sábado, 27 de fevereiro de 2016

"Carol", Patricia Highsmith

Bom dia, queridos leitores!

Estive um pouco ausente e minhas leituras de lazer andaram lentas ultimamente, porque tenho me dedicado bastante à escrita da minha dissertação de mestrado. É bom aproveitar estas últimas semanas mais tranquilas de férias para adiantar o trabalho antes que a confusão da rotina volte com tudo no próximo mês!

No entanto, cumpri o desafio do mês de fevereiro do nosso Calendário Literário, que era ler um livro que tenha sido adaptado para as telas. As opções eram muitas, mas como um amigo havia me emprestado "Carol", que por sinal está concorrendo em diversas categorias ao Oscar 2016 que acontece domingo, achei que seria a oportunidade perfeita para lê-lo!

"Carol" nos conta a história das vidas de duas mulheres que se cruzam através da perspectiva de uma delas, Therese, uma jovem tímida que trabalha em uma loja de departamentos. Em um dia de trabalho enfadonho no departamento de bonecas durante a época atribulada de Natal, Therese avista pela primeira vez Carol, uma mulher elegante na faixa dos 30 anos. Sem saber como explicar, Therese se sente atraída por essa mulher e não consegue controlar o desejo de vê-la novamente. Ela busca o endereço da mulher nos registros da loja de departamentos e a envia um cartão de Feliz Natal. É aí que as duas se conhecem realmente.

Therese
Therese e Carol passam a se ver regularmente. Carol está passando por uma situação delicada: ela está se divorciando de seu marido, Harge, e lutando judicialmente pela guarda de sua filha, Rindy. Therese, ao mesmo tempo, percebe que sua relação com Richard não tem futuro, já que ela não o ama, e procura maneiras de terminar o relacionamento.

As duas mulheres se aproximam ainda mais quando as duas partem em uma viagem sozinhas de carro para o Oeste, parando em diversas cidades, passando as noites em hotéis diversos, tomando cafés em restaurantes através do país, se divertindo, se conhecendo melhor e, acima de tudo, se amando.

Carol
"Carol", publicado pela primeira vez em 1952, causou tremendo escândalo ao retratar o relacionamento amoroso entre duas mulheres. Porém, além disso, "Carol" teve muita repercussão porque foi um dos primeiros romances a dar um final feliz às protagonistas, diferente dos diversos outros personagens homossexuais na literatura que eram condenados pela sociedade, excluídos moralmente e diagnosticados como se portadores de alguma doença. Ademais, as personagens Therese e Carol também quebraram o estereótipo de que mulheres homossexuais deveriam ser masculinizadas.

Cate Blanchett e Rooney Mara

Em nota no final do romance, Patricia Highsmith, autora do livro, conta como surgiu a sua ideia para escrevê-lo. No final de 1948, a própria Patricia trabalhava em uma loja na seção de bonecas de departamentos em Nova York. Em uma certa manhã, uma mulher loira, alta e com um casaco de pele entrou procurando por uma boneca específica. Patricia lhe mostrou algumas e escreveu o nome da mulher elegante em um recibo, juntamente com o seu endereço, para que a boneca fosse entregue em sua casa. A mulher fez o pagamento e foi embora. Neste momento, Patricia escreve, "eu me senti estranha, com a cabeça esvoaçante, perto de desmaiar, ao mesmo tempo enlevada, como se tivesse tido uma visão" (p. 302). Ao voltar para casa naquele dia, Patricia imaginou como seria a história se estas duas mulheres, ela mesma e a mulher loira, se conhecessem e se envolvesse.

Achei simplesmente sensacional saber a fonte de inspiração por trás do romance "Carol" e de imaginar que realmente houve uma Carol de verdade, que encantou tanto a escritora que a inspirou a escrever um romance.

