terça-feira, 16 de junho de 2020

"Mulherzinhas", Louisa May Alcott

Olá, queridos leitores!

Hoje eu venho compartilhar com vocês a minha leitura de Mulherzinhas (1868), de Louisa May Alcott. Esse é um livro que estava na minha lista de leituras há muito tempo por se tratar de uma obra importante na história da literatura norte-americana. Porém, foi quando eu assisti à mais recente adaptação cinematográfica da obra, Adoráveis Mulheres (2019), que a vontade de ler o romance despertou! Eu simplesmente amei esse filme! Sem falar que o elenco estava divino: Emma Watson no papel da irmã mais velha Meg, Saoirse Ronan como a icônica Jo, Eliza Scanlen como a jovem Beth, e Florence Pugh como a espevitada Amy. Eu deixei o cinema com o coração aconchegado, eu ri, chorei e queria passar mais tempo com as irmãs March. Portanto, saí do cinema direto em direção à livraria e comprei o livro em capa dura, mas só agora, dois meses depois, tive a oportunidade de lê-lo.

Fiquei muito feliz com a leitura porque tive o mesmo sentimento aconchegante que senti no cinema. Adorava voltar para casa, abrir o livro e voltar ao dia-a-dia da família March. A história se inicia em dezembro de 1861, ou seja, no primeiro ano da Guerra Civil Americana. As quatro irmãs March estão em casa com sua mãe, que elas chamam carinhosamente de Marmee, e a empregada Hannah, ocupadas com os preparativos do Natal. Porém, apesar da atmosfera festiva, as garotas não estão completamente felizes porque seu pai, o Sr. March, estava lutando na Guerra Civil como um soldado da União, ou seja, do lado contra a escravidão. Além disso, os negócios da família tinham sofrido nos últimos anos, diminuindo as condições da família, que precisava ser criativa para manter certos hábitos - principalmente as garotas, que em sua adolescência ansiavam por presentes de Natal, roupas da moda, lenços para o cabelo, sapatos de seda e livros com capa de couro. Apesar da simplicidade e escassez, a família nunca deixou de ajudar os mais necessitados, oferecendo o seu próprio café da manhã natalino para uma pobre mãe com seis filhos.

Conforme o livro avança, nós acompanhamos as quatro irmãs, nos familiarizamos com os seus jeitos, gostos e ambições: a mais velha Meg é romântica mas sensata e sonha se casar por amor e construir uma família; Jo é a criativa das irmãs, que ama ler e escreve histórias, que eventualmente são publicadas e a levam a sonhar em ser uma famosa escritora; Beth é a mais doce e frágil das irmãs. Ela é apaixonada por música, ajuda a todos que puder, mas tem saúde e corpo frágeis, que causam preocupação às outras garotas e Marmee; e, finalmente, Amy, a mais nova mas que tem desejos bem definidos: ela quer usar sua beleza e charme para conseguir um lugar de prestígio na sociedade. Ela ama pintar e sonha em ser uma artista aclamada, mas percebe que gênio e talento são duas coisas distintas.

Originalmente, o livro foi publicado em dois volumes: Little Women em 1868, que corresponde a um ano inteiro desde dezembro de 1861 até o final de 1862, e 23 capítulos. O
romance foi tão bem-recebido que o editor pediu a Louisa May Alcott uma continuação, a qual ela publicou sob o título Good Wives, ou "Boas Esposas" em 1869. O segundo volume acompanha as garotas, que já se tornaram jovens mulheres, durante um período maior de tempo em suas jornadas de autoconhecimento e de busca pelo amor. Atualmente, o costume editorial é publicar os dois volumes em um só, como a edição da Penguin Classics que eu li. Portanto, é importante prestar atenção quando escolher o seu livro para verificar se ele traz a versão completa ou se tem só a Parte I.

A minha edição da Penguin Classics traz uma introdução escrita pela crítica literária Elaine Showalter (da qual soou fã!), que escreveu importantes livros sobre a presença das mulheres na história da literatura inglesa e americana, como A Literature of their Own (1977) e A Jury of her Peers (2009), respectivamente. Aliás, no meu canal no YouTube eu fiz uma série de vídeos com base nos primeiros capítulos de A Literature of their Own, cujo projeto eu intitulei "Uma Literatura Toda Delas". Para acessar os vídeos no canal, clique aqui:











Nesta introdução, Showalter comenta sobre a importância de Mulherzinhas para diversas autoras, como, por exemplo, a admirável Simone de Beauvoir (1908-1986). Beauvoir escreveu o seguinte: "Houve um livro no qual eu acreditei ter visto uma fagulha do meu 'eu' do futuro: Little Women, de Louisa May Alcott... eu me identifiquei apaixonadamente com Jo, a intelectual. Brusca e magrela, Jo escalava árvores quando ela queria ler; ela era mais durona e ousada do que eu, mas eu compartilhava o seu horror por costura e cuidados da casa e o seu amor por livros. Ela escrevia; de modo a imitá-la mais completamente, eu escrevi dois ou três contos" (Tradução livre minha).

