quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

"Frankenstein", Mary Shelley

Bom dia, queridos leitores!

Frankenstein é um livro que já estava em minha lista de leitura há muito tempo, mas algo sempre acontecia e outro livro tomava a frente. Porém, neste último semestre no mestrado eu tive que escrever um artigo que levasse em conta as teorias sobre o pós-humano. Então não tive dúvidas: iria unir o útil ao agradável e decidi que este era o momento perfeito para ler a obra-prima de Mary Shelley!


Percy, Mary e Byron
Acredito que a maioria de vocês já conheça a história por trás da criação de Frankenstein, mas eu a acho tão interessante que não custa nada mencioná-la mais uma vez, não é? Mary Shelley, após ser amante do poeta Percy Shelley, casou-se com ele depois da trágica morte da sua primeira esposa em 1816. A suspeita é que ela tenha se suicidado. Em maio deste mesmo ano, Percy e Mary passaram algumas semanas com Lord Byron, outro poeta inglês, na Suíça. Ao contrário de suas expectativas, no entanto, o verão tinha sido extremamente chuvoso e eles foram obrigados a permanecer dentro de casa na maior parte do tempo. Para se distraírem, eles se reuniam para ler histórias de fantasmas dos escritores franceses e alemães. Foi então que surgiu no grupo a ideia de um desafio: cada um deles deveria escrever uma história de terror! Alguns dias depois, o sol voltou a brilhar na Suíça e os dois homens abandonaram o projeto, enquanto Mary deu à luz sua hideous progeny, como ela mesmo se refere a Frankenstein.

Mary, incentivada por seu marido Shelley, desenvolveu sua terrível história criada no verão de 1816 em um romance, publicado em 1818. Mary mal sabia que o resultado deste desafio se tornaria um dos livros mais influentes do século XIX e, posso acrescentar, de toda a literatura ocidental. Frankenstein se tornou um mito!

Por fim, na semana passada li o romance de Shelley e aproveitei cada página, cada parágrafo, cada palavra! Conhecemos a história de Victor Frankenstein através das cartas para a sua irmã de um jovem aventureiro que encontra Frankenstein em uma de suas expedições para o Polo Norte. Aos poucos ele nos revela as descobertas de Frankenstein, a sua sede por conhecimento e glória e seu ousado projeto de dar vida a uma matéria morta.

O que eu achei muito interessante neste livro é que, diferentemente do que acontece na grande maioria das adaptações cinematográficas da obra, o monstro não era um monstro desde o início. A criação de Frankenstein tornou-se cruel porque foi abandonada pelo seu próprio criador e tratado com horror e repugnância por todos que o encontravam. Incapaz de encontrar a sua própria identidade e o seu lugar no mundo, Frankenstein se volta contra o seu criador e contra toda a raça humana.

 É aí que nos questionamos: quem é verdadeiramente o monstro? A abominável criatura feita de restos de carne humana e animal, que foi abandonada por seu criador e sem um rumo na vida que ele não pediu? Ou o jovem cientista que ultrapassa os limites da ética e concede vida a uma matéria e a abandona logo em seguida?

Mary Shelley, a autora de Frankenstein, nasceu em 30 de agosto de 1797. Filha da grande Mary Wollstonecraft, uma das primeiras feministas que escreveu A Vindication of the Rights of Woman (1792), e de William Godwin, filósofo e escritor, Mary tinha tudo para se tornar uma grande mulher. Sua mãe morreu apenas dez dias depois de seu nascimento devido a complicações do parto e Mary nunca se perdoaria por ter "matado" sua mãe, que era uma brilhante mulher. Durante toda a sua vida, Mary sempre teve sua mãe como modelo e lia todos os seus escritos.

Após a morte de seu marido Percy Shelley em 1822 em uma viagem marítima e após a morte prematura da maioria de seus filhos, Mary tornou-se mais reclusa e deprimida. Seu único filho a atingir a idade madura foi Percy Florence, que viveu até 1889. Mary editou a obra poética de seu marido e voltou a dedicar-se à escrita. Ela escreveu contos e romances, entre os quais os mais conhecidos são Frankenstein (1818) e O Último Homem (1826). Mary morreu em fevereiro de 1851 aos 53 anos, vítima, ao que tudo indica, de um tumor cerebral.

Mary Shelley

Mary Shelley, além de ter escrito textos inesquecíveis, teve uma vida excepcional para uma mulher no século XIX. Há muitas biografias escritas sobre a vida de Mary, Percy e seus amigos célebres. Já está em meus planos colocar um desses livros em minha lista de leituras para 2016!

Filme de 2015
Para quem gosta da trama atemporal de Frankenstein, recentemente foi lançado o filme Victor Frankenstein com Daniel Radcliffe e James McAvoy. O filme foca na vida de Victor Frankenstein e de seu ajudante Igor - inexistente no romance original de Shelley - enquanto aperfeiçoam a descoberta de Frankenstein para dar vida a um corpo inanimado. Eu assisti a esse filme nesta semana e gostei bastante. A história foge da trama original, mas eu acredito que cada adaptação traz um novo olhar sobre o texto de origem e, por isso, várias interpretações são possível. Daí existirem tantas adaptações de Frankenstein até hoje, uma diferente da outra. É essa a riqueza da união entre cinema e literatura!


A única coisa que me perturbou um pouco foi o fato da criação de Frankenstein ser considerada um monstro completamente, sem alma e cujo único objetivo era matar e destruir. De qualquer maneira, eu recomendo o filme! Eu acompanho o Daniel Radcliffe desde Harry Potter e confesso que nenhum trabalho anterior dele tinha conseguido me fazer desvencilhar a imagem de Daniel da de Harry. Porém, em Victor Frankenstein, ele consegue! A atuação de Radcliffe está muito boa, vale a pena conferir!


Boris Karloff como a criação de Frankenstein
Há também as outras adaptações de Frankenstein que valem a pena serem conferidas, como a clássica versão de 1931, que traz o monstro interpretado por Boris Karloff.

Como viram, a obra de Mary Shelley dá espaço para muitas discussões! Espero que tenham gostado desta sugestão e que se deixem envolver pela história do Prometeu moderno, seja qual for a mídia!

Um abraço e ótimas leituras!

Fernanda



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