Patricia Highsmith em 1966
 Patricia Highsmith nasceu no Texas em 19 de janeiro de 1921 e morreu de câncer na Suíça aos 74 anos, em 4 de fevereiro de 1995. Patricia ficou mais conhecida por seus romances de mistério psicológico, principalmente "Strangers on a Train", ou "Pacto Sinistro" em português, de 1950, que foi adaptado para o cinema por Alfred Hitchcock em 1951. Ao todo ela escreveu 22 romances e diversos contos. "Carol" foi o único romance de caráter homossexual. Patricia nunca se casou, mas manteve relações com diversas mulheres ao longo de sua vida.


É uma pena que Patricia Highsmith tenha morrido antes de ver suas personagens Carol e Therese serem incorporadas no cinema por Cate Blanchett e Rooney Mara, respectivamente. Eu ainda não assisti ao filme, mas sou fã de Cate Blanchett e tenho certeza de que ela fez um maravilhoso e inesquecível papel. As duas estão concorrendo ao Oscar 2016 como Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante. Além destas nominações, "Carol" também foi indicado em outras quatro categorias: Roteiro Adaptado, Fotografia, Trilha Sonora Original e Figurino. Confira o trailer do filme dirigido por Todd Haynes:




Um ótimo sábado a todos!
Bom cinema e ótimas leituras!
E não esqueçam de conferir os vencedores do Oscar neste domingo!

Fernanda

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

"A Filha da Feiticeira", Paula Brackston

Bom dia, queridos leitores!

O carnaval se aproxima, mais dias de folga e muita leitura!
Eu, que ainda estou de férias, gosto de aproveitar esse tempo livre para ler aqueles livros que já estão na minha estante há tempo, principalmente aqueles livros encantadores e de fácil leitura! Gosto de intercalar a leitura de clássicos com livros mais leves. E, como minha última leitura foi Ligações Perigosas, de Choderlos de Laclos, busquei em seguida uma autora contemporânea e que escreve sobre um de meus temas preferidos: magia!


A Filha da Feiticeira é um livro que me fisgou a atenção pelo título e pela capa. A capa da minha edição traz as pernas de uma possível bruxa, calçando botas, meias escuras e vestindo uma longa saia vermelha. Ao seu lado, está uma vassoura de palha, típico objeto relacionado ao estereótipo da bruxa na literatura. Há, também, uma lua cheia de plano de fundo e imagens desvanecidas de prédios antigos na borda inferior. Essa composição visual já chamou minha atenção!

Em seguida, abri o livro para folheá-lo e li o seguinte: Bathcombe, Wessex, 1628.
Não foi preciso mais, levei o livro direto para o caixa e agora, finalmente, pude lê-lo!
Eu simplesmente adoto histórias que acontecem em um passado remoto e, mais ainda, que vão e vêm no tempo!



A Filha da Feiticeira, escrito por Paula Brackston, nos conta a história de Elizabeth Anne Hawksmith, uma feiticeira de 384 anos, através do seu Livro das Sombras, uma espécie de diário da bruxa, escrito por ela mesma.

No ano de 2007, ela conhece uma jovem garota, Tegan, que se interessa pelos conhecimentos mágicos de Elizabeth e passa a frequentar a sua casa com frequência. Depois de muitos anos vivendo uma vida solitária, Elizabeth se deixar envolver por Tegan e a recebe em sua vida, até mesmo iniciando-a nos conhecimentos da magia.

Sentindo-se confortada com a presença de Tegan e com plena confiança na garota, Elizabeth conta a sua história, que começou no século XVII, conta como tornou-se uma feiticeira imortal e como tem lidado com este fato durante todos estes séculos. Fadada a mudar de cidade de tempos em tempos para evitar desconfiança e esconder o fato que ela não envelhece apesar do passar dos anos, Elizabeth tem um segredo ainda maior: seu inimigo mortal a vem perseguindo durante todo este tempo.

Agora que Elizabeth está feliz novamente em Willow Cottage com Tegan, será que o seu inimigo finalmente a deixou em paz?