Meg, Amy, Jo e Beth






Imaginem só! A personagem Jo levou Simone de Beauvoir a escrever! Eu também me identifiquei muito com Jo, o seu amor por livros, sua vontade de ser escritora e sua admiração pela biblioteca do Sr. Laurence, apesar de meu temperamento e comportamento serem mais compatíveis com o de Meg. Eu, por exemplo, nunca fui de escalar árvores! :)






Cena do filme de 2019


Mulherzinhas traz muitos elementos autobiográficos de Louisa May Alcott (1832-1888), uma jovem mulher da Nova Inglaterra, que começou sua carreira de escritora sob o pseudônimo A. M. Barnard, quando escreveu histórias de espiões e vingança no estilo dos contos sensacionalistas de Jo em Mulherzinhas. Louisa, como Jo, tinha três irmãs: Abigail, Elizabeth e Ana. Interessantemente, o sobrenome de Louisa é May, que significa Maio em português. As irmãs em Mulherzinhas têm o sobrenome March, que significa Março em português. Coincidência?
Louisa May Alcott

SPOILERS: Voltando ao filme de 2019, eu achei a adaptação de Greta Gerwig muito fiel (apesar de não gostar muito dessa palavra) ao romance. Como li o livro depois de assistir à adaptação, eu revi o filme em minha mente capítulo por capítulo. Há apenas duas alterações no filme, que eu achei que deram mais emoção à trama. Primeiramente, a tia March, interpretada pela fantástica Maryl Street, é um solteira convicta e ácida no filme, enquanto no livro ela é uma mulher casada e mais tradicional. Segundo, no livro não há nenhuma menção ao arrependimento de Jo por ter recusado Laurie, enquanto no filme a Jo de Saoirse Ronan chega a escrever uma carta para Laurie antes de descobrir que ele estava casado com Amy.

Espero ler mais livros como esse, que me aqueceu o coração e vai ter um lugar especial na minha estante para sempre.

Uma ótima semana a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda






domingo, 24 de maio de 2020

"Silas Marner", George Eliot

Olá, queridos leitores!

Hoje venho compartilhar com vocês a minha última leitura, Silas Marner, o Tecelão de Raveloe, de George Eliot. Como os meus estudos de doutorado estão inseridos na produção artística da Inglaterra do século XIX, eu procuro ler as principais obras literárias desse período para ampliar o meu repertório cultural e meu entendimento da Inglaterra Vitoriana, o que inclui, certamente, o legado da grande George Eliot.

George Eliot
Apesar do nome George Eliot sugerir uma figura masculina, George Eliot era uma mulher, nascida Mary Ann Evans em 22 de novembro de 1819 em Nuneaton, uma cidade no norte de Warwickshire, Inglaterra. George Eliot foi o seu pseudônimo escolhido para publicar as suas obras. Como já discutimos aqui no blog, a situação para mulheres escritoras no século XIX não era nada fácil e uma das estratégias encontradas por elas foi o uso de pseudônimos masculinos, como, por exemplo, as irmãs Brontë, ou a publicação anônima, como Jane Austen e Mary Shelley.

Outro motivo para desejar permanecer incógnita era que Eliot mantinha uma relação amorosa com o filósofo e crítico literário e teatral George Henry Lewes, que já era casado. Os dois mantiveram um relacionamento por mais de vinte anos e chegaram a morar juntos abertamente.

Silas Marner foi o terceiro romance publicado por Eliot. Ela decidiu voltar a escrever sobre a Inglaterra rural dos últimos anos do século XVIII e início do XIX enquanto ela ainda trabalhava no grandioso Romola, publicado em série na revista Cornhill Magazine entre Julho de 1862 e Agosto de 1863, e que se passa na Florença do século XV. Silas Marner, com centenas de páginas a menos, foi publicado em volume único em 1861.

O protagonista do romance é o tecelão de linho Silas Marner, que, no início da narrativa, se estabelece na pequena Raveloe. O leitor descobre que Silas havia sido acusado erroneamente de ter roubado os fundos da igreja em Lantern Yard, onde morava anteriormente e onde era respeitado pela comunidade. Silas havia sido vítima de uma conspiração do seu melhor amigo, que invejava o seu papel na comunidade e o seu relacionamento com a jovem Sarah. A igreja da qual faziam parte, uma pequena e conservadora congregação religiosa calvinista, acreditava que Deus ficaria do lado da parte inocente e, durante o processo de investigação do roubo, que tem como base uma espécie de sorteio, Silas é condenado como culpado. Sarah se desencanta com Silas e decide se casar com o seu melhor amigo. Desiludido com sua vida e com um Deus que lhe considerou falsamente culpado, Silas se muda para Raveloe, onde vive uma existência completamente isolada de todos, de domingo a domingo trabalhando sem parar no seu tear. A população de Raveloe o vê com suspeita e as crianças até mesmo tinham medo de passar em frente a sua casa.

