sábado, 7 de março de 2015

"A Ideia", Augusto dos Anjos

Bom dia, bom sábado a todos!

Hoje resolvi escrever sobre um dos grandes nomes da Poesia Brasileira, o paraibano Augusto dos Anjos.
Augusto dos Anjos
Nascido em Cruz do Espírito Santo, estado da Paraíba, em 20 de abril de 1884, Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos escreveu seus primeiros poemas aos sete anos. Em 1908, aos 24 anos, formou-se professor do Liceu Paraibano e exerceu o magistrado em diversas cidades até a sua morte em 12 de novembro de 1914, vítima de pneumonia.

Seus poemas foram reunidos no livro Eu, publicado pela primeira vez em 1912, livro que continua até os dias de hoje como um dos livros de poemas mais vendidos no Brasil.

A Ideia é um poema que foi publicado nesta coleção de 1912. Considerado um poeta parnasiano, Augusto dos Anjos mantém a métrica tradicional do soneto (dois quartetos e dois tercetos) neste poema, porém já traz à tona ideias pré-modernistas, como os termos científicos em abundância.
Esta linguagem cientificista, orgânica e crua causou repulsa a muitos críticos da época, acostumados com a elegância do classicismo. Os modernistas, no entanto, aclamam e obra de Augusto dos Anjos e a divulgaram em peso.
Outros escritores pré-modernistas no Brasil, os neo-parnasianistas do período entre 1910 e 1920, são Coelho Neto, Euclides da Cunha, Graça Aranha e Monteiro Lobato.


Confira o poema:

A Idéia
Augusto dos Anjos

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica ...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica.


A beleza da leitura de poesia está no fato de que ela é aberta a diversas interpretações, e a cada vez que
lemos o mesmo poema, nos damos conta de camadas ali antes escondidas, que através de novas leituras são reveladas.

 A primeira interpretação que me vem à cabeça é que Augusto de Anjos está descrevendo o processo de criação de uma ideia como se ele fosse um procedimento mecânico, que sai do encéfalo e passa com dificuldade pelas cordas da laringe. No entanto, ao tentar sair para o mundo real, a ideia "esbarra no mulambo da língua paralítica". Não conseguimos traduzir nossas ideias! Falta-nos palavras!

E não é isso mesmo que acontece?

Leia este e outros poemas de Augusto dos Anjos, grande poeta brasileiro!

Um ótimo sábado,

Fernanda

sexta-feira, 6 de março de 2015

"Oliver Twist", Charles Dickens

Bom dia a todos!

Hoje resolvi escrever sobre um de meus livros favoritos, Oliver Twist, de Charles Dickens.
Aqui no blog, já tive a oportunidade de escrever sobre outro maravilhoso romance deste mestre da Literatura Inglesa, Grandes Esperanças, de 1861. Esta publicação pode ser acessada aqui.
Oliver Twist foi o primeiro romance que li de Dickens (já tinha lido contos, como o famoso Um Conto de Natal, ou A Christmas Carol, no original) e simplesmente me apaixonei pela maneira como o escritor descreve as ruas e pessoas da crescente cidade de Londres na Era Vitoriana.

A cidade de Londres na Era Vitoriana

Oliver pedindo mais comida
Oliver Twist é um menino órfão que mora em uma workhouse, ou Casa de Trabalho em português, um local onde pessoas que não tinham meios de se sustentar trocavam moradia e comida em troca de trabalho. As condições nesses locais, no entanto, eram muito precárias, o que Dickens ilustra com bastante realismo. Oliver, ao pedir por mais comida em uma das refeições, é mandado embora da instituição e tenta a vida na cidade grande, Londres. Lá ele encontra Fagin, um velho esperto que treina crianças a serem batedores de carteira. Sem lugar para onde ir, Oliver acomoda-se com Fagin e os outros garotos, onde conhece o jovem Jack Dawkins, mais conhecido como o "Trapaceiro Astuto", a adorável Nancy e o bruto Bill Sikes.
Puro de coração, Oliver vai ter que se virar para sobreviver em uma cidade hostil como Londres nesta época e lutar para manter sua essência boa.

Este é um dos romances mais populares de Charles Dickens. Ele já foi adaptado ao cinema inúmeras vezes, no entanto a versão de que mais gosto é a produzida pela Disney em 1997, com Elijah Wood no papel do "Trapaceiro Astuto", Richard Dreyfuss como Fagin e Alex Trench como o pequeno Oliver.

Cartaz do filme de 1997 da Disney

Charles Dickens

Charles Dickens (1812-1870) foi um dos maiores nomes do movimento realista na Literatura Inglesa, fazendo, através de suas obras, sagazes críticas sociais. Há em sua obra, também, histórias que utilizam de elementos fantásticos, como Um Conto de Natal (1843), outras que tratam de temas históricos, como a Revolução Francesa em Um Conto de Duas Cidades (1859) e até um livro considerado por muitos como autobiográfico, David Copperfield (1849-1850).





 Charles Dickens é, sem dúvida, um dos grandes mestres da Literatura Universal, e Oliver Twist é um livro que não pode faltar em sua estante!