A narrativa intercala entre o ano de 2007, no qual Elizabeth está conversando com Tegan, e as diversas vidas que criou para si: quando tornou-se uma feiticeira em 1628, como uma aprendiz do Dr. Gimmel em um hospital em Londres, 1888, e como uma enfermeira voluntária durante a Primeira Guerra Mundial em Flandres, 1917. A leitura é muito dinâmica e o leitor não tem como não se identificar com a pobre Elizabeth e com a sua luta pela felicidade a busca pelo amor durante todos esses séculos.

Paula Brackston

Quem está procurando uma leitura leve e envolvente para o carnaval, esta é uma ótima dica!


Deixe-se envolver pela personalidade forte e pelos conhecimentos mágicos de Elizabeth!


A Filha da Feiticeira é o primeiro livro de Paula Brackston, autora que mora perto de florestas encantadoras no País de Gales e é formada em Escrita Criativa pela Universidade de Lancaster na Inglaterra. Além deste livro, Paula também publicou A Feiticeira de Inverno, que deve ser lançado em breve no Brasil, e outros três livros ainda sem tradução para a língua portuguesa: The Midnight Witch, The Silver Witch e The Return of the Witch, que conta o retorno de Elizabeth! Todos têm como protagonistas fortes feiticeiras e já estão em minha lista de leituras!







Um ótimo carnaval a todos, ótimas leituras e magias!

Fernanda

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Calendário Literário - Fevereiro

Olá, queridos leitores!

Mais um mês começa e está na hora de planejarmos nossas leituras para as próximas semanas!
Eu simplesmente adoro vasculhar a minha estante e procurar por livros que vão fazer parte da minha TBR (to be read) list, mesmo que, muitas vezes, a lista acaba mudando: novos livros interessantes surgem e tomam a frente de outros e leituras obrigatórias acabam sendo prioridade! Porém, como ainda estou de férias, ainda tenho bastante liberdade para escolher o que vou ler em seguida! Que delícia, não?


Como contei para vocês no primeiro post deste ano, durante o ano de 2016 vou seguir o Calendário Literário criado pelo youtuber Vitor Martins, que, além de ser muito fofo, traz desafios literários que deixam a nossa TBR list mais diversificada! De acordo com este calendário, a cada mês temos um novo desafio a cumprir. Em janeiro, deveríamos começar uma trilogia ou série de livros. Eu comecei a ler a saga Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin - que já estava na minha estante há muito tempo! - e foi uma experiência maravilhosa! O segundo volume da série já está na minha lista de leituras próximas.


Quem perdeu a publicação na qual explico com mais detalhes o Calendário Literário 2016 pode acessá-la aqui.

Agora, durante o mês de fevereiro, o desafio é ler um livro que virou filme. Esse desafio é fácil, não? Mas existem tantas opções que a escolha de um livro fica difícil! Recentemente, um amigo meu me emprestou um livro - que, por sinal, foi recentemente adaptado para as telonas - que aguçou muito a minha curiosidade! A adaptação cinematográfica do livro está concorrendo a 6 Oscars e conta com a atuação da belíssima Cate Blanchett, uma de minhas atrizes preferidas. Então pensei: este livro é perfeito para o desafio literário de fevereiro!





E aí, já conseguiram adivinhar qual a primeira leitura deste mês? Trata-se de Carol, livro escrito pela norte-americana Patricia Highsmith e publicado pela primeira vez em 1952. O livro conta a história da relação amorosa entre duas mulheres, Therese, uma jovem que trabalha em uma loja de departamentos em Manhattan, e Carol, uma elegante mulher na casa dos 30 anos. Este foi um dos primeiros livros a tratar amor homossexual de forma positiva na literatura, e a autora teve que publicar o livro sob um pseudônimo na época para evitar julgamentos e críticas. Hoje, no século XXI, esse assunto já é mais abertamente tratado na literatura e no cinema, mas ainda causa muita discussão e polêmica.



Eu estou muito ansiosa para iniciar a leitura de Carol e espero terminá-la antes de assistir ao filme. Enquanto isso, é possível assistir ao trailer deste belíssimo filme aqui:




É isso por enquanto, meus queridos! Assim que terminar minhas leituras, volto aqui para contar para vocês as minhas impressões!