Ilustração de Hugh Thomson
Eis, então, que com o passar dos anos, Silas acumula uma grande quantidade de ouro, já que ele trabalhou incessantemente por um longo período e tinha poucos gastos, vivendo uma vida simples e econômica. Seu único consolo era passar as noites em frente ao fogo da lareira, contando a sua pilha de moedas de ouro e prata. Porém, em uma noite de chuva, ao retornar para a sua humilde casa, Silas percebe que o seu dinheiro havia sido roubado, e o seu único de desejo de viver extinguido. Após a fase inicial de desespero, Silas passa a existir, apenas, dia após dia. Até que, por fim, uma visita inesperada muda a sua vida.

Em uma noite fria, uma pobre mulher, Molly, caminha pelas ruas geladas de Raveloe com sua filha de dois anos no colo, abandonada pelo seu marido Godfrey Cass, filho de um importante homem da comunidade e proprietário de terras em Raveloe. Godfrey está arrependido de sua conexão com essa mulher de baixo nível, viciada em ópio, e que o impede de se casar com a bela e inocente Nancy Lammeter. Molly pretende se vingar do seu marido, que neste momento se divertia em uma festa no salão do seu pai enquanto ela passa por dificuldades e desprezo. Ela quer contar a todos a verdade sobre o seu casamento com Godfrey, mas, antes que ela possa completar a sua vingança, ela perece de frio e overdose de ópio em uma viela. A pequena criança órfã de mãe vê a luz do fogo vindo do casebre de Silas Marner, e é para lá que ela se dirige e é esta pequena menina que mudará para sempre o propósito de vida, as prioridades e crenças religiosas do tecelão.


Ilustração de Hugh Thomson
Silas Marner é uma leitura rápida, que te leva ao início do século XIX na área rural da Inglaterra. Porém, além de oferecer uma representação desse período e região, a narrativa oferece ao leitor uma relação com o protagonista, que sofre diversas perdas até poder encontrar o melhor presente da sua vida. O leitor sofre e cria esperanças juntamente com este protagonista, que reaprende a viver em sociedade e finalmente compreende a necessidade de amar e ser amado.


O livro se inicia uma epígrafe do poeta romântico William Wordsworth (1770-1850). Trata-se de um trecho do poema "Michael, a Pastoral Poem", publicado na edição de 1800 de Lyrical Ballads, e que conta a história de um velho pastor chamado Michael, sua esposa e seu único filho, Luke. Aqui está o trecho que inicia a narrativa de Eliot:



"A child, more than all other gifts
That earth can offer to declining man,
Brings hope with it, and forward-looking thoughts"
(Wordsworth) 

Minha tradução livre:


"Uma criança, mais do que qualquer presente
Que a terra  pode oferecer ao homem envelhecido,
Traz esperança e pensamentos que o levam ao futuro" 


Espero que tenham gostado de saber mais sobre esse livro de George Eliot. Eu já li outros dois títulos dessa grande autora, Middlemarch (1871-1872) e O Moinho à Beira do Rio Floss (1860) - ambos maravilhosos! Tenho certeza de que em breve lerei mais obras de George Eliot, um dos principais nomes da literatura vitoriana.

Um ótimo domingo a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

"Encontro de Marés", Manuela Marques Tchoe

Olá, queridos leitores!

Hoje venho compartilhar com vocês a minha mais recente leitura. Trata-se de Encontro de Marés, da escritora brasileira Manuela Marques Tchoe. Manuela nasceu no Brasil, mas mora na Alemanha há muitos anos e escreve sobre relações entre culturas, tema que pervade, também, os seus contos na coletânea Ventos Nômades, publicada em 2018. Eu fiquei apaixonada pelo estilo de escrita de Manuela e fiquei muito feliz em ler o seu primeiro romance, publicado neste ano de 2019.

Eu simplesmente devorei Encontro de Marés, mas é preciso dizer que não é um livro fácil de ser lido, pois trata de temas difíceis de engolir, como a prostituição infantil, a violência nas favelas do Rio de Janeiro e Salvador, crimes contra mulheres e a corrupção da polícia. Porém, ignorá-los não significa que esses problemas não existam, e a escolha de Manuela de representá-los na literatura chama a atenção para a necessidade de combatê-los. Ler a narrativa de Rosa em primeira pessoa nos faz sentir no próprio coração as angústias e traumas de uma criança violentada e da mulher que ela se torna, e incita no leitor a vontade de tomar alguma atitude a respeito.

Contudo, Encontro de Marés não é apenas uma denúncia de problemas sociais brasileiros. O livro mostra através de um olhar brasileiro que vive longe de sua terra algumas delícias daqui, como a culinária, as belezas naturais, a cultura dos orixás, a fé em Iemanjá, a solidariedade e o aconchego do contato humano.