Uma ótima sexta-feira a todos!

Fernanda

quinta-feira, 5 de março de 2015

"O Corcunda de Notre-Dame", Victor Hugo

Bom dia!

Nesta manhã de quinta-feira, decidi escrever sobre um dos grandes nomes da Literatura Francesa, o eterno Victor Hugo.

Victor Hugo
Victor Hugo nasceu em Besançon, região centro-leste da França, em 26 de fevereiro de 1802, e morreu em Paris, aos 84 anos, em 22 de maio de 1886. Devido à profissão de seu pai, que era um oficial, Hugo e sua família mudavam de residência frequentemente. Ele passou sua infância entre Paris, Nápoles e Madri, o que lhe permitiu conhecer muitos lugares ainda criança. Desde muito cedo ele começou a escrever, sendo agraciado com um prêmio da Academia Francesa por um de seus poemas em 1817, quando tinha apenas 15 anos.

Em 1821, Victor Hugo publicou seu primeiro livro de poesia, Odes et poésies diverses (Odes e Poesias Diversas), pelo qual o Rei Luís XVIII lhe concedeu uma pensão em dinheiro. Dez anos mais tarde, em 1831, Hugo publicou sua grande obra-prima Notre-Dame de Paris, que mais tarde seria mais conhecida pelo título O Corcunda de Notre-Dame. Além desta obra, Victor Hugo também ficou conhecido por O Último Dia de um Condenado à Morte (1829), Os Miseráveis (1862) e Os Trabalhadores do Mar (1866).


O Corcunda de Notre-Dame foi o segundo livro que li de Victor Hugo (li também O Último Dia de um Condenado à Morte, que é maravilhoso! Em outra oportunidade vou escrever sobre ele aqui) e foi uma experiência e tanto! São mais de 500 páginas, dependendo da edição, e muitas delas são descrições riquíssimas da Catedral de Notre-Dame em Paris, o que pode tornar a leitura um pouco lenta. Contudo, as informações que Hugo nos apresenta sobre a Paris medieval e os personagens desta sociedade são riquíssimas e muitos interessantes. Além disso, a história de amor do corcunda Quasímodo pela cigana Esmeralda é atemporal. Vale a leitura!

Catedral de Notre-Dame em Paris


Uma ótima quinta-feira a todos e ótimas leituras!

Fernanda

quarta-feira, 4 de março de 2015

"A Espiã", Louise Fitzhugh

Bom dia a todos!

Hoje resolvi escrever sobre um livro que marcou a minha infância e que, certamente, teve um papel definitivo na minha paixão por livros. Trata-se de A Espiã, de Louise Fitzhugh. Vocês podem ver que eu gosto de histórias detetivescas desde criança! Mas quem não se apaixonaria por um personagem como a Harriet, a pequena espiã que mora em Nova York?


Harriet sonha em ser uma espiã internacional e escritora quando crescer, portanto ela já vai praticando desde já. Ela observa tudo e todos ao seu redor e escreve tudo em seu caderninho secreto. Eu confesso, por um tempo, quando eu era criança, levava um caderninho para todo lado também, dando uma de Harriet. Quando somos crianças, nós realmente entramos na história, não é? É mágico!
Michelle Trachtenberg como Harriet
No entanto, Harriet entra em apuros quando seu caderno secreto é confiscado pelos seus colegas e todas as suas anotações vêm à tona.

A Espiã foi publicado pela primeira vez em 1964 e foi um divisor de águas na Literatura Infanto-Juvenil, trazendo elementos realistas à antes idealizada literatura para crianças. Depois de Fitzhugh, outros escritores deste gênero incorporaram o realismo à ficção infanto-juvenil.

O romance de Fitzhugh foi adaptado para o cinema em 1996 em uma produção da Nickelodeon Movies e Paramount Pictures, com Michelle Trachtenberg no papel da pequena espiã.

Louise Fitzhugh foi uma escritora e ilustradora de livros infantis norte-americana. Ela nasceu em 5 de outubro de 1928 e morreu em 19 de novembro de 1974, aos 46 anos, vítima de um aneurisma cerebral.

Louise Fitzhugh

Portanto, pegue a sua lupa e mãos à obra! Só não deixe seu caderno super secreto cair nas mãos erradas.

Ótima quarta-feira a todos e boas leituras!

Fernanda

terça-feira, 3 de março de 2015

"O Guardião da Porta", L. T. Meade & Robert Eustace

Boa tarde a todos!




Na semana passada, comprei um livro que me fascinou, tanto pela capa convidativa e misteriosa, como pela proposta: Detetives do Sobrenatural: contos fantásticos de mistério, uma antologia organizada por Braulio Tavares de contos em que detetives se deparam com crimes sobrenaturais. É uma ótima proposta, não? E os contos vão de 1897 a 2003, uma verdadeira viagem no tempo através deste gênero.




L. T. Meade

O conto sobre o qual resolvi escrever aqui é o primeiro da coletânea: O Guardião da Porta, ou The Warder at the Door no original, conto escrito pela irlandesa L. T. Meade (1844-1914), escritora do século XIX que produziu mais de 300 livros, com a colaboração do escritor inglês Robert Eustace (1854-1943). Em parceria, os dois escreveram também outros contos de mistério.