Uma ótima semana a todos e, é claro, ótimas leituras!

Fernanda

domingo, 31 de janeiro de 2016

Lugares Literários - Sociedade Literária São Bento

Bom dia, queridos leitores!

Nesta semana o blog completou um ano de existência. É clichê falar, mas como o tempo voa! Estou bastante satisfeita com o caminho que o blog tomou, com os leitores que surgiram pelo caminho e por ter um espaço no qual eu posso escrever sobre minhas experiências literárias, além de escrever sobre temas literários, lugares relacionados à literatura, eventos de literatura, enfim... um cantinho para escrever sobre minhas paixões! Nossa página no facebook já tem mais de 7600 curtidas, o que me deixa muito feliz! Quem ainda não conhece a página, pode acessá-la aqui.

O blog completou um ano no último dia 25 e havia planejado uma publicação especial para comemorar a data, porém estes últimos dias foram tão agitados que acabei tendo que adiar a publicação. No entanto, a escrevo para vocês hoje, no dia de comemoração de um ano e seis dias de existência do blog! :D

Para celebrar esta data especial, resolvi dar continuidade à coluna Lugares Literários e escolhi um lugar muito especial, um local dedicado à literatura na minha cidade natal, São Bento do Sul - SC: a Sociedade Literária São Bento.

A Sociedade Literária São Bento é uma biblioteca particular fundada em 1881. Seu nome original era Lese-Verein, Clube de Leitura em alemão. Este clube foi fundado por alguns dos primeiros imigrantes que se estabeleceram na cidade de São Bento do Sul, planalto norte de Santa Catarina, vindos de regiões da Europa, como Polônia e Alemanha e que trouxeram consigo o gosto pela literatura. A cidade foi fundada em 1873 e oito anos depois já era criada a Sociedade Literária São Bento, que se mantém ativa até os dias de hoje.

Em 1941, a Sociedade mudou-se para o endereço atual na Av. Argolo. O prédio, construído na década de 1920, foi adquirido pelo Sr. Augusto Klopmeier.

A Sociedade começou com apenas 200 exemplares e foi enriquecendo o seu acervo através de, principalmente, doações de moradores e colaboradores. Infelizmente, muitos títulos foram confiscados durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje a biblioteca já conta com mais de 40 mil títulos, incluindo raridades escritas em língua alemã e livros escritos por autores são-bentenses.

Hall de entrada

Sala de leitura
No ano passado, a Sociedade Literária São Bento passou por uma reforma que revitalizou o prédio, tanto no exterior como no interior. A decoração está muito bonita e salas de leitura aconchegantes esperam por leitores. Para se associar à Sociedade e desfrutar do local e do empréstimo de livros do acervo, é necessário pagar uma taxa mensal de apenas dez reais.


A Sociedade Literária São Bento é considerada uma das sociedades literária mais antigas ainda em funcionamento em toda a América Latina. É um verdadeiro tesouro em nossa cidade. Vale a pena ser visitada e desfrutada!

Espero que tenham gostado deste encantador lugar literário!

Um ótimo domingo a todos e ótimas visitas literárias!

Fernanda

sábado, 23 de janeiro de 2016

"Ligações Perigosas", Choderlos de Laclos

Boa noite, queridos leitores!

A partir do sucesso e de meu envolvimento pessoal com a minissérie da Globo Ligações Perigosas, não pude deixar de, ao saber que a minissérie foi baseada em um romance epistolar francês do século XVIII, colocá-lo em minha lista de leituras. Porém, nem precisei sair em busca do livro, ele, de fato, me encontrou! Alguns dias depois do primeiro capítulo da minissérie na televisão, me deparei com o livro de Choderlos de Laclos em uma livraria. E não teve outra: comprei e o coloquei à frente de toda a lista, tão envolvida eu estava com a trama e curiosa para ler o texto original!