Iemanjá
A narrativa tem três fios condutores principais: Mariana, uma brasileira adotada por alemães quando criança que retorna ao Brasil a trabalho e acaba sentindo um desejo de saber mais sobre suas origens e resgatar o seu passado; Teresa, uma dona de casa de Ouro Preto, casada com Augusto e com dois filhos, que não suporta a ideia de ver a sua filha Janaína se mudar para a capital para seguir a sua própria vida; e a narrativa de Rosa em primeira pessoa, que se inicia em 1980. Rosa é uma menina de 12 anos que vive com a sua avó Dalva e que é obrigada a deixar o conforto da sua casa e o amor de sua avó quando é raptada por seu pai, Benedito, o cafetão-mor da Bahia, que vende sua própria filha para a prostituição.

São as histórias dessas três personagens que dão dinamismo ao romance, intercalado por capítulos que nos contam um pouco de cada uma e nos levam ao passado e ao presente em uma trama que se encaixa perfeitamente. Somente no final o leitor descobre como as vidas dessas três mulheres estão intrinsecamente ligadas e como o destino permitiu que elas finalmente se reencontrassem.

Além da trama envolvente e do estilo de escrita caprichado, que varia em oralidade e regionalismo de acordo com a personagem que se expressa, cada capítulo é intitulado a partir de uma canção brasileira, como "Insensatez", de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, e "A Deusa dos Orixás", de Clara Nunes. Eu adorei essa escolha de Manuela que, além de dar uma brasilidade a mais para o texto, confere um ritmo e musicalidade à experiência de leitura. Que tal colocar "Garota de Ipanema" para tocar enquanto lê a chegada de Mariana ao Rio de Janeiro?

Manuela Tchoe

Manuela foi muito bem-sucedida neste primeiro romance e tenho certeza que estamos diante de um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea.

Espero que tenham gostado dessa dica de leitura.

Uma ótima semana a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda





sábado, 14 de dezembro de 2019

"A Besta Humana", Émile Zola



Olá, pessoal!

Hoje venho compartilhar com vocês a minha experiência lendo mais um clássico da literatura francesa: A Besta Humana (1890), de Émile Zola (1840-1902).

Em apenas duas palavras: Que livro! É, definitivamente, um romance perturbador, que explora a fundo a bestialidade da natureza humana. Se Madame Bovary (1856) causou furor quando da sua publicação (leia a resenha aqui), eu imagino como foi a reação dos leitores da época com o lançamento de A Besta Humana, trinta e quatro anos depois.

Émile Zola
Zola foi o grande precursor do Naturalismo na França, um ramo do movimento Realista da literatura de meados do século XIX. Sua obra O Romance Experimental (1880) é considerado o manifesto literário do movimento, que tem como premissa a observação e representação da realidade, o interesse pelo cientificismo e positivismo, e a crença que o homem é determinado pelo ambiente em que vive. A narrativa é impessoal, normalmente em terceira pessoa, e seus protagonistas geralmente fazem parte da classe trabalhadora e menos favorecida, retratando as condições sociais precárias em que vivem - como a exploração do trabalho em centros urbanos, a pobreza, a prostituição, o adultério, o desenvolvimento de doenças psicológicas, etc.
Em contrapartida ao Romantismo, que idealizava a relação do homem com a natureza e via o amor como algo sublime, no Naturalismo o homem passa a se relacionar com as criações da ciência e da modernidade, e as relações humanas são antes carnais do que amorosas.
Essas características também encontraram representatividade na literatura brasileira de fim do século XIX, principalmente através do seu maior expoente Aluísio Azevedo (1857-1913), autor de O Cortiço (1890). Para ler a resenha dessa obra brasileira aqui no blog, clique aqui.
Napoleão III da França

A Besta Humana faz parte do projeto literário de Zola que ele intitula Rougon-Macquart: História Natural e Social de uma Família sob o Segundo Império, série de vinte livros publicados entre 1871 e 1893 sobre a sociedade da época, na qual A Besta Humana é o livro de número 17. O próprio Zola disse que "os Rougon-Macquart personificarão a época, o próprio Império". Ele se referia ao período em que a trama se desenvolve, quando Napoleão III governou como Imperador da França de 1852 a 1870, e que chegou ao fim com a Guerra Franco-Prussiana, quando Napoleão foi capturado e deposto.
Rougon-Macquart é, de certa forma, similar ao projeto de Honoré de Balzac (1799-1850), A Comédia Humana - conjunto da obra de Balzac a partir de 1829, que inclui cerca de 95 títulos concluídos e 48 inacabados -, que buscou retratar a sociedade burguesa francesa à época da Restauração. Zola afirmou que a grande diferença entre os dois projetos é que o dele é menos social e mais científico, descrevendo uma família e as relações entre seus membros e determinados ambientes.