Este conto de Meade e Eustace foi publicado pela primeira vez em julho de 1897, na revista Cassell's magazine, e em formato de livro em 1898, na coleção de contos A Master of Mysteries.


Neste conto, o detetive John Bell, que procura desvendar e explicar todos os crimes de cujas investigações ele participa de maneira científica e racional, se depara com um evento anormal, supernatural até. Ele fica sabendo sobre a maldição que atormenta a família Clinton geração após geração e, com a morte do patriarca Henry, a preocupação assombra seu filho Allen. Será que o detetive Bell vai conseguir manter sua postura calculista frente a esta enigmática maldição?


Assim como afirma Braulio Tavares no prefácio do livro, "uma pessoa desinformada vê algo extraordinário acontecer diante dos seus olhos e chama isso de magia ou milagre, mas alguém com mais conhecimento percebe que tudo não passa de uma utilização inteligente das leis da matéria". Mas será que isso se aplica a todos os casos?
Leia o conto de Meade e Eustace e descubra!

Beijos,
Fernanda

segunda-feira, 2 de março de 2015

"Uma Freira da Nova Inglaterra", Mary Eleanor Wilkins Freeman

Boa tarde!

Hoje resolvi escrever sobre uma grande escritora norte-americana do século XIX, mas que recebe pouca atenção dos leitores e estudiosos brasileiros: Mary Eleanor Wilkins Freeman.


Mary nasceu em 31 de outubro de 1852, em Massachusetts, nos Estados Unidos, e morreu aos 77 anos, em 13 de março de 1930. Durante sua carreira literária, Freeman escreveu mais de duzentos contos, sendo a sua principal inspiração o cenário rural da Nova Inglaterra de meados do século XIX, como em Uma Freira da Nova Inglaterra, ou A New England Nun no original, um de seus textos mais célebres, publicado pela primeira vez em 1891.


Este conto de Mary E. W. Freeman conta a história de Louisa Ellis, uma jovem da Nova Inglaterra que perdeu a mãe e o irmão e vive sozinha em uma casa da área rural, cenário que é maravilhosamente descrito no primeiro parágrafo da história. Louisa havia prometido se casar com John Dagget, que havia ido para a Austrália para montar a sua fortuna e que não via há quatorze anos. Durante este tempo, Louisa vive sua vida solitária, cuida de sua casa com extremo cuidado, passa as horas fazendo atividades domésticas que lhe dão prazer, como costurar e colher groselhas para o chá. Quando John volta sem aviso prévio, quatorze anos depois, e visita Louisa, os dois se sentem desconfortáveis. Seu casamento parecia a Louisa algo tão indistinto no futuro, como se pertencesse a outra vida, enquanto John, ainda que admirasse Louisa, nutria sentimentos amorosos por outra mulher, Lily Dyer. No entanto, mesmo sem apreciar as prospeções do futuro juntos, Louisa e John estão dispostos a manter sua promessa, receosos de fazer o outro sofrer.


Uma Freira da Nova Inglaterra é um conto belíssimo, perfeito para uma tarde de verão ensolarada como esta, e como a de Louisa Ellis no início da história.

Boas leituras e ótima semana!

Fernanda 

domingo, 1 de março de 2015

"A Rainha Normanda", Patricia Bracewell

Bom dia a todos!

Nesta preguiçosa manhã de domingo, resolvi escrever sobre o meu gênero literário preferido: o romance histórico. 
A ficção histórica tem como base eventos reais, baseados em documentos, registros históricos, memórias e estudos. A partir daí, o romancista cria diálogos e situações ficcionais a partir de personagens reais, levando em conta, é claro, os dados a que se tem acesso. Partes da História misteriosas e envoltas em dúvidas costumam dar boas histórias. Assim como afirma Patricia Bracewell, autora do romance sobre o qual escreverei aqui, "essa é uma daquelas maravilhosas lacunas na história que se tornam tão tentadoras para os romancistas".


Em A Rainha Normanda, Patricia Bracewell nos conta a história de Lady Emma, uma jovem normanda que, aos 15 anos, é enviada à Inglaterra para casar-se com o Rei Ethelred.
Uma jovem rainha em uma terra estranha, Emma precisa dar um filho homem ao rei para proteger a sua posição de rainha e sua própria vida. Para tornar sua vida ainda mais complicada, este período foi marcado por invasões vikings, liderados pelo Rei da Dinamarca Swein Forkbeard.
Muito da história de Emma contada por Bracewell foi retirado da Crônica Anglo-Saxã e por uma biografia de Emma, encomendada por ela mesma no século XI, Encomium Emmae Reginae, escrita por um monge flamengo e descoberto em 2008.


Lady Emma da Normandia

Patricia Bracewell é norte-americana, vive na Califórnia e, antes de se dedicar exclusivamente à carreira de escritora, lecionou Literatura e Redação.


Patricia Bracewell

Que tal aproveitar este domingo para uma viagem à Inglaterra medieval do século XI? É uma viagem incrível!

Um abraço e ótimas leituras!

Fernanda