Pois bem, o romance que inspirou a incrível adaptação de Manuela Dias foi escrito pelo francês Choderlos de Laclos (1741-1803) e publicado em 1782 de forma epistolar, ou seja, o romance é inteiramente composto por cartas, gênero que era comum e teve seu auge justamente no período de publicação de Ligações Perigosas. Por esse motivo, a leitura foi um pouco arrastada para mim, porque para um leitor contemporâneo torna-se cansativo a leitura de uma carta atrás da outra, principalmente no estilo rebuscado e romântico da maioria das cartas.


Choderlos de Laclos
Mas a trama por trás das cartas é simplesmente sensacional! Segundo críticos da época, este era um livro "diabólico" e que deveria ser visto como uma ligação perigosa pelas jovens da época por causa dos horrores e perfídia humanas retratada na obra, principalmente pelos personagens principais Visconde de Valmont e Marquesa de Meurteil. Os dois se deliciam em aventuras amorosas e gabam-se de suas conquistas através de sua correspondência. Sua vitória era tanto maior quanto o desespero de suas vítimas.

Eis, então, que o novo alvo de Valmont é a beata Presidenta de Tourvel, que está passando uns dias na casa da tia do visconde enquanto o seu marido não volta de viagem. Valmont se torna obcecado em fazer com que a presidenta se entregue a ele, mas o que ele não esperava era que iria apaixonar-se de verdade pela mulher religiosa, abalando sua relação com a marquesa.

 O que deve ter tornado este romance ainda mais escandaloso para a época, além dos temas tratados, como a traição, infidelidade conjugal, perda da inocência e amadurecimento sexual, foi o fato de que muitas gerações acreditaram que as cartas que compõem a coletânea eram, de fato, verdadeiras, e que os personagens criados por Laclos eram reais, o que levantava rumores com relação a quem seriam estas pessoas e onde estariam escondidas estas cartas.


Na fabulosa adaptação da Globo, a autora Manuela Dias transporta a história da Paris pré-Revolução Francesa, onde os nobres tinham um estilo de vida completamente exagerado e ostentador, para uma cidade fictícia chamada Vila Nova no Brasil da charmosa década de 20. O Visconde de Valmont torna-se o sedutor Augusto de Valmont, vivido por Selton Mello; a Marquesa de Meurteil torna-se a belíssima Isabel D'Ávila de Alencar, interpretada pela sensacional Patrícia Pillar; e a beata Presidenta de Tourvel é vivida na televisão por Marjorie Estiano no papel de Mariana de Santanna.


Patrícia Pillar como a marquesa e Selton Mello como o visconde

Eu simplesmente adorei a maneira como o romance foi adaptado para a televisão. Muitos diálogos foram tirados das próprias cartas presentes da coletânea de Laclos, porém as cartas permaneceram elemento essencial do enredo - os personagens mantinham uma correspondência constante entre si. O local das gravações também é de tirar o fôlego; muitas das cenas foram gravadas na Patagônia, Argentina, e em Concepción del Uruguay.
Selton Mello em cena na Patagônia

Há algumas diferenças no enredo em si entre o romance original e a adaptação televisiva, mas nada que comprometa a unidade da obra. O destino da pequena Cécile, por exemplo, é diferente, mas não escreverei sobre ele aqui para evitar spoilers.

A obra de Laclos é, certamente, uma crítica à elite francesa da época, ociosa em sua superficialidade, da qual certos membros procuravam a desgraça alheia como meio de abrandar o tédio. O limite ao qual um ser humano está disposto a ir em prol do próprio benefício é colocado em discussão, e levou a muitas disputas e desacordos entre o público leitor do século XVIII, que não podia acreditar que tais ações e pensamentos poderiam ser fruto da mente de seus contemporâneos.

Felipe e Cecília, jovens corrompidos pela malícia do visconde e da marquesa

Além da adaptação para a televisão brasileira, Ligações Perigosas já teve outras onze adaptações, incluindo a de 1959, dirigida por Roger Vadim, a versão de 1988, de Stephen Frears, e a de 1989, dirigida por Milos Forman.





