terça-feira, 15 de dezembro de 2015

"As Brumas de Avalon - A Grande Rainha", Marion Zimmer Bradley

Olá, queridos leitores!

Hoje trago para vocês a continuação da maravilhosa saga As Brumas de Avalon, quadrilogia escrita pela norte-americana Marion Zimmer Bradley da lenda do Rei Arthur através das perspectivas das personagens femininas, como sua meia-irmã Morgana, sua mãe Igraine e sua esposa Guinevere.

Para quem perdeu a resenha do primeiro volume da série, A Senhora da Magia, pode acessá-la clicando aqui. O segundo livro que dá continuidade a história se chama A Grande Rainha e inicia-se com a perspectiva de Morgana, que está grávida do filho de Arthur, gerado durante os rituais das fogueiras de Beltane. Depois de muito sofrimento durante o parto, Morgana dá à luz Gwydion, cuja verdadeira identidade permanece desconhecida até mesmo para Arthur. Gwydion é criado na corte do Rei Lot como filho de Morgause, tia de Morgana.


Ritual das fogueiras de Beltane
Com a morte de Uther, Arthur é coroado rei da Bretanha e jura ser fiel tanto aos cristãos, quanto aos druidas da ilha mística de Avalon. Ele promete respeitar o cristianismo e os rituais pagãos. Como rei, Arthur deve buscar uma esposa e encontra-a em Guinevere, filha do Rei Leodegranz. Os dois se casam, mas o coração de Guinevere já havia sido conquistado por Lancelote, um dos cavaleiros e amigos mais leais do Rei Arthur. Portanto, Guinevere se esforça para esquecer o valente cavaleiro e se dedicar totalmente ao seu rei e senhor, o que se torna cada vez mais difíicl, pois Guinevere não consegue gerar um filho de Arthur, que seria herdeiro do trono e uma distração para os pensamentos pecaminosos de Guinevere.

Morgana
Guinevere, a Grande Rainha, é uma cristã fervorosa e aos poucos convence Arthur a negligenciar suas promessas para com a velha religião de Avalon. Arthur proíbe os rituais pagãos e a adoração ao deuses, causando grande decepção e preocupação à Senhora do Lago, Viviane, que já está ficando velha e perdendo a Visão. Ela precisa de alguém para assumir o seu posto como grande conselheira de Avalon.

Guinevere
Arthur havia prometido unir a Bretanha, deixando o povo em harmonia independente de sua fé pessoal. O povo da Bretanha viveria em paz e em respeito mútuo. Porém, agora que ele quebrou o seu juramento, o povo mágico de Avalon permanecerá passivo? Ou será o início de uma guerra religiosa na Bretanha? Este é um assunto para o próximo volume da série, O Gamo-Rei.


Marion Zimmer Bradley, autora da saga, foi uma escritora norte-americana, nascida em 3 de junho de 1930. Ela morreu aos 69 anos, em 25 de setembro de 1999, deixando uma vasta produção literária, dentre a qual se destacam os seus romances relacionados à lenda do Rei Arthur. Após a sua morte, a autora Diana L. Paxson, nascida em 1943 e ainda viva, deu continuidade ao Ciclo de Avalon de Marion Zimmer Bradley com a publicação dos livros A Casa da Floresta (1994), A Senhora de Avalon (1997) e A Sacerdotisa de Avalon (2000). Mais recentemente, Diana tem publicado outro livros sobre a mística ilha de Avalon, mas individualmente.

Marion Zimmer Bradley


Diana Paxson
O Gamo-Rei já está na minha lista de leituras e certamente será um dos próximos livros que lerei. Eu sou simplesmente apaixonada por histórias medievais e as lendas do Rei Arthur sempre me fascinaram. E o interessante é que elas permanecem rondando a literatura desde a Idade Média até os dias de hoje.

Uma ótima terça-feira a todos e ótimas leituras!

Nos vemos em Camelot!

Fernanda

domingo, 13 de dezembro de 2015

"Ivanhoé", Walter Scott

Bom dia, queridos leitores!

