Hoje escrevo para vocês sobre uma autora que há muito tempo quero ler: a filha da incomparável feminista que eu admiro muito, Mary Wollstonecraft, e criadora de uma das mais famosas histórias góticas de todos os tempos: Mary Shelley.
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| Mary Shelley |
Mary nasceu em 30 de agosto de 1797 em Londres e morreu em 1 de fevereiro de 1851 aos 53 anos, provavelmente vítima de um tumor cerebral. Ela foi a segunda esposa do grande poeta romântico Percy Shelley, o qual encorajava as incursões de Mary pelo mundo das palavras.
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| Percy Shelley |
O conto que li esta semana, e que simplesmente amei, é O Imortal Mortal, escrito em 1833, que nos conta a história de Winzy, um rapaz pobre e apaixonado por Berta, uma garota pobre que havia sido adotada por uma protetora nobre, que a cobrira de jóias e sedas e a acolhera em seu castelo. Devido à disparidade social entre os dois, eles não poderiam se casar, a não ser que Winzy encontrasse alguma maneira de levantar uma fortuna. É aí que o protagonista se deixa levar pela tentadora oferta do misterioso alquimista Cornélio Agripa. Muitos o consideravam um praticante das artes do mal e, por isso, ninguém ousara aceitar a oferta de trabalhar com ele em seus estudos. Encorajado pelo dinheiro que lhe daria a mão de Berta, Winzy aceita o trabalho e por muito tempo não percebe nenhuma atividade maligna dos experimentos do velho alquimista.
Eis que um dia Cornélio estava trabalhando em um experimento muito importante, que o deixara acordado por dias a fio. Sem poder driblar o sono por mais tempo, Cornélio pede que seu assistente fique monitorando a poção enquanto ele tira um cochilo. Caso o líquido mudasse da cor rosa para uma tonalidade mais clara, ele deveria acordá-lo imediatamente. O velho ainda adverte: "Não toque no recipiente nem o coloque na boca; é um filtro, um filtro para curar o amor; você não cessaria de amar sua Berta. Atenção para não beber!"
O que o velho não sabia era que era justamente isso que Wenzy queria. Cansado dos jogos de indiferença de Berta, que havia sido prometida a outro rapaz, cuja união era abençoada por sua rica protetora, Wenzy pensou que a melhor saída para seu sofrimento era deixar de amar Berta. Neste instante, o líquido mágico muda de tonalidade e Wenzy, sem pensar, o toma nas mãos e engole metade de seu conteúdo, acordando o velho Cornélio que fica extremamente frustrado com o acontecimento.
O que a poção faz, contudo, não é eliminar o amor que uma pessoa sente. O destino de Wenzy é, dessa forma, terrivelmente modificado, pois ele se tornou imortal. A partir daí, Wenzy tem que aprender a lidar com o sofrimento ainda maior de uma alma mortal presa em um corpo imortal.
"Será que lamento? Sim, o medo da idade e da morte invade, frio, meu coração; e, quanto mais vivo, mais temo a morte, mesmo quando abomino a vida. Enigma assim é o homem - nascido para morrer - quando guerreia, como faço, contra as leis estabelecidas de sua natureza."
O elixir da imortalidade é um tema bastante recorrente na literatura ocidental, recuperado por diversos autores em diversas épocas. Acredito que isso se deve ao fascínio que esse tema exerce em nossa mente humana, sempre temendo a morte que é inevitável.
Esse texto de Shelley me cativou página após página e agora não vejo a hora de ler a sua obra-prima, Frankenstein.
Uma ótima quinta-feira a todos e boas leituras!
Fernanda




