Trazida à atenção do público mais uma vez em 2016, o romance de Laclos é resgatado e ganha uma nova roupagem à vis do contexto do século XXI. Mesmo mais de duzentos anos depois, a obra de Laclos permanece atual e conquista mais leitores. Não é isso que faz de um clássico um clássico?

Um ótimo sábado a todos e não esqueçam do que disse a Sra. de Volanges em uma carta à tia de Valmont:

"Quem poderia deixar de tremer ao pensar nos males que pode causar uma ligação perigosa?"











Um beijo,

Fernanda


domingo, 17 de janeiro de 2016

"Como Ler a História do Mundo na Arte" - Parte 4 - Assíria e Judeia em Guerra

Boa tarde, queridos leitores!

Que tal continuar nossa jornada pela história do mundo através da arte? Na última publicação desta série, paramos em 1184 a.C., durante a Guerra de Troia. Hoje, viajamos 483 anos no tempo e aterrissamos em 701 a.C., mais especificamente no reino de Judá.
Mapa do antigo reino de Judá e proximidades

No século VIII a.C., o império assírio tinha grande influência sobre as regiões ao sul de suas possessões e mantinha frequentes conflitos com os babilônios, israelitas e judeus, cobrando destes outros reinos grandes tributos.

Senaqueribe, rei da Assíria
Em 701 a.C., o rei da Assíria, Senaqueribe, invadiu o reino de Judá e conquistou 46 cidades e sitiou a cobiçada cidade de Jerusalém. Senaqueribe exigia do rei judeu Ezequias a rendição de Jerusalém, que não foi concedida. Para que o exército assírio deixasse o reino de Judá, foi preciso que Ezequias pagasse um enorme tributo a Senaqueribe, que, por fim, retirou-se para Nínive, capital da antiga Assíria.

O que se sabe é que Jerusalém não foi conquistada, mas o poder do império assírio sobre Judá permaneceu.

Senaqueribe tomou como prisioneiros 200.156 judeus, tanto homens como mulheres, jovens e velhos. Esta era uma das estratégias de guerra dos assírios, que deportaram esses prisioneiros para terras bem longe dali de modo a reiterar a conquista da terra.

Exílio dos judeus por militares assírios

Em seu palácio em Nínive, Senaqueribe mandou decorar todas as paredes com imagens de suas grandes conquistas militares. Em uma das inscrições ele declara:

"Como Ezequias, rei de Judá, não quis se submeter a mim... Eu conquistei quarenta e seis de suas cidades fortificadas".

Como teria sido a cidade histórica de Nínive

Ruínas da cidade de Nínive nos dias de hoje

Eis mais um grande momento da nossa história mundial que foi retrata na arte e, por isso, conseguiu permanecer viva até os dias de hoje.

Esta publicação é mais um fruto da leitura do delicioso livro How to Read World History in Art, organizado por Flavio Febbraro e Burkhard Schwetje. Eu não me canso de elogiar este livro, pois ele nos leva em uma jornada de mais de três mil anos de história através de produções artísticas, que são reflexo do contexto social, histórico e político de cada momento. Febbraro e Schwteje nos levam desde o Código de Hamurabi, em 1792 a.C., até o ataque terrorista às Torres Gêmeas em 2001. É uma viagem e tanto!

Quem perdeu as primeiras partes dessa jornada pode acessá-las aqui:

Parte 1
Parte 2
Parte 3

Espero que tenham gostado de mais essa etapa de nossa viagem pela história do mundo através da arte.

Um ótimo domingo a todos e ótimas leituras!

Fernanda

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Os 10+ Livros para Ler nas Férias

Olá, queridos leitores!

O mês de janeiro está aí! Muitos, como eu, ainda estão de férias, com tempo de sobre para fazer aquilo que a gente mais ama... ler!! Mas o que ler nas férias?

Eu sempre levo vários livros na minha mala de férias, já que nunca sei se vou ter tempo de ler todos, se vão sobrar livros ou faltar... na dúvida, é melhor ter livros de mais do que de menos, não é?