Neste domingo de férias, nada melhor do que relaxar a mente das preocupações do ano e colocar a leitura em dia, não? Eu já fiz minha seleção de livros para essas férias de verão, e aos poucos vou contando aqui as minhas impressões sobre cada uma dessas leituras!

Sir Walter Scott
Um livro que li no último mês e que me encantou foi Ivanhoé, do escocês Walter Scott. Quem acompanha o blog sabe que eu sou apaixonada por romances históricos e Scott foi quem primeiro se aventurou neste gênero. Muitos críticos até afirmam que foi Scott quem inventou o romance histórico.

Walter Scott nasceu em 15 de agosto de 1771 e morreu em 21 de setembro de 1832. Como leitor, Scott adorava os romances dos escritores góticos da época que eram muito populares, como Anne Radcliffe, Matthew Lewis e Clara Reeves. Como escritor, ele se aventurou pelo universo da poesia, mas seus trabalhos poéticos não foram muito bem recebidos pela crítica. Então, Scott resolveu se dedicar a outro gênero, o romance. Porém, ele se propôs a quebrar as fórmulas dos romances góticos, que já estavam se tornando repetitivos e previsíveis no início do século XIX, e adicionou um novo elemento ao romance: uma preocupação com a plausibilidade histórica dos acontecimentos. Portanto, baseado em muitas pesquisas, Scott se dedicou a retratar os costumes e modos de viver de diversas épocas, mas, é claro, sem deixar de lado o sensacionalismo e dramaticidade de uma boa história. Daí surgiu a combinação perfeita, o romance histórico, que encanta leitores até os dias de hoje.

Ivanhoé foi publicado em 1820 e foi seu oitavo romance histórico. Porém, Ivanhoé continua sendo um dos seus romances mais conhecidos, juntamente com Guy Mannering (1815), Rob Roy (1817) e O Antiquário (1816). Este foi o primeiro romance de Scott que li, mas pretendo colocar outros dele na minha lista de leituras.

Ivanhoé leva o leitor de volta para a Inglaterra do século XII, quando Ricardo Coração de Leão era rei da Inglaterra. Ricardo, no entanto, estava longe do reino lutando na Terceira Cruzada, e seu irmão João aproveitava-se de sua ausência para fazer planos para tomar a coroa para si. O príncipe João organiza um torneio, no quais cavaleiros mostravam a sua bravura para as donzelas do reino. Neste torneio, quem sai vitorioso é um cavaleiro misterioso, que atende pelo nome de Cavaleiro Deserdado. Mesmo após a sua vitória, o cavaleiro não revela a sua identidade, o que causa enorme curiosidade no príncipe João e em toda a plateia que assistia o torneio.

Neste romance, há o conflito entre os remanescentes da família real saxã, antigos ocupantes do território inglês, e a nova nobreza normanda, que havia conquistado a Inglaterra em 1066. É curioso observar como os costumes e tradições de cada povo são retratados diferentemente. Além dos saxões e normandos, ainda há os judeus, que são tratados com preconceito pelos saxões e normandos, como expatriados e ligados às ciências ocultas.



Em Ivanhoé, também conhecemos mais dois personagens misteriosos: o Cavaleiro Negro e o arqueiro misterioso, cujas identidades o leitor só vem a saber no final do romance. A história se desenvolve de maneira lenta, são mais de 500 páginas! Porém, o leitor moderno deve se lembrar que o romance foi originalmente publicado no início do século XIX, quando livros eram geralmente publicados em partes (Ivanhoé foi inicialmente publicado em três volumes) e eram uma das poucas fontes de entretenimento para os letrados. Os leitores acompanhavam avidamente as publicações literárias e comentavam sobre os personagens nas ruas. Era como as novelas de hoje em dia! Portanto, naquela época, quanto maior o livro, melhor!


O clímax da história é a tomada do castelo de Front-de-Boeuf, um nobre normando, que mantinha prisioneiros os nobres saxões Cedric, Athelstane e a Lady Rowena, além dos judeus Isaac e a bela Rebecca. O Cavaleiro Negro e o arqueiro misterioso e sua trupe montam um plano para resgatá-los.