Árvore genealógica dos Rougon-Macquart

Jacques, um dos protagonistas de A Besta Humana, é filho de Gervaise Macquart e Auguste Lantier, cuja triste história é contada no sétimo volume da saga, L'Assommoir, ou A Taberna em português, publicado em 1876. É muito interessante como há essa recorrência de personagens e como eles estão relacionados entre si. Porém, cada volume da saga funciona como livro individual. Eu, por exemplo, comecei a minha leitura justamente por A Besta Humana, mas já tenho interesse em ler outros da série. Nem todos, contudo, já foram traduzidos para a língua portuguesa.

Jacques é um maquinista que conduz uma locomotiva, que ele chama de Lison, na linha Paris-Le Havre. O universo das locomotivas a vapor, das estações ferroviárias, dos trabalhadores da Companhia do Oeste e seus passageiros é onde a trama toda se passa. Assim como em O Cortiço, as vidas dos diferentes personagens de A Besta Humana se cruzam, transformando esse universo em um microcosmos de características próprias. Há ligações de negócios, de família, casos amorosos extraconjugais e fofoca entre vizinhos.

A locomotiva Lison

A locomotiva, uma besta metálica, é antropomorfizada no romance, onde é descrita com características humanas. O corpo da locomotiva é comparado ao corpo humano no seguinte trecho:

"À pobre Lison restavam apenas alguns minutos. Ela esfriava, as brasas da fornalha viravam cinza, o sopro que havia escapado tão violentamente das suas laterais abertas terminava como um suspiro de criança que chora. [...] Por um momento pôde-se ver, em suas entranhas arrombadas, funcionarem os órgãos, os pistões batendo como dois corações gêmeos, o vapor circular nas gavetas como o sangue nas veias." (p. 300)












Porém, assim como a besta de metal é humanizada, o ser humano é bestializado. O leitor é cruamente apresentado aos desejos mais sórdidos dos personagens: o maquinista Jacques não consegue sentir desejo carnal por uma mulher sem atiçar em si um desejo quase incontrolável de matar; o Sr. Roubaud, outro empregado da Companhia ferroviária, se torna extremamente agressivo com sua esposa em uma crise de ciúmes que o leva a cometer um crime irreparável; Séverine Roubaud, sua esposa, uma jovem e doce mulher, se deixa levar ao adultério pela paixão por Jacques e chega a arquitetar a morte de seu marido para enfim encontrar a liberdade; o presidente Grandmorin, grande personagem da política normanda, respeitado em sua carreira, mas cujo passado suja sua reputação; Flore, jovem prima de Jacques, levada pelo desejo por seu primo, ocasiona a morte de inúmeros inocentes. Enfim, a lista é longa! Nenhum personagem está isento de culpa. O romance mostra como o exterior muitas vezes esconde a bestialidade interna.

Simone Simon e Jean Gabin como Séverine e Jacques no filme de Jean Renoir de 1938

Outro tema presente no romance é a simultaneidade de eventos decisivos e banais, do extraordinário com o ordinário, do permanente com o fugaz, como os trens que continuam a seguir o seu percurso diário mesmo que um assassinato esteja sendo cometido próximo aos seus trilhos, e a solidão em meio à multidão, como ilustram os trechos abaixo sobre a vida de Tia Phasie, tia de Jacques, que morava em uma casinha bem em frente ao trilho do trem:

"No entanto, aquela ideia de multidão que os trens, indo e vindo, diariamente carregavam bem ali, à frente dela, no grande silêncio da solidão, deixou-a pensativa, olhando para a estrada de ferro, na noite que caía. [...]
Às vezes achava reconhecer alguns rostos, o de um senhor de barba alourada, provavelmente inglês, que toda semana fazia a viagem a Paris, e o de uma senhora morena, passando regularmente às quartas e sábados. Mas o trovão os levava embora, ela não tinha certeza de tê-los visto, todos os rostos se apagavam e se confundiam, iguais, dissipando-se uns nos outros. A torrente seguia, sem deixar nada de si. E o que a entristecia era que, por baixo daquele fluxo contínuo, sob o desfile de tanto conforto e tanto dinheiro, ninguém naquela multidão tão sôfrega sabia da sua presença ali, em perigo de vida. E isso a tal ponto que, se o marido a eliminasse uma noite, os trens continuariam a passar próximo ao seu cadáver, sem a menor noção do crime ocorrido no interior daquela casa solitária". (p. 60-61)



Esse livro não é para quem tem estômago fraco. Há menções explícitas à violência que me causaram bastante desconforto. Porém, não é uma violência gratuita, mas que induz o questionamento: a quais níveis de bestialidade o ser humano se deixa levar? E por quê?


Essa não foi uma leitura fácil, mas que certamente agregou - e muito - à minha experiência como leitora. Foi um dos meus livros favoritos de 2019.


Espero que tenham gostado dessa resenha sobre A Besta Humana e sobre o naturalismo de Zola.

Um ótimo final de semana a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

"Viagem ao Centro da Terra", Júlio Verne

Olá, queridos leitores!