Por isso, para os que ainda não decidiram a sua lista de livros para ler nesses meses de verão, decidi deixar aqui dicas de 10 livros que vão deixar as suas férias ainda mais empolgantes:



Em 10º lugar:

O Curioso Caso de Benjamin Button é um conto longo ou uma narrativa curta (depende do seu ponto de vista) do escritor norte-americano Scott Fitzgerald. Essa história tornou-se famosa após a sua adaptação para o cinema pelo diretor David Fincher em 2009, com Brad Pitt no papel principal.

Benjamin é um bebê muito peculiar: ele nasce velho! E, diferentemente do resto das pessoas, conforme os anos vão se passando, ele se torna cada vez mais jovem!


É uma leitura curta que, com certeza, vai te deixar muito intrigado!



Em 9º lugar:

Para quem gosta de teatro, ler peças é uma boa dica para as férias. São leituras curtas, compostas principalmente por diálogos, mas que não por isso são menos envolventes. Uma peça que vale muito a pena ler é Um Bonde Chamado Desejo, do norte-americano Tennessee Williams.

Esta peça e suas marcantes personagens femininas, Blanche DuBois e Stella Kowalski, além do charmoso e bruto Stanley, vão te sugar para dentro de um universo paralelo: um bairro na periferia de Nova Orleans dos anos 50.

Brigas por amor, sedução, jogos e bebida são o plano de fundo para a história dessas duas irmãs.

Depois da leitura, a dica é assistir ao filme de 1951 com Marlon Brando no papel de Stanley Kowalski e Vivien Leigh como Blanche.
 





Em 8º lugar:

Nas minhas férias, eu procuro me dedicar a leituras mais descontraídas e leves, já que, como aluna de mestrado em literatura, costumo ler livros mais densos durante o resto do ano. Para aqueles que, como eu, não têm vergonha de mostrar o seu amor por séries teenagers, eu sugiro a leitura da saga Os Instrumentos Mortais, da norte-americana Cassandra Clare.

Aqueles que gostam de uma história de amores proibidos, incertezas da adolescência com uma pitada preciosa de acontecimentos sobrenaturais, esta série com certeza irá te prender.

Até o momento eu só li o primeiro volume, Cidade dos Ossos, mas o restante da saga já está na minha lista!



Em 7º lugar:

Rio Antigo, escrito pelo brasileiro Anatole Jelihovschi, é um livro que já li há um certo tempo, mas que permanece em minha memória e, tenho certeza, dará um ar de intriga, mistério e história para as suas férias.

A história se passa no Rio de Janeiro do início do século XX. Além de descrever de forma magnífica a cidade carioca em plena Belle Époque, Jelihovschi prende o leitor com o sociopata Afonso que assola as ruas com sua mente perturbada.

Uma leitura que te prende do início ao fim e te transporta no tempo até a capital da jovem república brasileira!




Em 6º lugar:

Mais uma dica para os amantes do teatro (e também para os não-amantes) é a leitura da peça A Megera Domada, do inigualável William Shakespeare. Eu sei que há muito preconceito com relação a Shakespeare e muita gente não lê suas peças por acreditar que será de difícil compreensão, com um vocabulário muito erudito. Para quem ainda tem essa visão de Shakespeare, liberte-se! Assim que o primeiro momento de hesitação passar, você irá perceber como Shakespeare é engraçado, principalmente, é claro, em suas comédias!

A Megera Domada é uma de suas peças mais conhecidas e admiradas no mundo todo, e pode ser lida em uma tarde! As personagens Catarina, Bianca, Petrúquio e Lucêncio vão fazer você rolar de rir! Esses nomes parecem familiar? Talvez pelo fato de a Rede Globo ter adaptado esta incrível peça shakespeariana para a televisão com a novela O Cravo e a Rosa.

É muita briga, guerra, casamentos e muito amor!