Ivanhoé é um prato cheio para aqueles que gostam de uma história medieval, cheia de conflitos entre cavaleiros, lutas pelo poder e pela atenção das donzelas. Eu tenho um interesse particular pelos reinados de Ricardo I e João, por isso a leitura foi ainda mais interessante, pois foi uma nova visão sobre o período desses monarcas.


Walter Scott foi realmente merecedor de todo o seu mérito como romancista histórico, pois o trabalho que ele teve para escrever tanto Ivanhoé como seus outros romances históricos foi gigantesco. Imaginem a pesquisa que Scott fez para descobrir e, assim, poder representar em palavras os costumes daquela época, caracterizar os personagens de maneira fidedigna e relatar os acontecimentos de maneira verossímil. Sem falar que cada romance histórico de Scott retrata uma época e local diferentes, e ele escreveu mais de vinte! Alguns no mesmo ano! Haja empenho, hein Sir Scott?


Para quem ainda não conhece o trabalho de Walter Scott, eu recomendo a leitura de Ivanhoé, que irá, certamente, encantar seus leitores! Assim que tiver concluído a leitura de mais trabalhos de Scott, eu escrevo as minhas impressões aqui.

Um ótimo domingo a todos e ótimas leituras!

Fernanda

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

"Frankenstein", Mary Shelley

Bom dia, queridos leitores!

Frankenstein é um livro que já estava em minha lista de leitura há muito tempo, mas algo sempre acontecia e outro livro tomava a frente. Porém, neste último semestre no mestrado eu tive que escrever um artigo que levasse em conta as teorias sobre o pós-humano. Então não tive dúvidas: iria unir o útil ao agradável e decidi que este era o momento perfeito para ler a obra-prima de Mary Shelley!


Percy, Mary e Byron
Acredito que a maioria de vocês já conheça a história por trás da criação de Frankenstein, mas eu a acho tão interessante que não custa nada mencioná-la mais uma vez, não é? Mary Shelley, após ser amante do poeta Percy Shelley, casou-se com ele depois da trágica morte da sua primeira esposa em 1816. A suspeita é que ela tenha se suicidado. Em maio deste mesmo ano, Percy e Mary passaram algumas semanas com Lord Byron, outro poeta inglês, na Suíça. Ao contrário de suas expectativas, no entanto, o verão tinha sido extremamente chuvoso e eles foram obrigados a permanecer dentro de casa na maior parte do tempo. Para se distraírem, eles se reuniam para ler histórias de fantasmas dos escritores franceses e alemães. Foi então que surgiu no grupo a ideia de um desafio: cada um deles deveria escrever uma história de terror! Alguns dias depois, o sol voltou a brilhar na Suíça e os dois homens abandonaram o projeto, enquanto Mary deu à luz sua hideous progeny, como ela mesmo se refere a Frankenstein.

Mary, incentivada por seu marido Shelley, desenvolveu sua terrível história criada no verão de 1816 em um romance, publicado em 1818. Mary mal sabia que o resultado deste desafio se tornaria um dos livros mais influentes do século XIX e, posso acrescentar, de toda a literatura ocidental. Frankenstein se tornou um mito!

Por fim, na semana passada li o romance de Shelley e aproveitei cada página, cada parágrafo, cada palavra! Conhecemos a história de Victor Frankenstein através das cartas para a sua irmã de um jovem aventureiro que encontra Frankenstein em uma de suas expedições para o Polo Norte. Aos poucos ele nos revela as descobertas de Frankenstein, a sua sede por conhecimento e glória e seu ousado projeto de dar vida a uma matéria morta.

O que eu achei muito interessante neste livro é que, diferentemente do que acontece na grande maioria das adaptações cinematográficas da obra, o monstro não era um monstro desde o início. A criação de Frankenstein tornou-se cruel porque foi abandonada pelo seu próprio criador e tratado com horror e repugnância por todos que o encontravam. Incapaz de encontrar a sua própria identidade e o seu lugar no mundo, Frankenstein se volta contra o seu criador e contra toda a raça humana.

