sexta-feira, 29 de maio de 2015

"Leonor", Gottfried August Bürger

Olá, queridos leitores!

Há algumas semanas, escrevi um post sobre a aparição do vampiro na literatura (os interessados podem acessar este post, clicando aqui). De acordo com Bruno Berlendis de Carvalho, organizador da Antologia do Vampiro Literário (2010), o primeiro registro da criatura mítica de dentes pontudos na literatura foi no poema Crê a Moça Minha Amada, escrito em 1748 pelo alemão Henrich August Ossenfelder. A referência ao vampiro é explícita, mas a interpretação do personagem-narrador como um vampiro fica a cargo do leitor.

Gottfried August Bürger
No segundo texto da coleção, curiosamente também um poema escrito por um alemão, a alusão ao vampiro é feita de modo mais implícito, requer uma maior atenção do leitor às dicas espalhadas pelo texto. O poema em questão é Leonor, escrito em 1773 por Gottfried August Bürger.


Bürger nasceu em 31 de dezembro de 1747, em Molmerswende, e morreu em 8 de junho de 1794, aos 46 anos, vítima de tuberculose. Bürger foi um poeta muito popular na Alemanha, porém seu poema Leonor atravessou fronteiras e aumentou a visibilidade do autor ao ser traduzido para o inglês e para o francês (Hoje é possível encontrar o poema em português, como o traduzido por Erick Ramalho, que consta na antologia mencionada anteriormente). Durante sua vida, Bürger gostava de lugares solitários e melancólicos, principalmente para escrever seus versos. Seus primeiros poemas foram publicados em 1771.



O poema Leonor nos conta as aflições de uma jovem garota que espera pelo retorno do seu amado, que foi lutar na Guerra entre a Prússia e o Império Áustro-Húngaro. Com o tratado de paz finalmente assinado, os homens, jovens e velhos, puderam voltar às suas casas. Leonor acompanhava a volta de vários homens em seu vilarejo, mas nada de Guilherme, seu amado, voltar. Ela chega a desesperar-se e diz à sua mãe que sua vida não tem sentido sem Guilherme.



Durante a noite, contudo, Guilherme a visita em seu portão montado, em um cavalo, e a chama para ir consigo para que fiquem juntos em seu leito. A moça, ávida, segue viagem com o amado e, juntos, galopam a grande velocidade. Durante a longa balada, que tem 255 versos, Guilherme repete muitas vezes o seguinte trecho: 




"Temes, bem?... A lua o lume expôs.
Hurra! Mortos montam veloz!
Temes, meu bem, os mortos?"





A interpretação de tal trecho e do restante do poema eu deixo a cargo de você, leitor. Este poema é um grande exemplo da produção literária escrita na segunda metade do século XVIII, período de efervescência cultural na Alemanha. Foi o período que antecedeu o Romantismo, caracterizado pelo Sturm und Drang (tempestade e ímpeto), movimento que pregava o retorno às características nacionais da literatura, resgatando velhos mitos e contos populares, como os irmãos Grimm fizeram ao reescreverem contos de fadas. Um dos personagens de mitos populares, normalmente de tradição oral, que ressurgiram nesta época foi o vampiro.




Nossa jornada pela história do vampiro na literatura continua com o auxílio da Antologia do Vampiro Literário, publicado pela editora Berlendis & Vertecchia. Por enquanto, ainda temos muito a desvendar no século XVIII.



Boas leituras e um ótimo final de semana!

Fernanda

7 comentários:

  1. Oi Fernanda, tudo bem? Gostei muito do post, eu adoro vampiros, principalmente os mais modernos, mas é bem legal descobrir qual foi a sua origem na literatura, e realmente, eles são bem antigos.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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  2. Explícito ou não, vampiro não é pra mim, ainda mais com esses versos repetitivos com frases em ordem indireta... Ai, não curto. Sei que vc adora clássicos e textos com uma linguagem mais rebuscada, mas não consigo gostar.
    Beijinhos!
    Giulia - www.prazermechamolivro.com

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  3. Ah, sou um fracasso para interpretar poemas, rs, e não tenho nada pra dizer sobre esse trecho que você disse que é repetido várias vezes... hehe... De qualquer jeito, só por ter vampiro no nome, eu não leria essa antologia. Esses seres me assustam.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  4. Sou péssima com poemas, mas amo vampiros <3
    Eu acho que só entendi o trecho que tanto se repete graças aos vampiros que você já citou. Agora, alguém pensou em perguntar para esse homem de onde ele tirou a ideia de vampiros? Eu queria muito saber isso rs

    http://www.maisquelivros.com/2015/06/resenha-uma-longa-jornada-nicholas.html

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  5. E eu achando que os vampiros tinham sido criados com Drácula! Post bem interessante. Eu prefiro essas criaturas da velha guarda, as mais atuais não m agradam.
    Será que Burger se inspirou em Elizabeth (acho que rainha ou condessa), que se banhava no sangue de donzelas para manter-se sempre jovem? Algumas pessoas dizem que ela inspirou o mito.
    Com carinho,
    Celly.

    http://melivrandoblog.blogspot.com/

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  6. "Denn die Todten reiten schnell!"
    "Pois os mortos calvagam céleres!"

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