Em 5º lugar:


Para os amantes da fantasia, não poderia deixar de sugerir esta série épica (ainda mais porque precisamos de tempo para ler os imensos volumes!): As Crônicas de Gelo e Fogo, do norte-americano George R. R. Martin. Batalhas medievais, cavaleiros heroicos, reis tiranos, guerra pelo poder e dragões. Preciso escrever mais alguma coisa?

Por enquanto só li o primeiro volume da saga, A Guerra dos Tronos, que deu embasamento à primeira temporada da série da HBO Game of Thrones. Confesso que demorei a me render a esta série e agora estou completamente vidrada! 


Não vejo a hora de abrir a primeira página de A Fúria dos Reis, segundo volume da saga.



Em 4º lugar:

Jorge Amado é um dos meus autores preferidos, tanto em nível nacional como internacional. Ele é mesmo fantástico! Por isso, não poderia deixar de sugerir uma viagem a Ilhéus, na Bahia, nem que seja literariamente falando.

Gabriela, Cravo e Canela é um de seus livros mais famosos e um dos meus livros favoritos de todos os tempos! Lendo, eu sentia água na boca dos quitutes de Gabriela, sentia o calor do nordeste na pele e me via no bar Vesúvio de conversa com o Seu Nacib, o Coronel Ramiro Bastos, Mundinho Falcão e fugindo da lábia do Tonico.

Deixe-se envolver pelos encantos de Gabriela e pelo talento de Jorge Amado!



Em 3º lugar:


Férias não são férias sem um bom mistério da Rainha do Crime, Agatha Christie. Tenho muitos livros dela que me encantaram, mas um especial é Assassinato no Expresso do Oriente. Este é um dos clássicos de Agatha Christie e acompanhamos o singular detetive Hercule Poirot em uma viagem no luxuoso Expresso do Oriente.

Em uma trama bem à la Agatha Christie, o trem precisa parar em plena meia-noite devido a uma terrível nevasca e, no dia seguinte, um corpo é encontrado em uma das cabines.

Quem terá cometido esse crime? O assassino ainda está dentro do trem? Os outros passageiros correm perigo?

Meu caro leitor, só lendo para descobrir!



Em 2º lugar:


O Velho e o Mar é, na minha opinião, uma obra-prima do grande escritor norte-americano Ernest Hemingway. Esta também é uma leitura rápida e muito envolvente!

Hemingway nos conta a história do velho pescador Santiago, que não fisgava um peixe há mais de oitenta dias. Decidido a mudar essa situação, ele se aventura mar adentro para águas mais profundas e trava uma batalha de vida ou morte com um grande peixe, o maior de sua vida de pescador.

Até o leitor que não se interesse nem um pouco por pescaria, como eu, vai se encantar com esse conto de persistência e embate entre a natureza e o homem. 

Um clássico!


1º lugar:

E, em primeiro lugar, o livro que não pode faltar na sua mala de viagens é A Bússola de Ouro, do inglês Philip Pullman. Este livro é simplesmente fantástico! Este é o primeiro volume da trilogia criada por Pullman e seu mundo onde cada pessoa tem o seu deamon, uma manifestação física da sua alma através de animais vai te prender. 

Assim como Hogwarts nunca saiu de sua mente, o mundo da jovem Lara Belacqua e a procura por outros mundos em outras dimensões vai te envolver página após página. Além da trama, a trilogia de Pullman ainda reflete, mesmo que indiretamente, sobre o papel da ciência, física e teologia.

É muito interessante ler as críticas sobre o livro disponíveis na internet depois da leitura. 



Agora não há mais desculpa para não ler nas férias!
Espero que essas dicas destes dez livros tenham despertado a vontade de lê-los ou de procurar saber um pouco mais sobre cada um deles! São todos livros que eu já li e já escrevi sobre a maioria aqui no blog. Quem tiver interesse, pode procurar os posts através das opções na coluna do lado direito da página. 
Em breve volto com mais resenhas, dicas de livros, discussões literárias ou algum outro tópico interessante!

Um beijo e ótimas leituras!

Fernanda