 É aí que nos questionamos: quem é verdadeiramente o monstro? A abominável criatura feita de restos de carne humana e animal, que foi abandonada por seu criador e sem um rumo na vida que ele não pediu? Ou o jovem cientista que ultrapassa os limites da ética e concede vida a uma matéria e a abandona logo em seguida?

Mary Shelley, a autora de Frankenstein, nasceu em 30 de agosto de 1797. Filha da grande Mary Wollstonecraft, uma das primeiras feministas que escreveu A Vindication of the Rights of Woman (1792), e de William Godwin, filósofo e escritor, Mary tinha tudo para se tornar uma grande mulher. Sua mãe morreu apenas dez dias depois de seu nascimento devido a complicações do parto e Mary nunca se perdoaria por ter "matado" sua mãe, que era uma brilhante mulher. Durante toda a sua vida, Mary sempre teve sua mãe como modelo e lia todos os seus escritos.

Após a morte de seu marido Percy Shelley em 1822 em uma viagem marítima e após a morte prematura da maioria de seus filhos, Mary tornou-se mais reclusa e deprimida. Seu único filho a atingir a idade madura foi Percy Florence, que viveu até 1889. Mary editou a obra poética de seu marido e voltou a dedicar-se à escrita. Ela escreveu contos e romances, entre os quais os mais conhecidos são Frankenstein (1818) e O Último Homem (1826). Mary morreu em fevereiro de 1851 aos 53 anos, vítima, ao que tudo indica, de um tumor cerebral.

Mary Shelley

Mary Shelley, além de ter escrito textos inesquecíveis, teve uma vida excepcional para uma mulher no século XIX. Há muitas biografias escritas sobre a vida de Mary, Percy e seus amigos célebres. Já está em meus planos colocar um desses livros em minha lista de leituras para 2016!

Filme de 2015
Para quem gosta da trama atemporal de Frankenstein, recentemente foi lançado o filme Victor Frankenstein com Daniel Radcliffe e James McAvoy. O filme foca na vida de Victor Frankenstein e de seu ajudante Igor - inexistente no romance original de Shelley - enquanto aperfeiçoam a descoberta de Frankenstein para dar vida a um corpo inanimado. Eu assisti a esse filme nesta semana e gostei bastante. A história foge da trama original, mas eu acredito que cada adaptação traz um novo olhar sobre o texto de origem e, por isso, várias interpretações são possível. Daí existirem tantas adaptações de Frankenstein até hoje, uma diferente da outra. É essa a riqueza da união entre cinema e literatura!


A única coisa que me perturbou um pouco foi o fato da criação de Frankenstein ser considerada um monstro completamente, sem alma e cujo único objetivo era matar e destruir. De qualquer maneira, eu recomendo o filme! Eu acompanho o Daniel Radcliffe desde Harry Potter e confesso que nenhum trabalho anterior dele tinha conseguido me fazer desvencilhar a imagem de Daniel da de Harry. Porém, em Victor Frankenstein, ele consegue! A atuação de Radcliffe está muito boa, vale a pena conferir!


Boris Karloff como a criação de Frankenstein
Há também as outras adaptações de Frankenstein que valem a pena serem conferidas, como a clássica versão de 1931, que traz o monstro interpretado por Boris Karloff.

Como viram, a obra de Mary Shelley dá espaço para muitas discussões! Espero que tenham gostado desta sugestão e que se deixem envolver pela história do Prometeu moderno, seja qual for a mídia!

Um abraço e ótimas leituras!

Fernanda



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

"Ragnarök, o Crepúsculo dos Deuses", Mirella Faur

Bom dia, queridos leitores!

Nesta última semana terminei de assistir a primeira temporada da série Vikings, produzida pelo History Channel, e nem preciso dizer que estou fascinada, não é? Estou maravilhada com a história das primeiras excursões vikings na Europa e estou ainda mais fascinada pela mitologia nórdica. Por isso, resolvi escrever para vocês um pouco sobre essa intrigante cultura.

