performance no palco há tantos anos . Nesta peça, conhecemos Viola, uma garota que perdeu seu irmão gêmeo Sebastian durante o naufrágio do navio em que estavam. Ao chegar em terra firme, na região de Illyria, Viola decide se passar por um homem para sua segurança. Ela passa a se chamar Cesario e vira criado do Conde Orsino, que estava apaixonado por Olivia, uma bela donzela da cidade.


Cesario - ou Viola - decida ajudar o Conde a conquistar sua amada. No entanto, Olivia se apaixona pelas palavras do jovem rapaz (que, na verdade, é Viola) e acaba se declarando a ela.


Malvolio, criado de Olivia e secretamente apaixonado por ela, é levado a crer por seus colegas que seu amor é correspondido. Ele passa a agir de maneira muito estranha com relação a Olivia, de classe superior à dele, sorrindo-lhe e agindo como superior. Os outros pensam que Malvolio está enlouquecendo!


E assim a trama de Shakespeare se desenvolve no seu estilo "alguém ama alguém que ama outra pessoa, que ama outro", assim como na maravilhosa Sonho de Uma Noite de Verão (1590). Assim como Carlos Drummond de Andrade escreveria muito mais tarde, "João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém", podemos dizer que Viola amava o Conde, que amava Olivia, que amava Viola, que era amada por Olivia, que era amada por Malvolio. Ufa!

Essa história de Shakespeare já foi adaptada para o cinema algumas vezes, dentre as quais está o filme britânico de 1996 dirigido por Trevor Nunn, com Toby Stephens no papel de Conde Orsino, Imogen Stubbs como Viola, Helena Bonham Carter como Olivia e Nigel Hawthorne como Malvolio. Como sou fã do trabalho de Helena Bonham Carter, fiquei muito animada para conferir esta adaptação.

Outra versão, desta vez em um ambiente moderno, da peça de Shakespeare é o filme de 2006 Ela é o Cara, com Amanda Bynes no papel de Viola Hastings. Para entrar no time de futebol chamado Illyria, Viola tem que se passar por um rapaz, e se veste como seu irmão gêmeo, Sebastian. Quando ela se muda para o dormitório dos garotos, ela conhece seu novo colega de quarto, Duke Orsino, por quem acaba se apaixonando. Mas Viola não pode contar seus sentimentos a Duke, porque ele acha que ela é um cara! Essa adaptação é muito engraçada e mostra como a história de Shakespeare ainda nos cativa, mesmo mais de quatrocentos anos depois.

A peça Noite de Reis, Twelfth Night em inglês, provavelmente foi encenada durante a celebração do Dia de Reis, no início de janeiro de 1602, para encerrar as festividades do Natal.

Para quem ainda tem receio de ler Shakespeare, esqueça essas temores! Ler Shakespeare pode ser muito divertido! Além do mais, você já deve conhecer muitas histórias que nem sabia que foram escritas pelo Bardo.

Um ótimo domingo a todos e boas leituras!

Fernanda




Um comentário:

  1. Oi Fernanda!
    Através do canal conheci teu blog! Adorei essa postagem, vou procurar ler algumas das peças de Shakespeare! Adorei conhecer sobre a história de Noite de Reis. Ainda não li nada diretamente dele, só li um livro que a temática envolve o primeiro fólio dele e então ficamos conhecendo um pouco da época, sobre peças e seus escritores. O livro é "O Retrato - Um Romance de Obsessão", de Charlie Lovett, recomendo.
    Aos pouco irei ler mais tuas postagens.
    Até mais. Beijo.

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