Hoje venho compartilhar a minha mais recente leitura e que foi uma agradável surpresa: Viagem ao Centro da Terra, do francês Júlio Verne (1828-1905). Este livro estava na minha lista de leituras de clássicos para ler em 2019 e finalmente o tirei da estante! Fiquei muito feliz com a leitura e acredito que seja um dos meus favoritos do ano!


O livro começa de maneira muito atrativa, na minha opinião, principalmente pelo fato de um dos protagonistas ser um professor pesquisador e mineralogista, Prof. Otto Lidenbrock. Eu, professora, simplesmente amo histórias com professores, especialmente professores excêntricos como Lidenbrock! 


Prof. Otto Lidenbrock
"Era professor no Johannaeum e dava aulas de mineralogia, durante as quais se encolerizava regularmente uma ou duas vezes. Isso não quer dizer que ele se preocupasse em ter alunos assíduos às suas lições ou se importasse com o grau de atenção que lhe concediam em classe, nem mesmo com o êxito que pudessem obter em sua matéria. Tais pormenores não o preocupavam nem um pouco. Ele dava aulas 'subjetivamente', conforme expressão da filosofia alemã, para si e não para os outros. Era um sábio egoísta, um poço de ciência que não admitia que lhe tirassem nada. Numa palavra: um avarento" (p. 16)


O narrador é Axel, sobrinho do professor, que conta a história em primeira pessoa. Órfão, ele vive com o tio e o ajuda em seus experimentos e estudos. Os dois vivem em uma casa na Königstrasse em Hamburgo juntamente com Grauben, a afilhada do professor e de quem Axel está secretamente noivo, e a cozinheira Marta. 

A história se inicia no dia 24 de maio de 1863, um domingo, como afirma o primeiro parágrafo do livro. O que é muito interessante, dado que o livro foi publicado em novembro de 1864. Portanto, a expedição retratada no livro seria um evento recente para os leitores da época.

Neste dia, o professor chega em casa atipicamente cedo, deixando a cozinheira alarmada pelo fato de o jantar ainda não estar pronto. Porém, o professor está sem apetite: ele acaba de descobrir um pergaminho manuscrito rúnico islandês dentro de um livro raro e não vai sossegar, comer ou dormir até decifrar o seu conteúdo. Com a ajuda de Axel, eles identificam que o pergaminho foi escrito por Arne Saknussemm, um alquimista célebre islandês que viveu no século XVI - que, na verdade, é um personagem criado por Verne. Ao desvendarem os símbolos rúnicos, Axel e seu tio partem para a mais fantástica expedição de suas vidas: um viagem ao centro da Terra!




Animado com a sua descoberta, Prof. Lidenbrock acredita que pode seguir os passos do sábio Saknussemm e caminhar até o centro da Terra através de uma abertura no vulcão Sneffels. Sim, caminhar! Descendo por superfícies rochosos e íngremes, guiados pelo islandês Hans Bjelke.

É claro que se trata de uma jornada fantástica, mas é interessante imaginar o pensamento de Júlio Verne em 1863, quando a ciência ainda estava dando os seus primeiros passos. Não vou contar a vocês se eles atingem o seu objetivo, o que encontraram por lá ou pelo caminho, tampouco se ou como saíram! Vale a pena a leitura. É uma narrativa tão envolvente e com capítulos curtos que terminei o livro em menos de uma semana. Não via a hora de voltar para a casa para poder continuar a expedição nos subterrâneos da Terra.




Viagem ao Centro da Terra é um dos famosos livros de Verne, que contam viagem extraordinárias e que foram percursores da literatura de ficção científica. Seu primeiro livro publicado foi Cinco Semanas em um Balão (1863), que conta a travessia do continente africano de leste a oeste em um balão, seguido por O Capitão Hateras (1864), que fala de aventuras polares. Entre seus livros de expedições extraordinárias, destaca-se também Vinte Mil Léguas Submarinas (1869), em que Verne imagina um submarino elétrico.

Eu fiquei fascinada por Viagem ao Centro da Terra e já quero ler todos os livros de Júlio Verne!

Com relação às adaptações cinematográficas da obra, há um filme norte-americano de 1959 dirigido por Henry Levin, como James Mason como Prof. Otto Lidenbrock (1909-1984) e Pat Boone (1934-) como Axel. 



Mais recentemente, uma produção de Hollywood de 2008 dirigida por Eric Brevig traz Brendan Fraser e Josh Hutcherson no elenco. Esta é uma adaptação livre sobre um grupo de pessoas que acredita que as obras de Júlio Verne são, de fato, reais. 




Júlio Verne

Ainda não assisti a nenhuma das adaptações, mas pretendo em breve. E vocês, já assistiram aos filmes ou leram o clássico de Verne?


Espero que tenham gostado dessa resenha. Viagem ao Centro da Terra foi uma ótima surpresa literária para mim!


Uma ótimas semana a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

sábado, 9 de novembro de 2019

"Madame Bovary", Gustave Flaubert




Olá, queridos leitores.