"Vikings", a série produzida pelo History Channel

Há alguns meses, enquanto passeava por uma livraria, me deparei com o livro Ragnarök: o Crepúsculo dos Deuses - Uma Introdução à Mitologia Nórdica, escrito pela romena naturalizada brasileira Mirella Faur. Ainda não tinha tido tempo para explorá-lo, mas, assim que terminei de assistir a série, corri a ele para saber mais sobre esses bárbaros do norte.

Mirella Faur explica que a mitologia nórdica surgiu na pré-história e compreende as crenças e tradições dos povos escandinavos, bálticos e germânicos. Muito da história desses povos se perdeu, pois eles não tinham o costume de registrar seus feitos em escrito. As tradições eram passadas oralmente de geração para geração. Porém, com o advento do cristianismo e a perseguição às culturas pagãs, essas tradições, infelizmente, foram se perdendo.

O núcleo da mitologia nórdica é a harmonia entre as forças cósmicas, telúricas e naturais. As forças da natureza são personificadas em deuses, que estão em constante batalhas. Essa harmonia tem como guia a "lei do eterno retorno", em que tudo é visto como um ciclo - assim como a vida humana: vida, morte e renovação.

O interesse pela mitologia nórdica tem sido resgatado nos séculos XX e XXI. Isto é perceptível pela presença de elementos nórdicos na literatura, como em O Senhor dos Anéis de J. R. R. Tolkien, em poemas, no cinema e na televisão, como a série Vikings, na música, como as bandas de Viking Metal e grupos de neofolk, e pelos movimentos ocultistas como a Wicca e o Odinismo.

A mitologia nórdica tem muito a ensinar à nossa sociedade consumista e individualista. Temos que nos deixar iluminar pelo conhecimento viking, que presa pela harmonia entre todos os seres e que nos reconecta com as forças vitais na natureza.

Mirellla Faur, a autora deste livro, nasceu na Transilvânia, mas se naturalizou brasileira. Ela é uma grande estudiosa da Astrologia, oráculos e runas. No Brasil, ela formou e dirigiu círculos sagrados de mulheres com rituais de reverência aos princípios e valores da espiritualidade feminina. Atualmente, ela escreve sobre mitologia nórdica e ministra palestras e cursos sobre o Sagrado Feminino.

Mirelle Faur

Espero que tenham gostado desse nosso primeiro contato com a mitologia nórdica. Mais posts sobre essa incrível cultura certamente virão!

Uma ótima segunda-feira e uma semana repleta de leituras e conhecimento!

Um abraço,

Fernanda

sábado, 5 de dezembro de 2015

"O Príncipe das Trevas", Jean Plaidy

Boa tarde, queridos leitores!

"Uma atmosfera inquieta predominara na corte da Bretanha desde a chegada do visitante inesperado, o príncipe João, conde de Mortain, irmão de Ricardo I da Inglaterra - homem cuja reputação era tal que levava o povo a acreditar na lenda de que o sangue do diabo infectara, certa vez, a casa de Anjou e o Príncipe das Trevas voltara à Terra na pessoa do príncipe João" (Jean Plaidy).

Essa é a descrição de Plaidy do príncipe João, que viria a tomar a coroa da Inglaterra depois da morte do seu irmão Ricardo Coração-de-Leão e se tornaria o rei mais cruel da história da monarquia inglesa, o próprio descendente do Diabo!

Este é "O Príncipe das Trevas", o quarto volume da envolvente Saga Plantageneta, que narra as aventuras e desventuras dos primeiros reis e rainhas das Inglaterra pertencentes a esta dinastia que reinou do século XII ao XV, passando por momentos importantíssimos na consolidação da nação inglesa.


O reinado de João foi caracterizado por sua devassidão (semelhante à de seu pai, Henrique II) e sua tirania, que acabou aguçando a ira de seus barões, que se revoltaram contra ele e prometeram aliança ao Rei Filipe da França. Os franceses não apoiavam a coroação de João e afirmavam que o título de legítimo Rei da Inglaterra cabia a Artur (sobrinho de João e filho mais velho do irmão mais velho de João, Geofredo). No entanto, o cruel João não deixaria o trono tão facilmente e recorreria a tudo - até ao assassinato - para garantir o seu poder.

Rei João da Inglaterra

O Rei João passava muitas horas saciando seus prazeres e negligenciando os assuntos reais, o que causou a perda do rico território da Normandia para a França. Cansados da negligência do seu rei, os barões se reuniram e obrigaram o rei a assinar a famosa Magna Carta, que - à contragosto de João - limitava os poderes do soberano.

Assinatura da Magna Carta


Um ano após a assinatura da Carta, João morreu de disenteria, deixando, mais uma vez, o trono da Inglaterra vago. Com a sua morte, os olhos dos inglesas caíram em Henrique III, filho de João, que viria a tornar-se o próximo Rei da Inglaterra e um dos personagens do próximo volume da Saga Plantageneta: "A Batalha das Rainhas", que já está na minha lista de leitura para as férias!

Rei João e seu sorinho, Artur
Quem acompanha o meu blog sabe que eu sou apaixonada por romances históricos. Eu simplesmente adoro a maneira como realidade e ficção se entrelaçam, levando o leitor a outro período na história! E que período melhor do que a Idade Média? Conflitos entre cavaleiros e a luta pelo trono são temas fascinantes, na minha opinião. Quem gosta de tramas medievais, vai adorar essa saga de 14 volumes da genial Jean Plaidy.

Quem tiver interesse em conferir as resenhas referentes aos três primeiros livros da série, pode acessá-las clicando aqui.

Espero que tenham gostado dessa jornada pelo século XIII tanto quanto eu.

Uma ótima noite de sábado a todos e, é claro, ótimas leituras!

Um abraço,

Fernanda

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

"Livros em Pauta"

Bom dia, queridos leitores!

Hoje já é o primeiro dia de dezembro, o que significa que eu fiquei um mês inteiro sem postar por aqui! Este mês de novembro estava realmente muito atribulado, muitas coisas para escrever, muita coisa para entregar...  Mas agora o novo mês já traz aquele cheirinho de férias e poderei compartilhar com vocês as minhas últimas aventuras pelo universo literário.


O idealizador do projeto, Edson Rossatto
Neste final de semana, participei de um evento literário em São Paulo chamado Livros em Pauta. Este evento tem como objetivo reunir os escritores das antologias publicadas pela Editora Andross, bem como proporcionar aos participantes e público em geral palestras gratuitas sobre o ofício de escrever. Além disso, o lugar contou com estandes de muitas livrarias e autores independentes, que divulgaram e venderam seu trabalho por ali.




Neste evento foram lançadas as antologias "Etéreo", de contos fantásticos organizada por Alex Mir; "Marcas Eternas", de contos de amor, organizada por Leandro Schulai; "Círculo do Medo", de contos de terror, organizado por Alfer Medeiros; "Outrora", de contos distópicos organizada por Paola Giometti; "Nanquim", de contos e crônicas de temática livre; e, por fim, "Metamorfoses", uma coletânea de poemas organizada por Edson Rossatto.








 Eu participei da antologia "Etéreo" com o conto "Cartas". Foi a minha primeira experiência escrevendo um conto e já achei fantástico! É muito interessante participar do processo de revisão e preparação do conto para publicação e, por fim, vê-lo integrante de um projeto tão legal, em um livro de alta qualidade e acabamento. Já fiquei animada para participar de novas antologias no futuro!


Livros em Pauta foi uma ótima oportunidade para conhecer os organizadores por trás desse projeto de publicação coletiva de antologias, e também para encontrar os outros escritores que também participaram do projeto. É sempre bom sentir-se rodeado de pessoas que compartilham dos mesmos interesses que os seus, não é?


Organizadores das antologias da Editora Andross
Para quem se interessou pelo projeto e gostaria de participar de novas antologias, confira o site da Editora Andross. Até janeiro de 2016 eles estão recebendo originais para seleção para compor as antologias "Tratado oculto do terror", "Céus de chumbo", "Sabor da paixão", "Vendetta" e "Via de lótus", que têm lançamento previsto para junho do ano que vem.
Deixe acordar o escritor que existe dentro de você. Participe!



Uma ótima semana a todos e ótimo início de dezembro com muitas leituras!

Um abraço,

Fernanda

domingo, 1 de novembro de 2015

"O fantasma", Edith Nesbit

Boa noite, queridos leitores!


Ainda em clima de Halloween, trago para vocês um livrinho que me cativou desde o momento em que coloquei os olhos nele! Trata-se de Poems bewitched and haunted (em português algo como Poemas enfeitiçados e assombrados), publicado pela Everyman's Library Pocket Poets em uma edição lindíssima de capa dura e com estas adoráveis abóboras na capa! Foi, claro, amor à primeira vista!


Este é um daqueles livros que não se lê de uma vez só, mas que se saboreia poema por poema em diferentes momentos da vida. Eu gosto de abrir este livro ao acaso e verificar com qual poema me deparo, e se ele, de alguma forma, se relaciona com o momento pelo qual estou passando em minha vida. O legal desta coleção da Everyman's Library Pocket Poets é que eles compuseram antologias de poemas de diversos temas. Há este que escolhi com poemas enfeitiçados e assombrados; há outros com poemas de amor, poemas de Natal, poemas de guerra, poemas de jardim, poemas de animais, poemas cômicos, poemas de amizade, poemas do mar, enfim! São mais de 60 títulos. É um mais lindo do que o outro, quero todos!

Alguns dos títulos da coleção

Nesta antologia de poemas enfeitiçados e assombrados foram reunidos poemas que tratam de espíritos (belos, sensuais, benignos ou maléficos), bruxas, fantasmas, edifícios assombrados, cavalos espectrais, entre outros!

Na Introdução da antologia escrita por John Hollander, ele comenta que a poesia em si já um encantamento! A linguagem poética é repleta de metáforas e imagens que em si já são feitiços. Além disso, a bruxaria e a presença de criaturas mágicas como temas poéticos não é nada de novo! Poemas deste estilo existem desde o tempo de Homero na Grécia Antiga.De fato, bruxas, gnomos, duendes, demônios e diversas outras criaturas mágicas faziam parte do cotidiano e da crença das pessoas, tanto dos poetas como de seus leitores. No entanto, a partir do século XVII, com o advento da ciência, tais crenças passaram a se tornar insustentáveis. Porém, elas ainda permaneceram no nosso imaginário e permeiam a literatura até os dias de hoje.

Esta coletânea traz poemas de autores, períodos e locais diversos, desde Homero a Shakespeare, Percy Shelley, John Donne, Edgar Allan Poe, Goethe, Baudelaire, John Keats, Ann Radcliffe, William Butler Yeats, Samuel Coleridge, Emily Dickinson, entre tantos outros! é uma jornada e tanto!


Edith Nesbit
Hoje escolhi para vocês um poema de Edith Nesbit, escritora inglesa do final do século XIX e início do XX, conhecida por sua extensa criação de literatura infanto-juvenil. Antes de escrever qualquer coisa sobre o poema, vou colocá-lo aqui para a sua apreciação e interpretação. Ele está em seu idioma original, o inglês, pois não pude encontrar nenhuma tradução para o português. Além disso, sou um tanto quanto cética à tradução de poesia. Creio que, sim, é possível, mas que a experiência nunca será a mesma de ler o poema no original. Mas este é um assunto para outro momento!


     The ghost

Now that the curtains are drawn and close,
     Now that the fire burns low,
And on her narrow bed the rose
     Is stark laid out in snow;
Now that the wind of winter blows
Bid my heart say if still it knows
     The step it used to know.

I hear the silken gown you wear
     Sweep on the gallery floor,
Your step comes up the wide, dark stair
     And pauses at my door.
My heart with the old hope flowers fair -
That shrivels to the old despair,
     For you come in no more!


Neste lindo poema, ao invés de um assustador espírito do mal, a voz do poema se depara com o fantasma da presença de um antigo amor, que não mais se ouve pelos corredores em uma noite fria de inverno. Lindo, não?

Este é apenas um dos poemas desta fantástica antologia, que certamente me acompanhará por muitos Halloweens por vir!

Um ótimo início de mês a todos e muitos poemas!

Fernanda