Hoje venho compartilhar com vocês a minha mais recente leitura. Trata-se de um livro essencial da literatura mundial e que já estava na minha lista de leitura há anos: Madame Bovary, de Gustave Flaubert (1821-1880).
Madame Bovary é considerado por muitos críticos o percursor do movimento realista na literatura, que se distancia da tradição romântica do século XVIII e início do XIX, afastando-se de idealizações amorosas, do subjetivismo e do foco no indivíduo para uma abordagem da vida como ela é, sem idealizações ou artificialidade, retratando as diferentes realidades de classes sociais distintas.


Madame Bovary nos apresenta a vida de Charles e Emma Bovary em uma região rural da Normandia. O romance é dividido em três partes e inicia com foco em Charles, um jovem estudante que se torna médico, mas sem muitas ambições na vida ou gostos refinados. Ele encontra Emma em uma de suas visitas médicas e os dois logo se casam. Emma se torna, então, a Madame Bovary. Ela, no entanto, logo percebe que se casou muito cedo e que a vida depois do casamento, assim como o seu noivo, não era nada do que ela imaginava ou esperava. Ela havia sido educada em um convento e se distraído lendo romances, que a levaram a sonhar com bailes em castelos longínquos, amores proibidos, príncipes encantados e paixões arrebatadoras.

Emma e Charles Bovary


A primeira parte do romance tem um ritmo mais lento e entediante, assim como a vida da própria Emma. Sua vida muda quando Charles é convidado para um baile no castelo de La Vaubyessard. Lá ela encontra viscondes, damas da alta sociedade, lindos trajes, bebidas e comidas exóticas, escuta conversas indiscretas, e aí percebe que aquele mundo sobre o qual ela lera em romances realmente existia. Mas, infelizmente, era um mundo do qual ela não fazia parte. Há um trecho muito interessante no livro sobre o impacto desse momento na vida de Emma:


"A sua viagem a La Vaubyessard abrira um abismo e sua vida, como essas fendas imensas que uma tempestade, em uma só noite, às vezes cava nas montanhas. Mas ela resignou-se; encerrou devotamente na cama o seu belo vestido e até mesmo os seus sapatos de cetim, com solas amarelecidas pela cera deslizante do assoalho. O seu coração era como eles: ao roçar da riqueza, ele colocara-se sobre algo que não se apagaria" (p. 82)




E, de fato, não se apagou. A partir daí, a vida de Emma é uma série de vazios que ela tenta, em vão, preencher. Na parte 2, Charles e Emma se mudam para Yonville para buscar novos ares que acalmassem os nervos de Emma. Ela estava grávida de sua primeira filha e Charles foi bem-recebido na pequena vila como o novo médico da região, o que agregava status ao nome Bovary. Nessa pacata existência, Emma encontra Léon Dupuis, em quem ela reconhece uma alma parecida com a sua, que se encanta por livros e pelo teatro. Um novo sentimento floresce nela, seguido de ardentes desejos que ela, até então, consegue controlar. 


Ezra Miller como Léon Dupuis
Seu autocontrole se desfaz, contudo, com os avanços de outro homem, Rodolphe, proprietário de terras e charme, que enfim rompe a barreira moralista de Emma e a inicia em uma vida de adultério e excessos. Há outro trecho muito interessante sobre essa nova fase de Emma:


"Mas, ao ver-se no espelho, ficou surpreendida com a própria face. Jamais tivera olhos tão grandes, tão negros, nem tão profundos. Algo sutil a expandir-se em seu ser a transfigurara.
Ela repetia-se: - 'Eu tenho um amante! Um amante!' -, deleitando-se com esta ideia como se uma nova puberdade lhe tivesse retornado. Então finalmente ela ia possuir essas alegrias do amor, a febre da felicidade da qual ela já desesperara. Entrava em algo maravilhoso onde tudo seria paixão, êxtase, delírio" (p. 201)


A segunda parte do livro tem um ritmo mais frenético, assim como a vida e o coração de Emma, em contraste com a letargia da primeira parte e da falta de vivacidade de Charles. Porém, aos poucos, Emma cai em um abismo sem volta, pecando em excesso de luxúria e luxo, contraindo-se de dívidas e segredos que atormentavam a sua vida.


Esse desespero é levado ao máximo na terceira e última parte do livro, na qual ela vive desapontamento atrás de desapontamento e se vê cada vez mais em uma existência insignificante, rumando a um beco sem saída:


"Não importa! Ela não era feliz, nunca o havia sido. Então de onde vinha essa insuficiência da vida, esse apodrecimento instantâneo das coisas em que se apoiava?" (p. 330)


Seu amante não lhe dava mais prazer, tampouco seu lar ou até mesmo sua filha. Desesperada ao ver a fortuna de Charles ser confiscada por sua culpa, ela acaba se voltando à única saída que lhe parecia possível, chegando ao desfecho trágico conhecido da obra.


Jennifer Jones como Emma Bovary
Emma é uma personagem extremamente intrigante: o leitor a odeia, a acha engraçada, mesquinha, boba, sente pena, sente compaixão... apenas um grande mestre da literatura conseguiria causar tamanhos sentimentos diversos.


Flaubert dizia que não havia nada de genialidade ou inspiração no ofício da literatura, apenas trabalho, trabalho e mais trabalho. Ele se considerava um artesão da escrita. Seus manuscritos eram escritos, reescritos, revisados... o que demonstra o seu cuidado na escolha de palavras e estrutura do seu texto.


Madame Bovary foi publicado em capítulos na Revue de Paris a partir de 1856. Porém, sua publicação foi interrompida devido a um processo judicial que julgava a trama ser imprópria. De fato, Madame Bovary escandalizou leitores quando da sua publicação por retratar tão abertamente um tema tão tabu na época como o adultério. Porém, Flaubert e os editores da obra conseguiram que ela fosse publicada em formato de livro em 1857. O escândalo ao redor da publicação do livro certamente criou mais curiosidade no público em geral, vindo a se tornar um grande sucesso e um dos clássicos da literatura mundial. 

Gustave Flaubert

Espero que tenham gostado desse post. Uma ótima semana a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

terça-feira, 8 de outubro de 2019

"O Chamado do Cuco", Robert Galbraith

Bom dia, queridos leitores!

Hoje venho compartilhar com vocês minhas impressões sobre um livro que já estava na minha lista de leituras há um bom tempo e estava, inclusive, na minha lista de livros para ler em 2019. Trata-se de O Chamado do Cuco, primeira incursão da autora britânica J. K. Rowling no universo da literatura policial sob o pseudônimo de Robert Galbraith.

Esse livro gerou bastante burburinho quando foi lançado em 2013. A identidade da autora era para ser mantida em segredo, mas acabou vazando, levando os fãs de Harry Potter a correrem para as livrarias para buscar seu exemplar de O Chamado do Cuco. Eu confesso que comprei esse livro em inglês na pré-venda e, imaginem só, li só agora, seis anos depois!

Como fã do trabalho da J. K. Rowling na série Harry Potter e amante de literatura policial, eu tinha grandes expectativas para esse livro. Porém, admito que a leitura se arrastou e nenhum personagem captou meu interesse, tampouco o crime que o detetive protagonista estava investigando. Na verdade, a assistente Robin é a personagem de quem mais gostei, mas ela, infelizmente, não foi muito bem explorada na trama.



J. K. Rowling
A história se passa na Londres contemporânea no universo de top models e rappers famosos em oposição às pessoas normais do seu entorno, como familiares, vizinhos, motoristas e colegas de clínica de reabilitação. O primeiro capítulo começa com a estranha morte de Lula Landry, uma linda modelo no auge de sua carreira. Ao que tudo indica, ela cometeu suicídio, jogando-se da varanda do seu apartamento em uma madrugada gelada de inverno. No entanto, o seu irmão adotivo John Bristow (Lula havia sido adotada pela família Bristow ainda criança depois que o irmão caçula de John morrera em um acidente na infância) não acredita que tenha sido suicídio e contrata o detetive particular Cormoran Strike para investigar o caso.



Robin e Cormoran na série da BBC
Cormoran é um sujeito grande, um tanto rude, que perdeu uma de suas pernas durante a guerra no Afeganistão e que acaba de terminar o relacionamento com a sua linda namorada. Ele sai do seu apartamento e, como não tem meios para hospedar-se em um hotel ou para arcar com o aluguel de outro apartamento, decide dormir no seu próprio escritório até se restabelecer. Ele contrata uma assistente temporária, Robin, que descobre ser apaixonada por investigações policiais e se transforma em uma grande ajuda para Cormoran.

Eu gostaria que ela tivesse tido um papel maior em O Chamado do Cuco. Quem sabe o seu personagem terá mais espaço nos livros subsequentes da série. O segundo volume se chama O Bicho-da-Seda, lançado no Brasil em 2014; o terceiro é Vocação para o Mal, lançado no Brasil em 2016; e o quarto se chama Branco Letal, lançado no Brasil em maio de 2019.

Eu achei os métodos investigativos de Cormoran Strike um tanto confusos e o autor não compartilha os questionamentos que se passam dentro da cabeça do detetive. Tudo se esclarece no final do livro, quando Cormoran explica a sua linha de raciocínio para chegar no nome do assassino, que, contudo, não parece muito convincente.




De qualquer maneira, acredito que lerei o segundo volume da série, mas não em breve. Os dois primeiros livros foram adaptados para uma minissérie da BBC intitulada Strike, que foi ao ar em 2017. Tom Burke interpreta Cormoran Strike e Holly Grainger a sua assistente Robin. Ao que tudo indica, a minissérie contará com mais uma temporada baseada nos livros 3 e 4 da série.

Espero que tenham gostado das minhas impressões sobre O Chamado do Cuco.
Uma ótima semana a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda